Vítima quer indenização caso agressor seja beneficiado


Um caso que movimentou Joaquim Távora no final do ano passado tem agora um desdobramento inacreditável. Segundo a vítima, seu agressor está pedindo indenização após ser baleado dentro do fórum da cidade. “Caso ele consiga, eu também vou entrar na Justiça. Afinal, desde o ocorrido, não pude mais trabalhar porque fiquei com a mão imobilizada”, disse.

A vítima é Damaris Pereira Bilik, 41, moradora de Joaquim Távora. Em novembro de 2017, por volta das 19 horas, ela passava por uma rua, acompanhada de dois filhos pequenos, quando Adilson Nunes, 27, podava uma árvore com um facão. “Estava indo levar as crianças para benzer. Passamos por ele e, de repente meu filho mais novo começou a gritar. Olhei para trás e o homem que cortava a árvore estava vindo em nossa direção com o facão na mão dizendo que seríamos as primeiras pessoas que ele mataria naquele dia”, contou.

Apavorada, Damaris mandou os filhos correr e foi atrás deles, mas Adilson a alcançou e desferiu dois golpes contra ela. Um deles acertou o braço esquerdo e outro sua mão direita. Um vendedor de mel que passava pelo local tentou ajudar e também foi ferido no punho. “Fomos para o hospital e lá soubemos que Adilson entrou no Fórum desnorteado e tentou atacar outra mulher. O segurançapercebeu e precisou atirar para impedi-lo”, explicou.
Damaris garante que não conhecia seu agressor. “Nunca tinha visto aquele homem na minha vida. Não foi um ataque por vingança ou coisa parecida. Acho que ele surtou e queria matar alguém, aleatoriamente. Depois ouvi dizer que ele já havia causado problemas em outras ocasiões”, explicou.
Recentemente, durante uma audiência sobre o caso, Damaris ficou sabendo que o tiro dado pelo segurança atingiu uma vértebra de Adilson, que ficou paralítico. “Me disseram que a família dele está pedindo uma indenização ao Estado porque ele foi baleado dentro do Fórum e ficou preso a uma cadeira de rodas, sem poder trabalhar. Se for assim, também vou entrar com uma ação, porque nunca mais pude trabalhar. Já passei por duas cirurgias, estou com uma mão imobilizada desde a ocorrência e tenho um pino em um dos dedos. Os médicos não garantem que eu vou recuperar o movimento desse dedo”, lamentou.
Mas a mão da vítima é apenas um dos problemas dela depois da agressão. “Meus filhos ficaram traumatizados e tive que mudar de cidade. Eles não queriam mais sair na rua e nem ir para a escola. Tinham medo de tudo. Precisei sair de Joaquim Távora, onde moram meus pais, para recomeçar a vida em outro lugar e assim garantir paz as crianças”, explicou salientando que não recebeu nenhum auxílio da prefeitura ou da escola de seus filhos no que se refere a um tratamento psicológico para as crianças se libertarem do trauma.

Fonte: Gladys Santoro - tribuna do vale - Postado em 31/08/2018



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