Quase sem querer: conheça a primeira mulher a ficar no banco de reservas no Paranaense-2019


Quando o Rio Branco-PR conseguiu a classificação para a semifinal do segundo turno do Campeonato Paranaense, que seria disputada contra o Athletico, Cassiana Kotzias já sabia que estaria, mais uma vez, no banco de reservas.

A médica de 31 anos, natural de Paranaguá, litoral do Paraná, já havia feito parte da delegação contra o Foz do Iguaçu, em 10 de fevereiro. Na ocasião, atendeu às duas equipes. Porém, a partida do último sábado, que terminou com a classificação do Athletico, marcou sua primeira aparição em um grande estádio.
O que ela não sabia era do próprio pioneirismo. Com duas oportunidades, Cassiana foi a única mulher a sentar no banco de reservas em todas as 71 partidas do Campeonato Paranaense de 2019.
- Eu não imaginei que tivesse sido a primeira, não. Espero que, realmente, outras mulheres se inspirem a participar cada vez mais do futebol, que ainda é um esporte muito voltado pro meio masculino. Mas, aos poucos, nós vamos conquistando nosso espaço, pela nossa capacidade profissional, independente de sexo ou gênero.
Cassiana Kotzias em atendimento na partida contra o Athletico — Foto: Ricardo Muiños/RPC
Cassiana Kotzias em atendimento na partida contra o Athletico — Foto: Ricardo Muiños/RPC
Quase sem querer
De acordo com a súmula da partida, Cassiana ficou no banco de reservas porque o médico do Rio Branco-PR, Lucas Nitsche Rocha, não pôde de acompanhar a delegação "devido a atividades profissionais". O convite, nas duas oportunidades, partiu do vice-presidente do conselho gestor, Henrique Almada, que é amigo de infância da médica e sabe da afinidade dela com o futebol.
- Aqui em casa, minha família sempre foi bem ligada no esporte, e acho que isso acabou passando pra mim. Gosto tanto que estou me especializando em Nutrologia e Medicina Esportiva, pretendendo ser bem atuante nesta área voltada ao esporte em geral e performance.
A médica conta que se sentiu à vontade e foi bem recebida por toda a equipe. Inclusive, nos momentos em que demonstrou autoridade. A reportagem flagrou Cassiana dando uma "bronca" para que alguns jogadores, que ainda estavam no banco, se juntassem aos colegas que faziam o aquecimento. Ela também reporta que não passou ilesa aos comentários impróprios, que às vezes vinham das arquibancadas.
Sempre rolam alguns comentários, né? Mas ali no jogo tem que ser o mais profissional possível e focar no andamento do jogo e do time.
Com a eliminação do Rio Branco-PR do estadual e um calendário vazio para o restante da temporada, Cassiana já faz planos para o ano que vem. O time se manteve na primeira divisão do Paranaense e aguarda a confirmação de uma vaga na Série D de 2020.
- Agora, estou mantendo contato com a comissão do Rio Branco para acompanhar o time e participar de outros jogos. Estamos aguardando se o time vai conseguir uma vaga na Série D do Brasileiro. Se isso acontecer, acho que serei vista no banco outras vezes - torce a médica.

 

Fonte: Globo Esporte - Postado em 09/04/2019



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