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Bahia: vizinhos usam colchões infláveis para resgatar idosa de 102 anos

As fortes chuvas que castigaram a Bahia nos últimos dias e afetaram cerca de 430 mil pessoas, deixando 58 cidades debaixo d”água, segundo divulgou a Defesa Civil nesse domingo, provocaram resgates dramáticos de pessoas que ficaram ilhadas.rnEm Itabuna (BA), no sul do estado, a tempestade que caiu no dia do Natal exigiu uma mobilização dos moradores do Bairro de Sarinha. Após quase 12 horas de tentativas frustradas por parte dos bombeiros e da Defesa Civil, a vizinhança conseguiu resgatar a idosa Anísia Gomes, de 102 anos, da laje da casa onde ela mora.rn”Coloquei minha tia na laje da minha casa, com um fogão, uma TV e alguns alimentos, esperando que a água baixasse. Só que a água subiu tanto que começou a entrar pela escada”, relata o segurança Helre de Souza Santos, 32, sobrinho da idosa.rnForam necessários seis colchões infláveis dispostos de forma que a idosa pudesse ser removida, não sem antes um pedido feito à Neoenergia Coelba para que desligasse a energia local, pois a água estava dando choque. “A água deve ter subido uns 2 metros e 15″, calcula Helre.rnUm vídeo gravado por um servidor da prefeitura percorrendo a BR-415 no bairro Maria Matos, saída para a Vila de Ferradas, local onde nasceu Jorge Amado, corrobora a tese de que esta é a segunda maior enchente da história do município, atrás somente da ocorrida em 1967. Gogó da Ema, Banco Raso, Mangabinha e Vila Zara são as áreas mais afetadas.rn”Estamos tentando conseguir um helicóptero para resgatar de 30 a 50 famílias que tiveram de subir nos telhados e lajes de suas casas para fugir da enchente. Conseguimos retirar algumas pessoas antes. Esse pessoal que ficou foi o que resistiu à remoção, eles achavam que o rio Cachoeira não ia subir tanto”, relata o supervisor de projetos da Secretaria Municipal de Planejamento, Rosivaldo Pinheiro, que integra a força-tarefa criada pela prefeitura para administrar a crise.rn”É impactante ver as pessoas pedindo socorro ilhadas, subindo nos telhados, sem que a gente possa fazer nada para ajudá-las, a não ser esperar a água baixar. Os bombeiros não estavam preparados para este tipo de socorro, faltam botes, e precisamos rever os planos de contingência para não sermos pegos de surpresa novamente”, conclui Pinheiro.rnrn16 mil desabrigadosrnUma base de apoio às vítimas das chuvas foi montada na cidade de Ilhéus, onde o governador Rui Costa (PT) informou hoje que irá permanecer.rn”Vou dormir aqui, e vamos continuar visitando as cidades, apoiando e acompanhando o atendimento dos bombeiros, dos policiais, das equipes médicas. Eu conto com a ajuda de vocês para vencer essa tragédia a qual, na história recente da Bahia, eu não me lembro de outra igual, com essa dimensão. Já tivemos tragédias localizadas, mas com essa dimensão, não me lembro”, disse o governador, em nota.rnConforme dados repassados pelos municípios e totalizados pela Superintendência de Proteção e Defesa Civil da Bahia (Sudec), o estado da Bahia tem 16.001 desabrigados pelas chuvas.rnNo total, são 19.580 desalojados, dois desaparecidos e 18 mortos. Os dados foram atualizados no fim da tarde de ontem. A estimativa da população total afetada é de 430.869 pessoas. A Bahia tem, ao todo, 72 municípios em situação de emergência reconhecida pelo governo estadual.rnAté a tarde de ontem, ainda de acordo com o governo estadual, os municípios mais atingidos na região Sul são: Ibicaraí, Itajuípe, Itapitanga, Coaraci, Camamu, Canavieiras, Igrapiúna, Itacaré, Maraú, Una, Uruçuca, Itambé, Itororó e Itapetinga.rnSomente na região dos municípios de Itororó e Itapetinga, 47 pessoas foram resgatadas. Em Itororó, 35 pessoas que estavam em áreas alagadas foram resgatadas, com a utilização de barco. Em Itapetinga, foram realizados outros 12 salvamentos.rnResgate com caiaquernPacientes e trabalhadores do Hospital Regional do Cacau, na cidade de Ilhéus, também no sul da Bahia, precisaram ser transportados com auxílio do Corpo de Bombeiros, devido ao alagamento no acesso à unidade, que foi causado pelas chuvas.rnO soldado do Corpo de Bombeiros Bruno Braz, mergulhador de segurança pública, contou ao UOL que foi necessário fazer o transporte de pessoas com fraturas e AVC, para que tivessem atendimento na unidade médica.rn”Hoje trabalhamos na entrada da BR-415, onde as pessoas não estavam conseguindo