Um vírus desconhecido pela ciência até há pouco vem causando uma doença pulmonar grave em centenas de pessoas na China, e já foi detectado em outros cinco países.rnAo menos nove pessoas morreram em decorrência do vírus, que surgiu em dezembro passado na cidade chinesa de Wuhan. Ele infectou quase 300 pessoas.rnHá centenas de casos confirmados da doença, e o número deve subir, segundo especialistas, para quem o surgimento de vírus que levam pacientes a terem pneumonia é sempre motivo de preocupação.rnA Organização Mundial da Saúde cogita declarar nesta quarta-feira uma situação de emergência de saúde pública de caráter internacional em torno do vírus, assim como fez com a gripe suína e o ebola.rnMas esse é mais um caso de doença “que vem e passa” ou é o primeiro sinal de algo muito mais perigoso?rnO que é esse vírus?rnChamado de 2019-nCoV, o vírus causa febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar.rnAmostras do vírus foram coletadas de pacientes e analisadas em laboratório, e autoridades da China e da Organização Mundial da Saúde concluíram que a infecção é um coronavírus.rnOs coronavírus são uma ampla família de vírus, mas sabe-se que apenas seis deles (com o novo descoberto são sete) infectam humanos.rnrnA Síndrome Respiratória Aguda Grave (conhecida pela sigla em inglês Sars), que é causada por um coronavírus, matou 774 das 8.098 infectadas em uma epidemia que começou na China em 2002.rn”Há uma memória forte da Sars, e é daí que vem muito medo, mas nós estamos muito mais preparados para lidar com esses tipos de doenças”, afirmou Josie Golding, da Wellcome Trust, organização não governamental sediada no Reino Unido.rnA situação é grave?rnCoronavírus podem causar desde um resfriado comum até a morte do paciente infectado.rnO novo vírus aparentemente está em algum lugar no meio do caminho entre esses dois extremos.rnrnrn”Quando encontramos um novo coronavírus, buscamos saber quão severos eram os sintomas, e eles são mais parecidos aos de um resfriado, o que gera preocupação, mas não são tão graves quanto os da Sars”, afirmou o professor Mark Woolhouse, da Universidade de Edimburgo.rnDe onde ele surgiu?rnNovos vírus são descobertos a todo momento.rnGrande parte pula de outras espécies, onde passam despercebidos, para os humanos.rn”Se tivermos em mente as epidemias passadas, e se este é um novo coronavírus, ele terá vindo de um outro animal”, afirmou Jonathan Ball, virologista da Universidade de Nottingham, no Reino Unido.rnA Sars passou para os humanos a partir de um animal selvagem conhecido como civeta (ou gato-de-algália, parente do guaxinim) — que era considerado uma iguaria na região de Guangdong, na China.rnJá a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers, na sigla em inglês), que matou 858 dos 2.494 pacientes identificados com a infecção desde 2012, geralmente pula de dromedários.rnE de que animal ele vem?rnUma vez que é identificado o animal reservatório, como é chamado o ser vivo onde um agente infeccioso vive e se multiplica, é muito mais fácil lidar com isso.rnOs casos têm sido associados ao mercado público de frutos do mar em Wuhan.rnAinda que alguns mamíferos aquáticos possam portar o coronavírus, como a baleia-beluga, também são comercializados no mercado outras classes de animais selvagens vivos, o que inclui galinhas, morcegos, coelhos e cobras — e são apontados como fontes mais prováveis.rnE por que a China?rnWoolhouse, da Universidade de Edimburgo, afirmou que a China tem mais casos desse tipo por causa do tamanho de seu território, de sua densidade populacional e do contato próximo que algumas pessoas têm com animais infectados.rn”Ninguém fica surpreso que o próximo surto seja na China ou naquela parte do mundo”, disse.rnEssa doença se alastra facilmente?rnAutoridades chinesas afirmam que há casos de transmissão do vírus de uma pessoa para outra, envolvendo inclusive profissionais de saúde que foram infectados durante o tratamento de pacientes com a mesma doença.rnAutoridades de Wuhan afirmaram na segunda-feira (20) que 136 novos casos de 2019-nCoV e uma terceira vítima fatal foram confirmados no fim de semana. Até então, eram 62 casos oficiais.rnHá uma grande preocupação em torno de novos vírus que infectam pulmões, já que tosses e espirros são meios altamente eficazes