Preocupação com o novo coronavírus chega à exportação de alimentos


 O retorno do novo coronavírus a Pequim estaria acelerando a inspeção de alimentos frescos e de carnes congeladas. A reincidência de casos teria começado após o vírus passar por uma mutação na Europa e chegar à China no salmão. Também há relatos que importadores de soja da China estariam pedindo aos exportadores garantias de que a soja enviada está livre de coronavírus.

Segundo o presidente da Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná), Otamir Cesar Martins, o Secretário de Defesa do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) teria recebido uma correspondência da China pedindo que listasse as agroindústrias brasileiras que tenham ou tiveram pessoas contaminadas com o novo coronavírus. Ele reforça, no entanto, que no Paraná as agroindústrias têm seguido o protocolo estabelecido pelo Hospital Albert Einstein para a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).
“A cada quinze dias, temos reuniões, com a participação do Secretário de Saúde e Secretário da Agricultura, com todas as empresas que possuem plantas de abate. As medidas tomadas estão estabelecidas no protocolo e na portaria 19 do MAPA e do Ministério de Economia e Emprego, divulgada sexta-feira (19).”
Martins se refere a uma portaria publicada no dia 19 com o objetivo de estabelecer medidas de prevenção, controle e mitigação dos riscos de transmissão da Covid-19 nas indústrias de abate e processamento de carnes, derivados e laticínios. No dia anterior (18), o Ministério do Trabalho também havia publicado um documento semelhante (Portaria Conjunta nº 20) com orientações gerais aos ambientes de trabalho.
As possíveis dificuldades na exportação de alimentos à China ainda não chegaram ao conhecimento da Cotriguaçu Cooperativa Central, que faz o recebimento e o embarques de granéis sólidos no Porto de Paranaguá. “É uma notícia que vem sondando o mercado, mas não veio nada aqui para nós, pelo contrário. As exportações estão voando, batendo recordes. A China está cada vez mais comprando do Brasil devido aos problemas políticos com os EUA”, comentou Rodrigo Buffara Coelho, gerente do Terminal Portuário da Cotriguaçu, em Paranaguá.
Para ele, é improvável que o cenário mude, devido ao cenário macroeconômico da China. “A China está muito compradora por medo de retração por causa do coronavírus. O que tem de notícias é que as empresas que compram são recomendadas a comprar bastante do Brasil para manter os estoques altos. Tudo isso está refletindo em bons embarques.”(Com Folhapress)

Vírus não é capaz de se multiplicar nos alimentos, dizem pesquisadoras
A professora Wilma Spinosa e a pesquisadora Fernanda Henrique Bana, do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos do CCA (Centro de Ciências Agrárias) da UEL (Universidade Estadual de Londrina) afirmam que ainda não existe comprovação de que alimentos podem transmitir vírus. Também não houve relatos de contaminação de alimentos pelo coronavírus em outros momentos da história.
“É importante ressaltar que o vírus não é um ser vivo e, portanto, não é capaz de se multiplicar nos alimentos, como as bactérias. De maneira geral, vírus precisam infectar células para se replicar. O alimento ou sua embalagem são apenas veículos, ou seja, podem ter a superfície contaminada caso tenham sido manipulados por alguém com a doença, assim como qualquer outro objeto. Nos surtos anteriores causados por coronavírus (SARS-CoV e MERS-CoV), não houve transmissão pelos alimentos e ainda não há comprovação de transmissão pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2).”
Por isso, as pesquisadoras ressaltam a necessidade de seguir de maneira rigorosa as normas já preconizadas e fiscalizadas pelas autoridades sanitárias. “Em tempos de COVID-19, as recomendações de higiene e limpeza são as mesmas de sempre e devem ser seguidas criteriosamente. Para as indústrias e empresas de alimentos, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) atualizou as orientações e medidas que devem ser adotadas durante a pandemia de Covid-19. As três notas técnicas publicadas destacam e reforçam a importância da adoção de boas práticas de fabricação e de manipulação dos produtos, além de orientar sobre o uso adequado de máscaras e luvas pelos trabalhadores.”
No caso da exportação de alimentos, também existem certificações internacionais que comprovam que o alimento foi produzido em condições adequadas de higiene. “No mundo globalizado que vivem as próprias empresas exportadoras, elas buscam certificação através dos órgãos certificadores internacionais. Por isso na China, no Paraguai, Argentina ou EUA vou saber que a empresa  está produzindo em condições adequadas de higiene e não está colocando a saúde do consumidor em risco.”

Fonte: Mie Francine - Folha de Londrina - foto: IStok - Postado em 27/06/2020



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