Religioso, que já havia sido condenado pela Justiça em março deste ano, foi detido após o Ministério Público do Paraná apresentar nova denúncia criminal
O padre Binu Joseph Chollackal, ex-pároco da Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, na Ilha dos Valadares, em Paranaguá, foi preso na tarde desta terça-feira (11), após o Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio da 3ª Promotoria de Justiça de Paranaguá, oferecer uma nova denúncia criminal contra o religioso.
Segundo o MPPR, a denúncia aponta a suposta prática dos crimes de violação sexual mediante fraude, com abuso de autoridade religiosa, e violência psicológica contra uma mulher.
A nova acusação reúne fatos que, conforme o Ministério Público, teriam ocorrido entre 2017 e 2024. A investigação aponta que o religioso teria se aproveitado de sua posição de liderança religiosa e da relação de confiança estabelecida com a vítima para praticar atos de natureza sexual e, posteriormente, submetê-la a diferentes formas de violência psicológica.
De acordo com a acusação, entre 2017 e março de 2020, o padre teria utilizado, sob o pretexto de realizar orações de cura e libertação de males espirituais, supostos rituais para praticar atos libidinosos contra a mulher. Os episódios teriam ocorrido em dependências da igreja e também na residência paroquial.
Ainda segundo o MPPR, quando a vítima passou a questionar os atos e tentou se afastar, o religioso teria adotado comportamentos com o objetivo de controlá-la e intimidá-la. Entre as condutas mencionadas estão ligações e mensagens insistentes, além do uso da autoridade religiosa para desacreditá-la.
A denúncia também aponta que o padre teria feito ameaças relacionadas a supostas “pragas” que poderiam provocar doenças na vítima e em integrantes de sua família.
Conforme o Ministério Público, as supostas práticas de violência psicológica teriam continuado até aproximadamente a metade de 2024, envolvendo ameaças, constrangimentos, manipulação, humilhação, chantagem e isolamento.
Padre já havia sido condenado em outro processo
A prisão ocorre em um contexto de outras acusações envolvendo o religioso.
Em março de 2026, o padre Binu Joseph Chollackal foi condenado pela 2ª Vara Criminal de Paranaguá a dois anos e 11 meses de prisão pelo crime de violação sexual mediante fraude. Na ocasião, a Justiça estabeleceu o regime inicial semiaberto.
O caso que resultou nessa condenação teria ocorrido em 2022 e envolvido uma jovem de 20 anos, que havia procurado atendimento do religioso na Ilha dos Valadares.
Segundo as investigações, o episódio ocorreu em 11 de fevereiro de 2022, durante um momento de oração dentro de uma igreja. Conforme a acusação, o padre teria orientado as pessoas presentes a fecharem os olhos e, nesse momento, teria tocado indevidamente a vítima, sem que os familiares percebessem.
A denúncia referente a esse caso foi apresentada pela 3ª Promotoria de Justiça de Paranaguá em outubro de 2025, aproximadamente três anos após o episódio.
Além da condenação, o Ministério Público pediu à Justiça a fixação de uma indenização mínima de R$ 20 mil pelos danos causados à vítima.
Nova denúncia apresentada em 2026
Em abril de 2026, o Ministério Público também havia oferecido outra denúncia contra o padre pelo crime de violação sexual mediante fraude.
Segundo a acusação, o episódio teria ocorrido no início de 2021 e envolvido uma mulher que procurou o sacerdote em busca de aconselhamento espiritual na região da Ilha dos Valadares.
A denúncia foi apresentada pela 3ª Promotoria de Justiça de Paranaguá e, conforme as informações divulgadas pelo Ministério Público, foi recebida pelo Judiciário.
Com a prisão realizada nesta terça-feira (11) e a apresentação da nova denúncia, o caso passa a envolver diferentes acusações e processos relacionados à atuação do religioso.
As acusações apresentadas pelo Ministério Público ainda serão submetidas ao devido processo legal, com direito à defesa e ao contraditório. A responsabilidade criminal do denunciado em relação aos fatos que ainda não foram julgados somente poderá ser definida após decisão judicial definitiva.
Com informações do Ministério Público do Paraná (MPPR). – FOTO Arquivo/Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes























