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Criança e adolescente – Casos de abuso e exploração sexual preocupam o Ministério Público do Paraná

Casos de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes ocorridos no Paraná geraram, no ano passado, 1.718 notificações ao Disque 100, serviço de ligações gratuitas vinculado à Secretaria Especial de Direitos Humanos, da Presidência da República, que recebe denúncias de violação de direitos humanos. Em todo o país, o serviço registrou no ano passado, 7.217 denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes e 26.613 de abuso, totalizando 33.830 registros.rnEmbora não traduzam a dimensão exata do problema, já que muitas situações não são comunicadas, os dados ajudam a compreender a incidência e a abrangência desses crimes na sociedade.rn“Estima-se que para cada caso denunciado, dez são omitidos. E nossa previsão é que neste ano, com a Copa do Mundo, a incidência desses crimes cresça ainda mais”, observa o procurador de Justiça do Ministério Público do Paraná, Murillo José Digiácomo, que coordena o Centro de Apoio às Promotorias de Justiça da Criança, do Adolescente e da Educação (CAOPCAE).rnDas cidades paranaenses, Curitiba é a que possui o maior número de denúncias relativas a abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, com 319 casos em 2013. Isso sem considerar a Região Metropolitana, que também apresenta alta incidência. Em São José dos Pinhais, por exemplo, houve 33 registros no ano passado; em Colombo, 29; e em Fazenda Rio Grande, 25.rn“Sempre que pensamos em prevenção e no enfrentamento do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes, não podemos considerar apenas uma localidade, mas todo o seu entorno. Em especial nesse período de Copa, temos de estar preparados para enfrentar a questão não só em Curitiba, mas no litoral, na Região Metropolitana, nas cidades turísticas e de fronteira, como é o caso de Foz do Iguaçu”, explica Digiácomo.rnO número de casos registrados em outras regiões também é alto, sobretudo em Ponta Grossa (92), Foz do Iguaçu (91), Cascavel (86), Londrina (74) e Maringá (68). Os dados do Disque Denúncia revelam, ainda, que o problema está presente em grande parte do Paraná. No ano passado, houve notificações de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes em 243 cidades, o que representa 60% do total de municípios do Estado. rn“O problema não se restringe à Copa, mas existe a tendência de se agravar neste período. Por isso, a Rede de Proteção e os equipamentos oferecidos pelo Estado e pelos municípios devem estar preparados para a demanda que possa surgir antes, durante e depois do mundial”, ressalta o coordenador do Centro de Apoio. rnRealidade – Embora os dados já indiquem a necessidade de políticas públicas e programas de prevenção e de enfrentamento do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes, a quantidade de denúncias registradas está aquém dos casos ocorridos. “Esses casos são mais comuns do que a população imagina”, enfatiza Digiácomo, acrescentando que a grande maioria deles ocorre na casa das próprias vítimas, no ambiente familiar. rnO promotor de Justiça de Laranjeiras do Sul, Guilherme de Barros Perini, ratifica a afirmação: “Todos os dias recebemos denúncias referentes a crianças e adolescentes que estariam sendo abusados ou explorados sexualmente na comarca”, afirma. “Quase 90% dos relatos apontam que o crime é praticado por pessoas muito próximas às vítimas: parentes, amigos da família, vizinhos”, completa o promotor da cidade, que possui pouco mais de 30 mil habitantes.rnMobilização – Diante da realidade, a Rede de Proteção vem sendo articulada pelo Ministério Público do Paraná na região de Laranjeiras do Sul e dos outros quatro municípios da comarca: Marquinho, Porto Barreiro, Nova Laranjeiras e Rio Bonito do Iguaçu. No início de abril, um encontro reuniu cerca de 400 pessoas, entre pedagogos e diretores de escolas públicas e particulares, profissionais que atuam nas unidades de saúde e nos hospitais locais, conselheiros tutelares, representantes dos Conselhos Municipais da Criança e do Adolescente, além de policiais militares e civis, funcionários públicos e secretários municipais ligados à Assistência Social. Na ocasião, os participantes receberam capacitação para identificar os sinais de abuso e de exploração sexual em crianças e adolescentes. Também foram estabelecidos fluxos e protocolos para integrar as informações e articular as ações relacionadas à prevenção e ao atendimento das vítimas. rnOutras iniciativas vêm sendo adotadas na comarca para debater o tema com a comunidade. Aproveitando a proximidade do Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (18 de maio), estão sendo promovidas atividades nas escolas do ensino médio, onde estudantes estão produzindo cartazes e materiais, que serão expostos na praça central de Laranjeiras, na segunda-feira, 19 de maio, a partir das 14 horas, quando uma manifestação promete mobilizar o centro da cidade. Na terça, 20 de maio, integrantes da Rede visitarão a aldeia indígena Rio das Cobras, para participar de uma roda de conversa sobre abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes indígenas. No total, existem 13 aldeamentos no município. rn“Esse tema ainda é uma tabu na sociedade, por isso a conscientização é muito importante, principalmente, para a prevenção. Se todo mundo fica atento e denuncia, o agressor se sente coagido a não praticar esse ato de violência, pois sabe que pode ser punido”, explica Guilherme.rnrn18 de maio – Eventos para o fortalecimento da Rede de Proteção de Crianças e Adolescentes também foram realizados, recentemente, em Ivaiporã, Guarapuava, Prudentópolis, Rolândia, Candido de Abreu, Irati e Faxinal. Também estão programados eventos em vários outros