Mulheres motociclistas que se conheceram pela internet iniciam viagem de mais de 7 mil km ao deserto do Atacama


Um grupo de mulheres apaixonadas por motocicletas começa, nesta quarta-feira (2), uma aventura inédita e a realização de um sonho: percorrer juntas mais de sete mil quilômetros, em uma viagem de ida e volta de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, ao deserto do Atacama, no Chile.
A empolgação das participantes pela jornada que está só começando é acompanhada pelo desafio de viver tudo isso com novas amizades.
O grupo foi formado por mulheres que, em maioria, nunca haviam se visto pessoalmente. O convite foi lançado há cerca de um ano, pela internet.
Após visualizarem a postagem com a proposta, mulheres do Paraná, de São Paulo, Rio Grande do Norte, Distrito Federal e Santa Catarina aceitaram e começaram os planejamentos.
Telma Crummenauer, motociclista e uma das fundadoras do motoclube de mulheres Filhas do Vento e da Liberdade, de Curitiba, foi uma das idealizadoras.
Ela conta que vai comemorar o aniversário em meio à viagem, e que o objetivo foi, desde o início, incentivar a coragem e a liberdade de cada uma das participantes, a começar por ela mesma.
"Eu sempre tive o sonho de ir para o deserto do Atacama. Queria muito conhecer. São sete mil quilômetros e são situações de calor, de frio extremo, altitude de quase cinco mil metros acima do nível do mar. Eu nunca passei por isso antes", disse.
 
A viagem
O primeiro encontro do grupo ocorreu ainda na capital paranaense, cerca de uma semana antes da partida oficial. Telma e outras motociclistas do grupo de Curitiba conheceram Silvana Santiago, de São Paulo, e Sulamita Morini, de Florianópolis.
Até então, elas só conversavam pela internet.
Em Foz do Iguaçu, o grupo ficou completo. Do oeste paranaenses, elas devem passar por cidades da Argentina e do Chile.
Durante o trajeto, as motociclistas terão que acampar, dormir em barracas, se ajudar. Ainda durante a preparação para a viagem, elas tiveram curso de primeiros socorros e reforçaram os conhecimentos de mecânica básica.
"Acho que a maior superação vai ser a da nossa convivência, de a gente poder praticar a empatia, a solidariedade, o amor e a amizade", comenta Silvana.
A chegada do grupo ao deserto do Atacama está prevista para o dia 14 de outubro.
Chegada da expedição Rosas do Deserto ao Atacama está prevista para o dia 14 de outubro — Foto: Telma Crummenauer/Arquivo pessoalChegada da expedição Rosas do Deserto ao Atacama está prevista para o dia 14 de outubro — Foto: Telma Crummenauer/Arquivo pessoal
Chegada da expedição Rosas do Deserto ao Atacama está prevista para o dia 14 de outubro — Foto: Telma Crummenauer/Arquivo pessoal
Superação pela motocicleta
As histórias de algumas das integrantes da expedição, além da coragem para rodar milhares de quilômetros, carregam demonstrações de superação com ajuda da moto.
A paixão de Telma pela motocicleta, por exemplo, a ajudou a vencer a depressão. Até então, a dona de casa acompanhava o marido, que também tem o gosto por pegar a estrada. Com a moto, ganhou novas amizades, experiências e motivação.
"Descobri alguns grupos já organizados de mulheres que amavam as "duas rodas", me senti no céu! Aos 46 anos, descobri que o peso que carreguei durante muitos anos, eram minhas asas presas dentro do meu corpo e em meus medos. Descobri que poderia voar", conta.
Em um encontro de motociclistas, Telma conheceu Gean Andrade, outra mulher apaixonada por motocicletas, que já viajava para outros países. Telma contou para Gean sobre o sonho de conhecer Atacama.
"Como ela já tinha ido, ela falou "vamos fazer esse projeto juntas, vamos levar essas meninas que tenham esse sonho". Agora a gente está realizando esse sonho. É exatamente isso que a gente quer mostrar. Se nós podemos, elas também podem", afirma.
Silvana Santiago, de 53 anos, também superou a perda de alguém que amava e a depressão com ajuda da moto. Ela afirma estar orgulhosa e empolgada com a aventura.

 

 

Fonte: G1 - Postado em 02/10/2019



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