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Assembleia de professores decide pela manutenção da greve da categoria

Professores de todo o Paraná se reuniram em assembleia nesta quarta-feira (4) e decidiram rejeitar as propostas do governo estadual e manter a greve da categoria, iniciada em 9 de fevereiro. O encontro aconteceu no estádio da Vila Capanema, no bairro Rebouças, que ficou lotado de docentes.rnrnGreve dos professores tem o apoio de 90% dos paranaensesrnLevantamento aponta que 80% vê de modo positivo a ocupação da Alep por manifestantes.rnrnApós o término da assembleia, os grevistas sairão do estádio em passeata até o Centro Cívico. A intenção é acompanhar a votação, na Assembleia Legislativa, do projeto de lei que extingue a Comissão Geral. Apelidada de “tratoraço”, esta medida permite que projetos sejam aprovados em um período curto de tempo, sem a análise individual por comissões da casa legislativa.rnConfira o trajeto da passeata:rnInformação oficial da APP-Sindicato: docentes seguirão pela rua Engenheiros Rebouças, rua Conselheiro Laurindo, avenida Silva Jardim, rua Mariano Torres (provavelmenta também Luiz Leão e Barão de Antonina), rua avenida Cândido de Abreu e até o Centro Cívico.rn rnrnGreve dos professores tem o apoio de 90% dos paranaensesrnrnA greve de professores e funcionários das escolas estaduais do Paraná é apoiada por 90% dos paranaenses. Os dados foram obtidos em levantamento encomendado pela Gazeta do Povo à Paraná Pesquisas. Os números mostram também apoio expressivo, de 80% das pessoas, sobre a ocupação da Assembleia Legislativa (Alep), ocorrida no dia 10 de fevereiro. O estudo indica ainda que 90% dos habitantes do estado ficaram sabendo da greve, tendo condições, inclusive, de citar parte dos motivos que levaram à paralisação.rnO presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos (ABCOP), Carlos Manhanelli, usa a proximidade da função de professor na vida de todos para explicar o apoio à greve. “O professor não tem papel midiático, o papel do professor é presencial”, diz. Segundo ele, se a greve fosse de outra categoria, as estatísticas populares não seriam iguais. “O resultado da aprovação é excelente para uma categoria em greve”. Sobre os 20% que não apoiaram especificamente a ocupação da Alep, ele diz que se trata de um fenômeno cultural do brasileiro, que “não gosta de nenhum tipo de violência.”Elve Cenci, professor de ética e filosofia política da Universidade Estadual de Londrina (UEL), salienta o atual cenário político para que o povo tenha uma visão positiva da greve. De acordo com Cenci, há também influência do fato de boa parte dos paranaenses possuir aderência a um discurso anti-PT (Partido dos Trabalhadores). “De repente, ganha o PSDB [Partido da Social Democracia Brasileira], e toma medidas [impopulares] de início de governo, assim como ocorreu no governo federal [do PT].”rnO professor diz também que a população sente o peso de sentir, de repente, que o mundo fantástico das campanhas eleitorais não existe. O conjunto de medidas duras, independentemente da esfera de governo, fez com que os paranaenses abraçassem mais facilmente as manifestações, segundo ele. “No caso do estado, ocorreu uma crise de credibilidade do governo. Acabou se passando à sociedade que alguns devem pagar a conta, inclusive com a perda de direitos, como é o caso dos professores. Mas ninguém ouviu falar de cortes nos cargos de comissionados e redução de salário de deputados.”rnO diretor-presidente da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, conta que o resultado de apoio à greve já era esperado. “Professor é uma das profissões pelas quais a população tem muito apreço”. Ele enfatizou o fato de a população ter informações sobre a greve e ter conseguido citar vários motivos que culminaram na paralisação. “É uma briga ingrata. O governo tendo razão ou não, é muito difícil brigar contra o professor.”rnrn rnMaioria liga mobilização a salários atrasadosrnAntonio SenkovskirnO “pacotaço” de austeridade proposto pelo governo do Paraná foi divulgado como o principal motivo da greve dos professores. Apesar disso, as pessoas que responderam à pesquisa lembraram mais de temas genéricos para justificar o motivo de os docentes estarem de braços cruzados. O presidente da ABCOP, Carlos Manhanelli, explica que isso ocorre porque as pessoas têm diferentes formas de acessar a informação.rnSegundo ele, quando há a visualização das palavras “professor” e “greve” na mesma frase, para boa parte dos leitores, ouvintes ou telespectadores é possível concluir que se trata de uma briga porque há salários atrasados e busca por melhores benefícios. “A comunicação é um veículo egoísta, falo do que eu quero e as pessoas interpretam da maneira que querem. Não há como comunicar uma informação em toda a sua plenitude. Sempre terá uma interpretação subordinada aos fatores de cada pessoa.”rnrn 

Fonte: Gazeta do Povo

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