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Tadeu e Ferroviária: do marasmo ao verdadeiro amor

Do Torcedores.comrn“Ele voltou desanimado do Ceará, dizendo que queria parar. Eu disse a ele “você é muito novo para parar. Você tem tempo. Tente mais um ou dois anos”. Depois que eu disse isso, no dia seguinte, a Ferroviária ligou atrás dele”. Esta foi a frase de Elso Ferreira, pai do goleiro Tadeu, durante a coletiva do filho que deu alegria não só para a sua família, mas para uma torcida e uma Araraquara inteira.rnrnFoi dele a defesa do pênalti de Marquinhos, nas cobranças alternadas, que garantiu o título da Ferroviária diante da Inter de Limeira, no Estádio da Fonte Luminosa, da Copa Paulista 2017. Mas a frase dita acima pelo “seo” Elso não aconteceu esse ano. A chance dada a Tadeu pela Locomotiva aconteceu na metade do ano passado, quando o time se reforçava para disputa da própria Copa Paulista.rnrn rnNaquele momento, o arqueiro chegava como um desconhecido, mas que havia sido revelado pelo Coritiba e teve passagens por Tupi-MG, Maringá-PR e Ceará. Mesmo se tratando de um time de menor expressão, a vida do goleiro, nascido em Joaquim Távora, interior do Paraná, não seria fácil. Um outro obstáculo entraria na sua vida: a concorrência. Matheus era o goleiro titular e havia chegado para a disputa da Copa do Brasil e incluso para o elenco até a disputa do Paulistão deste ano. Outro presente no elenco era Ygor Vinhas, que estava no Grêmio-RS.rnTadeu era praticamente a terceira opção de um time que voltara à elite paulista naquele ano, mas o trabalho continuo, segundo os ensinamentos do pai. A chance só viria na segunda fase do torneio, quando a Ferroviária enfrentou o Catanduvense, na cidade de Catanduva. Matheus (então titular da meta afeana), sofreu uma contusão no último treinamento feito e esta era sua grande oportunidade.rnNão deu. A derrota veio por 2 a 1 e Tadeu falhou nos dois gols. A torcida, uma das mais impacientes que existe no futebol interiorano, não perdoou nem na sua primeira oportunidade. Faz parte. O torcedor sempre quer ter a sua razão. E não seria por causa disso que o trabalho seria interrompido.rnMatheus voltou ao gol e a Ferroviária conseguia passagem para a fase mata-mata da competição, até chegar à final diante do XV de Piracicaba. Matheus, que se tornaria São Matheus, era o grande nome do elenco naquele momento, visto que foi decisivo nas cobranças de pênaltis diante do São Caetano, nas semifinais. Contra o XV não foi a mesma coisa e o título grená bateu na trave, da forma mais dolorosa possível e em plena Fonte Luminosa e escapava a chance de voltar ao Brasileirão, na Série D.rnNa decisão de 2016, Tadeu (cima, da esq. para dir.) sequer foi relacionado para a partida – Crédito: Rafael Zocco / Torcedores.comrnFerroviária e Tadeu continuariam em 2017, mas com Matheus junto a eles. Dizendo assim parece que Matheus é o grande vilão da história, o garanhão que quer atrapalhar um futuro relacionamento. Mas não é isso. Começava então o Paulistão e o início não foi bom. Em oito jogos, a equipe conquistou apenas uma vitória, somando dois empates e cinco derrotas. Antônio Picoli deixou o comando da equipe na terceira rodada e trouxe PC de Oliveira, do futsal para o campo, para assumir o time da terra natal.rnRestando apenas 4 jogos para o fim, a equipe corria sério risco de rebaixamento e o próximo adversário seria ninguém menos que o Corinthians, futuro campeão Paulista e Brasileiro. A mudança tinha que ser aí, tinha que acontecer aí e aconteceu. Matheus perdia o posto e dava a chance que Tadeu precisava para mostrar que é bom também. Vitória por 1 a 0 e o arqueiro fechando o gol. Naquela noite de domingo, foi até destaque no programa Fantástico, da Rede Globo. “Pulando como um gato!” era a frase dita pelo apresentador Tadeu(!) Schmidt mostrando as suas defesas na tarde em que foi brilhante. Dali não saiu mais e ajudou a evitar o rebaixamento da Ferroviária para a segunda divisão.rnMatheus não foi vilão, mas ali nascia definitivamente um novo amor. A oportunidade foi dada novamente e desta vez não titubeou. Deu namoro. Matheus se foi (para o América-RN) e Tadeu ficou para tentar mais uma vez o seu começo, a Copa Paulista. Com um time mais jovem do que do ano passado, a Ferroviária, de fato, não era favorita ao título visto os clubes que participaram este ano e com orçamento maior, incluindo a Portuguesa, desesperadamente