Colômbia elege presidente, inclinada pela primeira vez à esquerda


De mãos dadas com um senador e ex-guerrilheiro, a esquerda colombiana caminha para liderar o primeiro turno das eleições presidenciais neste domingo (29), impulsionada pela erosão da direita no poder e pela agitação social que desencadeou uma onda de protestos em massa.

Às 08h00 no horário local (10h no horário de Brasília), a autoridade eleitoral declarou abertas as eleições e o presidente Iván Duque, impedido por lei de concorrer à reeleição, votou na praça central de Bolívar, em Bogotá.
O candidato Gustavo Petro, de 62 anos, domina amplamente as intenções de voto em sua terceira tentativa de chegar à presidência, mas tudo indica que não terá margem suficiente para evitar a votação de 19 de junho.
Federico Gutiérrez (47) e Rodolfo Hernández (77), o primeiro candidato de uma coalizão de direita e ligado ao partido governista; o segundo, um forasteiro milionário, emergem como seus prováveis rivais no segundo turno, de acordo com as pesquisas.
Se as expectativas forem cumpridas, a esquerda alcançará seu melhor resultado eleitoral neste país de 50 milhões de habitantes, historicamente governado por elites e assolado pelo narcotráfico e pela violência crescente, apesar do acordo de paz de 2016 com a guerrilha das FARC dissolvida.
Cerca de 300.000 soldados e policiais monitoram a segurança durante o dia. Pela manhã, rebeldes dissidentes do pacto de paz com as FARC detonaram três artefatos explosivos no sudeste do país. Segundo o Ministério da Defesa, um soldado ficou ferido, mas os ataques não afetaram as assembleias de voto.
Petro, que depôs as armas em 1990 após a desmobilização do M-19, grupo rebelde nacionalista do qual foi membro por 12 anos, encarna a ruptura.
"Estamos representando a vontade de mudança (...) estou confiante de que essa vontade de mudança será a maioria", disse o candidato após votar em um bairro popular de Bogotá.
A chuva ofuscou o início do dia em Bogotá e os eleitores foram aos postos fortemente vigiados pelos militares. A abstenção, que gira em torno de 50% neste país de 50 milhões de habitantes, pode aumentar por ser feriado.
"As pessoas que governam o país estão em pedaços, então temos que mudar", disse à AFP Luis Hernán Álvarez, segurança que votou no Petro em Bogotá.
Sobre o fim dessa campanha polarizada, Gutiérrez alinhou-se ao desejo de reformas: "Vou convocar todos os setores para transformar a Colômbia porque ela precisa de uma mudança, mas essa mudança tem que ser segura".
"Nos últimos quatro anos, a desigualdade e os níveis de pobreza, desacordo e descontentamento se aprofundaram, e Petro é quem sabe ler, interpretar e se conectar com o eleitorado", disse à AFP o analista acadêmico Daniel García-Peña.
Assim, a escolha se define entre a mudança radical proposta por Petro, a moderada proposta por Gutiérrez ou a alternativa de Hernández, que quer acabar com a corrupção que vê por toda parte.
Os três foram prefeitos de Bogotá, Medellín e Bucaramanga, respectivamente. A faixa é completada por três candidatos sem opção, entre eles o centrista Sergio Fajardo, segundo as pesquisas.
Nenhum dos favoritos defende a gestão do conservador Iván Duque, muito impopular para a gestão econômica da pandemia e que enfrentou protestos em massa em 2019 e 2021 liderados por jovens duramente reprimidos pela força pública.
Cerca de 39 milhões de colombianos são convocados voluntariamente às urnas entre 13h00 e 21h00 GMT (10h00 e 18h00 no horário de Brasília).
 

Fonte: Valor Econômico - Foto: Raul Arboleda/AFP - Postado em 19/06/2022



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