de alastramento de uma doença.rnAinda é muito cedo, no entanto, para estimar quantas pessoas podem ficar doentes.rnDe acordo com Li Bin, vice-chefe da Comissão Nacional de Saúde, estima-se que quase 2,2 mil pessoas tenham tido contato com pacientes infectados.rnE não foi identificado nenhum “super espalhador”, ou seja, um paciente que tenha transmitido o vírus para mais de dez pessoas.rnE a doença está se espalhando rapidamente?rnEstimava-se que o surto fosse limitado, mas novos casos têm sido registrados desde dezembro.rnAinda que as notificações estejam concentradas em Wuhan, há casos registrados na Tailândia, no Japão, na Coreia do Sul e nos Estados Unidos. Todos envolvem pessoas que são de Wuhan ou visitaram a cidade chinesa.rnEspecialistas afirmam que deve haver mais casos que ainda não foram identificados — estima-se que a cifra esteja em torno de 1,7 mil pessoas infectadas.rnUm relatório do Centro do Imperial College de Londres para Análise de Doenças Infecciosas Globais diz: “É provável que o surto em Wuhan de um novo coronavírus tenha causado substancialmente mais casos de infecções respiratórias moderadas e graves do que foi divulgado”.rnHá uma grande preocupação em torno do Ano Novo chinês, no fim de janeiro, período em que centenas de milhões de pessoas viajam.rnCingapura e Hong Kong tem escaneado passageiros que chegam de avião de Wuhan, medida que autoridades dos Estados Unidos passaram a adotar desde a última sexta-feira em três grandes aeroportos em San Francisco, Los Angeles e Nova York.rnNo Brasil, o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde informa que não há nenhum caso suspeito, mas a pasta diz que enviou comunicado às representações da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) em portos e aeroportos para que viajantes sejam orientados a tomar medidas de precauções em viagens ao exterior e para a “revisão dos principais aeroportos de conexão provenientes da China para identificação e mensuração dos riscos”.rnComo as autoridades chinesas têm respondido ao surto?rnrnPessoas infectadas têm sido submetidas a tratamentos com isolamento a fim de minimizar o risco de alastramento da doença.rnEm Wuhan, que é um hub de transportes do país, há quase uma semana as autoridades iniciaram o uso de scanners de temperatura em aeroportos e estações de trem e ônibus. Pessoas com sinais de febre têm sido registradas, recebido máscaras e encaminhadas a hospitais e clínicas.rnO mercado de frutos do mar local foi fechado para limpeza e desinfecção, e há operações de esterilização e ventilação de transportes públicos.rnAutoridades chinesas também tem recomendado à população que pare de viajar em direção a Wuhan (ou saindo dela) e evite aglomerações na cidade, onde vivem 11 milhões de pessoas — a título de comparação, o município mais populoso do Brasil, São Paulo, tem 12,3 milhões de habitantes.rnA orientação em locais de risco é evitar o contato “desprotegido” com animais ou com pessoas com sintomas semelhantes aos de gripe e resfriado. Além disso, recomenda-se que carnes e ovos só sejam ingeridos depois de devidamente cozidos.rnQuão preocupados estão os especialistas?rnPor enquanto, a Organização Mundial da Saúde não recomenda restrições em viagens ou no comércio internacional em decorrência do vírus, mas ao mesmo tempo tem oferecido orientação a países para se prepararem.rnUma eventual declaração de situação de emergência de saúde pública global pela OMS pode tanto facilitar a coordenação internacional e a arrecadação de verbas para o combate à disseminação de uma doença, por exemplo, quanto dar início a uma série de recomendações que devem ser seguidas pelos países afetados e seus vizinhos.rnGolding, da Wellcome Trust, afirmou que, por ora, “até termos mais informações, como a fonte, é muito difícil saber quão preocupados nós devemos ficar”.rnPara Ball, da Universidade de Nottingham, “nós devemos nos preocupar com qualquer vírus que chegue aos humanos pela primeira vez, porque ele superou uma primeira grande barreira”.rn”Uma vez dentro de uma célula humana e se replicando, pode começar a gerar mutações que podem permitir que ele se espalhe mais facilmente e se torne mais perigoso.” E completa: “Nós não queremos dar ao vírus essa oportunidade”.rn rn
Fonte: BBC

