acessar o Hospital Regional Costa do Cacau, que fica entre Itabuna e Ilhéus. Na pista, havia um alagamento de dois metros de profundidade. (Ajudamos) tanto pessoas que precisavam de atendimento hospitalar quanto pessoas que precisavam voltar para casa”, disse.rnDe acordo com o soldado Braz, a região continua alagada e precisou ser bloqueada pela Polícia Militar por causa do risco. Os bombeiros também precisaram socorrer pessoas que estavam em suas casas, em várias localidades da cidade de Ilhéus.rn”À tarde, no bairro Teotônio Vilela, resgatamos um homem com deficiência visual e a irmã que estavam em casa. [Eles tinham idades] Entre 55 a 60 anos. Usamos um caiaque. [Eles estavam em casa], desde o início da enchente na noite de Natal, quando [a região] começou a ficar ilhada”, relatou.rnO soldado ainda destacou o trabalho feito pelos profissionais para proteger a vida dos moradores. “O Corpo de Bombeiros dá o seu melhor. Nós estamos aqui, com o risco da própria vida, para salvaguardar a vida de terceiros. A gente sabe que a vida das pessoas depende disso. Esperamos que haja estiagem”, declarou.rnEscolas usadas como abrigornSegundo a Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Lazer de Ilhéus, 12 escolas são usadas como abrigo na cidade. Quem deseja enviar doações, pode levá-las até as unidades. O secretário de Comunicação da cidade, Mauro Alves, informou que, no total, há 500 pessoas em abrigos municipais, escolas e espaços públicos.rnAlgumas comunidades isoladas ainda não tiveram os dados registrados por conta do difícil acesso. São elas: Japú/Banco do Pedro, Vila Cachoeira, Juerana, Aritagua, Campinhos e Sambaituba.rnDe acordo com o balanço, na cidade, até hoje, foram 26 casas danificadas. Além disso, duas pessoas ficaram feridas e uma morreu. Ao todo, foram computados 554 milímetros de chuva do mês de dezembro. A previsão para dezembro era de 160 a 180 milímetros.rnSudoeste também é atingidornAo menos 10 casas foram atingidas por inundações desde a madrugada de sábado na cidade de Itambé, no sudoeste do estado. Algumas delas chegaram a ficar completamente destruídas. De acordo com a prefeitura da cidade, mais de 100 pessoas estão desabrigadas.rnAinda segundo a prefeitura de Itambé, as áreas consideradas de risco já foram evacuadas. O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais esteve na cidade para prestar apoio.rnJá em Vitória da Conquista, também na região do sudoeste baiano, de acordo com a prefeitura municipal, onde houve o rompimento da barragem, casas foram afetadas e algumas caíram parcialmente, como na região da Choça. Apesar dos estragos, não houve feridos.rnA prefeitura de Vitória da Conquista informou ainda que há risco de rompimento em duas barragens no distrito de José Gonçalves e Fazenda Boa Sorte. Também é monitorada a barragem da Fazenda Beija Flor, às margens da BR 263.rnNa cidade, já são 50 famílias desabrigadas por conta das chuvas que atingem a cidade há cerca de 60 dias. A prefeitura montou abrigos nas áreas de maior incidência de alagamentos: Lagoa das Flores, Campinhos, Jardim Valéria, povoados de Itapirema, Caiçara, Choça e na sede do distrito de Pradoso.rn”Só deu para salvar a geladeira e a TV”rnNo município de Pau Brasil, José de Jesus Cruz, 53, passou a noite de Natal lutando para salvar o que podia. A água começou a invadir sua casa por volta das 23h30 de sexta-feira (24) e rapidamente “alcançou a altura do umbigo”.rnJunto com a mulher Elizângela e os filhos José Filho, 18, Abner, 12, e Wagner, 5, e outras 30 famílias do pequeno município de pouco mais de 10 mil habitantes, seu José foi alojado pela prefeitura em uma das escolas do município. Ele é um dos mais de 16 mil desabrigados pelas fortes tempestades que atingem a Bahia, especialmente nas regiões sul, sudoeste e extremo sul do estado.rn”A água chegou de uma hora para outra, não teve condição de tirar quase nada. Só deu para salvar a geladeira e a televisão”, lamenta. Móveis e utensílios doméstico estão apodrecendo à espera que as águas do Rio Água Preta baixem o suficiente para que ele possa voltar, limpar a casa e recomeçar.rn”Perdi a cama box, perdi o fogão, o fundo do guarda-roupa “desbagaçou” tudo, o rack de madeira também… Ainda tem muita lama e muita água, não tem condição de limpar, fui hoje lá, deixei a casa toda aberta para sair aquele fedor que ninguém aguenta”, relata.rn

Fonte: Uol

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