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Câmara inicia processo para definir destino de Flordelis como deputada

A Mesa Diretora da Câmara deu início nesta terça-feira, 1, ao processo para definir o destino da deputada Flordelis (PSD-RJ) no parlamento. O resultado final pode ser a cassação da pastora acusada de ter mandado assassinar o marido. O passo inicial foi dado hoje com o encaminhamento do pedido de representação feito pelo deputado Léo Motta (PSL-MG) contra a deputada para a Corregedoria da Câmara.rnA deputada é acusada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de ser a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, ocorrido em julho do ano passado. O pastor foi morto a tiros quando chegava em casa, em Niterói.rnPelo regimento da Casa, o corregedor, Paulo Bengtson (PTB-PA), deve agora avaliar o caso e dar retorno para a Mesa Diretora em até 45 dias úteis. Enquanto isso, Flordelis deve apresentar sua defesa por escrito. O parecer do corregedor deve indicar se a denúncia tem ou não elementos que justifiquem a instauração de processo por quebra de decoro parlamentar.rnO processo, contudo, só é instaurado se a Mesa aceitar a denúncia e encaminhá-la ao Conselho de Ética. “O direito de defesa precisa ser respeitado mesmo sendo um caso de fato muito grave e muito constrangedor para todos. Nós vamos abrir o prazo, a deputada vai fazer sua defesa. O que nós precisamos é que, na parte que cabe tanto ao Corregedor, como a Mesa e depois ao Conselho de Ética, o prazo utilizado seja o menor possível”, disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).rnO colegiado, que está com as atividades paradas com a pandemia da covid-19, deverá deliberar sobre a perda de mandato. A decisão precisa passar ainda pelo aval do plenário da Casa.rnMaia disse que deve colocar em votação uma resolução que permite o retorno das atividades do conselho. “Vou tentar que seja hoje. Mesmo que não seja votado hoje, o processo só deve sair da corregedoria da Mesa da Câmara a partir da próxima semana. Então votar hoje ou votar na próxima semana não faz muita diferença. Agora, seria bom que a gente conseguisse consenso, acordo para votar o projeto de resolução ainda hoje”, disse.rnMesmo sendo acusada de ser a mandante do crime, Flordelis não foi presa por ter imunidade parlamentar. Pela Constituição Federal, é vedada a prisão de parlamentares, a menos que ocorra em flagrante delito, o que não se aplica ao caso. Assim, a deputada só pode ser presa preventivamente se perder o mandato na Câmara. Outros indiciados pelo crime, entre eles sete filhos da deputada e uma neta, já foram presos acusados de participar do crime.rnNo caso Flordelis, filhos também são acusadosrnA deputada, que alega inocência, foi denunciada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima), associação criminosa, falsidade ideológica e uso de documento falso.rnFlordelis teria arquitetado a morte do marido, ocorrida em junho do ano passado, por estar insatisfeita com a forma com que o pastor geria o dinheiro da família e a carreira dela – além de deputada, ela é cantora gospel.rnSegundo os investigadores, ela tentou assassinar o pastor pelo menos seis vezes por envenenamento e por pistoleitos contratados em outras duas ocasiões. Sete filhos dela – entres adotados e biológicos, são 55 -, além de uma neta, já foram presos acusados de participação no crime.rn

Fonte: Camila Turtelli e Emilly Behnke – Estadão

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