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Da miséria ao bronze em 4 anos

O bronze da norte-americana Sarah Robles, 28, no levantamento de peso na noite de domingo, 14, foi apenas mais uma medalha entre as 70 que os Estados Unidos já faturaram nesta Olimpíada. Mas a história desta atleta é única. E comovente. Sarah tem 143 quilos e é a competidora mais pesada da Rio-2016.rnrnAté 2012, ela vivia abaixo da linha da pobreza para os padrões dos EUA, com US$ 400 (R$ 1.200 na cotação atual), e tentava seguir a carreira como atleta do levantamento de pesos. Iniciara no esporte por acaso, quando disputava o arremesso de peso, a prova do atletismo, e treinava com os halteres para fortalecer a musculatura. Com o tempo, largou o atletismo e dedicou-se ao levantamento.rnPerdeu a bolsa de estudo por abandonar o arremesso, passou dificuldades financeiras, mas conseguiu classificar-se para Londres-2012. Suas condições chamaram a atenção do USOC (Comitê Olímpico dos EUA), que lhe arrumou um emprego numa loja de material de construção e pôs seu nome na mídia. Terminou na sétima colocação em Londres-2012.rnDesde então, trabalhou de recepcionista numa pet shop, entregadora, personal trainer, foi ajudante de treinamentos com pesos em academias de ginástica. E assim foi levando a vida até 2013, quando foi flagrada no doping. O exame encontrou três substâncias proibidas: um esteróide chamado DHEA, testosterona e pregnanediol. Foi suspensa por dois anos das competições. Foi alvo de muitas críticas, porque sua imagem tornou-se de certa maneira popular nos Estados Unidos.rnSarah Robles foge dos padrões estéticos de um atleta. Seus 143 quilos são distribuídos em um corpo de 1,78m de altura. A barriga proeminente destaca-se no físico avantajado. Fruto da dieta hipercalórica de 4 mil calorias que consome diariamente. “Não como nada muito diferente das demais pessoas, todas as minhas refeições tem salada na metade de um prato, e carne ou outro tipo de proteína na outra metade”, contou aos jornalistas na zona mista, após a medalha, na noite do domingo.rnPerdeu o  lugar mais alto no pódio na Rio-2016 para a chinesa Suping Meng, que pesa 23 quilos a menos, e ficou com o ouro, e a norte-coreana Kuk Hyang Kim, com apenas 100 quilos – elas todas são da categoria acima de 75 quilos, a mais alta entre as mulheres no peso olímpico. “É bom também para mostrar para as pessoas que dá para sair do sofá e fazer algo diferente. Não é tradicionalmente um esporte para mulher, por isso fico feliz de fazer todos aqueles levantamentos ali no palco para ajudar outras pessoas”, vibrou Sarah Robles.rn“Toda vez que você vai ao pódio, ganha a chance de ter exposição de mídia. E é assim que funciona: se você quer expor alguém ou alguma marca, eles vão querer algo de retorno. É assim que funciona,  Se eu aparecer mais na mídia, estiver nais no pódio, então eu espero que estarei na mira de patrocinadores”,rnAo ganhar o bronze no domingo, Sarah Robles encerrou um jejum americano de 16 anos sem pódio olímpico para os Estados Unidos. Colocou o levantamento de peso de novo no noticiário e aproveitou para passar uma mensagem de inspiração para quem a assistiu competir, especialmente as mulheres. “Levantamento de peso está se tornando mais popular, não só nos Estados Unidos, mas internacionalmente. É muito bom estar no pódio e ajudar a dar exposição a este esporte e mostrar o trabalho duro das mulheres num esporte que é tido apenas para homens”.rn

Fonte: Uol

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