Luísa Canziani, deputada federal


O avanço da tecnologia já provocou – e continua provocando – inúmeras mudanças no comportamento humano. Da maneira como nos relacionamos, à nossa rotina diária, passando pelo mercado de trabalho. É inegável que as transformações estejam ocorrendo e em uma velocidade cada vez maior. Se há alguns anos conceitos como cloud computing, inteligência artificial, blockchain e revolução industrial 4.0 eram distantes da maioria da população, atualmente já fazem parte da nossa vida e estão cada vez mais próximos.
Muitas profissões já desapareceram ao longo das décadas e muitas outras já não existirão em décadas futuras. A diferença é que antes a mão de obra braçal e repetitiva foi substituída pelas máquinas. No futuro, são os cargos intelectuais e até mesmo os que envolvem relações humanas, como as ações de telemarketing por exemplo, é que poderão deixar de existir.
E todas essas transformações nos levam a uma importante reflexão: estamos preparando nossas crianças e nossos jovens para enfrentar essas mudanças, principalmente no mercado de trabalho? Como preparar os brasileiros para o futuro se ainda temos que resolver questões antigas e gravíssimas, como o analfabetismo funcional, a evasão escolar, a falta de padronização do currículo escolar, as falhas na formação dos professores e a desvalorização da carreira?
Por isso, a escola tem que estar preparada para formar novos alunos, que saibam pensar, desenvolver novas ideias e estejam aptos a empreender. A capacidade de se adaptar, de se reinventar, de desenvolver soluções criativas, de “pensar fora da caixa” serão habilidades muitas requisitadas. Portanto, temos que formar nossas crianças e nossos jovens para esse novo perfil. O cenário exige investimento nas pessoas!
Na Câmara, faço parte da Comissão Externa destinada a acompanhar os trabalhos do Ministério da Educação e o meu foco é justamente a implantação da Base Nacional Curricular Comum (BNCC). Esse documento foi construído pensando nessa nova dinâmica e no preparo de professores e gestores escolares com foco no desenvolvimento de competências e habilidades necessárias para enfrentar os desafios atuais e os futuros que extrapolam a formação para o trabalho.
Embora esteja estabelecida na Constituição, a BNCC ainda não foi implementada, e é de fundamental importância para conseguirmos melhorar a qualidade da educação e a aprendizagem dos nossos alunos. Também foram estabelecidos padrões para a avaliação da qualidade educacional. Além de nortear as ações educacionais a serem implementadas nos Estados e municípios, a base deve acabar com as desigualdades regionais no nível de aprendizagem. Somente a partir de ações como essa é que poderemos desenvolver um currículo escolar voltado para a “educação do futuro”.
O Paraná já saiu na frente com a construção do currículo estadual adequado à BNCC. O documento foi apresentado a todos os municípios e Londrina já elaborou a versão municipal e disponibilizou às escolas que têm até dezembro para apresentar o seu projeto político pedagógico que será implantado no próximo ano letivo.
A forma de ensinar de uma nova maneira e que garanta o aprendizado tem que ser redefinida. As pessoas precisam conhecer e ampliar a sua capacidade de aprender, porque elas terão que se reinventar profissionalmente durante diversas fases da sua vida. O avanço da tecnologia – e a sua incorporação cada vez mais rápida nas empresas e no cotidiano – vai exigir adaptação a esse novo cenário. O futuro está chegando e temos que estar preparados!

Luísa Canziani, deputada federal pelo PTB do Paraná e sub-relatora da Comissão Externa destinada a acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos do Ministério da Educação e membro da Frente Parlamentar Mista da Educação da Câmara dos Deputados

Fonte: - Postado em 24/10/2019



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