a procura do cenário nacional em 2018, e o XV de Piracicaba, atual campeão e que havia disputado a Série D deste ano.rnrnrnrnNa primeira fase da competição, a Locomotiva passou sem sustos da primeira fase. Tadeu continuava se mostrando um goleiro seguro e obtinha ainda mais a confiança do torcedor grená. Na segunda fase, começava então a surgir um novo nome. Calma. Tadeu ainda seria o titular, mas seria conhecido como São Tadeu. Novamente no primeiro jogo da segunda fase, o adversário da vez era o Água Santa, em Diadema. Uma nova falha não poderia acontecer de novo. E foi diferente. A vitória veio por 2 a 0, mas o destaque foi de São Tadeu. O arqueiro grená defendeu pênalti quando a partida estava 0 a 0. Além da penalidade defendida, Tadeu fez mais duas defesas espetaculares, estabilizando o namoro entre clube e jogador.rnSem maiores sustos, a Ferrinha passou mais uma vez para o mata-mata da Copinha. A campanha e o rendimento a colocaram em um status maior na competição, sendo a melhor entre as classificadas, mas não se mostrava como favorita ao título por conta das outras equipes e pelo sistema de disputa. Nas quartas-de-final, uma parada indigesta. Santos, na Vila Belmiro. No Paulistão, a equipe voltou com uma vitória de 1 a 0 sobre o time peixeiro. Desta vez era uma equipe “B”, mas era o Santos de qualquer maneira. Vitória espetacular de 4 a 0 colocou-a praticamente com os dois pés na próxima fase e Tadeu continuou brilhando, crescendo junto com o time nos momentos decisivos. No jogo, da volta, mais uma vitória por 3×2.rnA semifinal chegava e o adversário era a Portuguesa. Jogo duro, difícil, ainda mais jogando a primeira partida no Canindé. A Ferroviária precisava trazer um bom resultado de São Paulo, menos a derrota. Jogando defensivamente bem e buscando o contra-ataque, o resultado veio: 2 a 0. E o destaque foi mais uma vez de Tadeu. Foram, ao menos, quatro defesas difíceis durante toda a partida. Uma foi a parte. Logo quando o time abriu 2 a 0, um pênalti foi marcado contra a Ferroviária. Poderia o ser o gol no momento errado do jogo. Poderia. Guilherme Queiroz bateu e São Tadeu defendeu, salvando a Ferroviária e a nós de um resultado que poderia ser catastrófico.rnNo jogo da volta, mesmo com a derrota por 1 a 0 na Fonte, a equipe chegava mais uma vez a uma decisão. A segunda consecutiva. A terceira chance de título em três anos consecutivos. O adversário da vez era a Inter de Limeira, o mais duro e leal adversário que a Ferroviária enfrentou no ano.rnOs “futebóis” entre as equipes eram semelhantes. As equipes se enfrentaram na segunda fase da competição. Nos dois encontros, empates: 2 a 2, em Araraquara, e 0 a 0, em Limeira. Não leio mentes, mas dá para imaginar o quanto significou este momento para o nosso goleiro. De quase aposentado do futebol aos 24 anos, a uma chance única de ser campeão por um clube (que apelido de senhora), ainda inspira novas paixões em seus 67 anos de vida.rnNa decisão, mais dois novos empates. 0 a 0 na ida e outro incrível 2 a 2, este com a Inter marcando o segundo gol aos 48 minutos da segunda etapa. E assim se encaminhou para mais uma decisão por pênaltis na história da Copa Paulista, da Ferroviária e de Tadeu.rnA brilhante Copa Paulista garantiu a Tadeu o status de herói na decisão por pênaltis – Crédito: Leonardo FermianornForam acertos, desperdícios e intervenções. Um outro queria roubar a tua cena, mas ele esqueceu que estava na tua casa, na nossa casa, e não poderia roubar a sua aliança e acabar com o seu amor por ela. Você defendeu. Você correu, você ajoelhou, você beijou, você chorou. Choramos. Desta vez de muita alegria e finalmente você pegou a sua aliança para dar a ela.rnNada é mais bonito que torcer pelos seus heróis lutarem bravamente e conquistarem algo que só eles podem fazer por você. Isso foi comprovado no dia 25 de novembro de 2017, data do casamento entre Tadeu e Ferroviária. Mais de 10 mil testemunhas presenciaram isso. Fotos e imagens não faltaram. Foi uma baita festa, um baita título e uma vaga para o Brasileirão da Série D, ou melhor dizendo, para a lua de mel.rnObrigado, Tadeu. Obrigado jogadores e comissão técnica. Obrigado por existir, Ferroviária. Por todos os dias da minha vida. Por todo o caminho sofrido, sem interrupção. Araraquara te agradece mais uma vez por fazê-la existir.rn

Fonte: Site Torcedores.com

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