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Após se machucar, atleta cego de Joaquim Távora emociona Jogos da Juventude

As competições de provas de pista e de campo no atletismo, na fase final do 66º Jogos Escolares do Paraná (JEPS), em Foz do Iguaçu, revelam que campeões não são apenas aqueles que chegam em primeiro lugar. Desde o primeiro dia de competições, alunos da categoria ACD, abreviatura para Atletas com Deficiência – têm mostrado que o espírito esportivo está presente em Foz do Iguaçu. E a motivação dos atletas, além da possibilidade de pôr medalha no peito, é completar a prova junto aos demais colegas. E mesmo na impossibilidade de competir, mas de pelo menos poder participar das provas, faz com que as comemorações sejam feitas com a máxima alegria e com a mesma intensidade daqueles que ocupam o lugar mais alto no pódio.rnrnrnrnrnrn rnrnAtletas da categoria ACD comemoram conquistas de medalhas, com o conceito de que, apenas competir, já faz parte da vitóriarnrnrnrnAssim foi, por exemplo, com o atleta Roberto Aparecido Ribeiro, da Apae de Joaquim Távora, no Norte Pioneiro do Paraná. Deficiente visual, Roberto entrou na pista para competir os 100 metros com outros dois atletas também deficientes visuais. Os três atletas correm na companhia de guias. Ainda no aquecimento preparatório para a prova, Roberto se perdeu do guia, saiu da pista, tropeçou e bateu com a cabeça no chão. Teve de ser encaminhando ao hospital, onde recebeu atendimento e alguns pontos na face. A prova, infelizmente, ele não completou.rnrnrnrnrnrn rnrnRoberto Ribeiro, da APAE de Joaquim Távora e o coordenador do NRE de Jacarezinho, Marcos Gilmar AmaralrnrnMas, como foram três competidores, o bronze estava garantido. Triste, ele foi para o alojamento, acompanhado dos colegas atletas do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Jacarezinho. O coordenador do NRE, Marcos Gilmar Amaral e o professor Tiago Pondé Lucas decidiram surpreender o atleta e acabaram protagonizando um dos momentos mais emocionantes da fase final dos JEPS. À noite, eles reuniram toda a delegação da regional de Jacarezinho e fizeram a entrega solene da medalha de bronze ao atleta que, emocionado, comemorou ao lado dos colegas, como se fosse o ouro.rnrnrnrnrn rnrnGuilherme Caique foi carregado pelos árbitros do atletismo, que o incentivaram a concluir a prova de lançamento de pesornrnOutro exemplo é do cadeirante Guilherme Caique, da Escola de Educação Especial Vivian Marçal, de Curitiba. Ele competiu no lançamento de peso e conquistou medalha de prata. Nas diversas tentativas para superar o desafio de lançar o peso, Guilherme quase desistiu. Mas incentivado pelos árbitros de atletismo, que o carregaram no colo, ele persistiu e terminou a competição ocupando o segundo lugar no pódio. Aliás, a posição no pódio é o menos importante: Guilherme é um vencedor, que supera desafios e mostra que é possível vencer, apesar das dificuldades que a via impõe.rnrnrnrnrnrn rnrnAos prantos, Lucilene Chagas completou a prova de 400 metros e ganhou medalha de ourornrnrnrnMas, o momento mais emocionante das provas de atletismo, aconteceu nos 400 metros. Lucilene Chagas Fagundes Branco, 28 anos, entrou na pista, tendo como únicos adversários o desânimo e a desistência. Mas, persistente, ela não desistiu. Faltando 100 metros para completar a prova, Lucilene parou, exausta. Neste momento, a torcida, mesmo na arquibancada, entrou na pista com ela e começou a gritar e incentivá-la a continuar na competição. Com lágrimas nos olhos e muita força nos braços, Lucilene completou a prova. Ela é a única atleta cadeirante do Paraná a completar os 400 metros e conquistar o pódio na fase final dos Jogos Escolares do Paraná.rnrnrnrnrnIndependente do lugar no pódio, atletas da categoria ACD comemoram participação na final dos JEPSrnrnrnrnAinda no primeiro dia de competições, os atletas com deficiência mostraram que o importante é competir. Depois de uma prova de corrida, eles posaram para uma foto. Após o clique, todos se abraçaram, felizes com a oportunidade de ter uma foto publicada da competição da qual eles participaram, independente do resultado na pista. Um belo exemplo que mostra que, vencedor não é apenas aquele que ocupa o primeiro lugar no pódio. Mas, também, aquele que, com determinação, persiste e completa o percurso. No caso dos ACD, pode-se dizer: todos são campeões.

Fonte: Valdir Amaral – Comunicação JEPs / site Jogos Escolares

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