municípios paranaenses, todos com a participação do MP-PR. Em Curitiba, a Fundação de Ação Social (FAS) irá realizar o IX Seminário de Enfrentamento da Violência Sexual de Crianças e Adolescentes: Proteção Integral dos Direitos das Crianças e Adolescentes na Copa do Mundo. O evento será nesta segunda-feira, 19 de maio, às 13h30, no auditório da FIEP (Av. Comendador Franco, 134). rnDesafios – A falta de políticas públicas e de estruturas adequadas para a prevenção e o encaminhamento dos casos é um dos grandes desafios apontados pela Rede de Proteção nas ações de enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Em boa parte dos municípios paranaenses, não há equipes suficientes, com profissionais capacitados para o atendimento às vítimas. Na maioria, os mesmos profissionais que prestam serviço nas áreas de família, idosos, educação, assistência social são demandados para questões relacionadas à infância, incluindo o abuso. É o que ocorre em Porto Barreiro, onde existe apenas um psicólogo para atender todas as necessidades do município. rnDe acordo com relatório publicado no site do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, no Paraná existem apenas 132 Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), estrutura responsável pela oferta de serviços especializados e continuados a famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de direitos, como é o caso das crianças e dos adolescentes vítimas de abuso e de exploração sexual. Também não há no Estado, segundo o documento, nenhum Creas Regional, que deveria suprir a demanda de municípios que não possuem estruturas próprias. rnIvaiporã está entre os municípios que possuem Creas, mas o promotor de Justiça da comarca relata que há apenas uma equipe trabalhando no Centro, estrutura que seria insuficiente para o atendimento especializado a crianças e adolescentes. “Cresce a demanda, mas não cresce o número de equipes. Muitas vezes, temos de nos socorrer com os profissionais do CAPs (Centro de Atenção Psicossocial) para garantir o atendimento”, conta Rodrigo Baptista Braziliano. Para ele, a população deveria cobrar dos gestores públicos a solução. “Os prefeitos deveriam garantir a prioridade absoluta de investimentos na área da criança e do adolescente, conforme prevê a lei, e estruturar melhor os serviços de assistência dos municípios para garantir o atendimento especializado”, afirma o promotor. rnAtendimento especializado – Depois de trabalhar dez anos no atendimento a crianças e adolescentes vítimas de abuso e exploração sexual, na região de Londrina, a psicóloga Cristina Fukumori lançou livro sobre a temática e passou a dedicar-se à capacitação de equipes que integram as Redes de Proteção e Atendimento, ensinando a identificar os sinais de violência sexual em crianças e adolescentes. “O maior desafio é identificar essa vítima para protegê-la e prevenir que novas agressões aconteçam, pois a criança raramente vai falar. Ela tem medo de punição, de que ninguém acredite no que está dizendo”, explica. rnA psicóloga defende que o trabalho da Rede deve ser articulado e bem estruturado para garantir a qualidade no atendimento e evitar, por exemplo, que a vítima precise ser ouvida várias vezes e por diferentes pessoas: “toda vez que a criança precisa falar sobre o fato, é como se ela estivesse vivenciando aquilo novamente. Os danos a esta criança são para a vida toda. Não é qualquer pessoa que pode ouvir uma criança vítima de abuso sexual. Esse trabalho deve ser feito por profissionais qualificados e capacitados. O ideal é que, ao identificar sinais de agressão, as pessoas denunciem à Rede de Proteção para o encaminhamento adequado do caso e da investigação”, defende. rnSinais de abusornA psicóloga Cristina Fukumori orienta quanto aos sinais e sintomas que, associados a outros indícios, podem indicar que a criança está vivenciando uma situação de abuso e/ou de exploração sexual. São eles:rn- Mudanças súbitas no comportamento e nos hábitos alimentares;rn- Isolamento; rn- Apatia; rn- Vergonha excessiva;rn- Fugas de casa; rn- Terror noturno; rn- Ideias ou tentativas de suicídio;rn- Alteração no rendimento escolar; rn- Comportamento sexual inadequado para a idade;rn- Brincadeiras sexuais agressivas.rnDenuncie rnAo desconfiar de que uma criança possa estar sendo abusada ou explorada sexualmente, qualquer cidadão pode, e deve, denunciar. Professores e profissionais de saúde têm o dever de comunicar o Conselho Tutelar diante de qualquer suspeita, ainda que não confirmada, de abuso e de exploração sexual de crianças e adolescentes. Veja como denunciar:rnrn- Comunique o Conselho Tutelar – A melhor medida é acionar a Rede de Proteção, via Conselhos Tutelares (geralmente os telefones e endereços podem ser encontrados na internet). rnrn- Avise a Polícia Militar – Caso a violência esteja ocorrendo no mesmo momento da denúncia, o cidadão pode entrar em contato com a PM (telefone: 190). rnrn- Procure uma delegacia de polícia – Também é possível fazer a denúncia na delegacia de polícia mais próxima ou nas delegacias especializadas no atendimento a crianças e adolescentes. rnrn- NUCRIA – Em Curitiba e em Foz do Iguaçu, existem unidades do NUCRIA –Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes. Os telefones são: na capital, (41) 3270-3370 e, em Foz do Iguaçu, (45) 3524-0396 / 3524-6281. rnrn- Ministério Público – As situações também podem ser levadas diretamente ao Ministério Público (confira os endereços e telefones das comarcas do Paraná). rnrn- Disque 100 – Outro caminho é ligar para o “Disque 100” (ligação gratuita), que registra a denúncia e encaminha as informações para os atores da Rede de Proteção da localidade onde o crime possa estar acontecendo. rnrnSaiba mais:rnrnConheça o Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (PNEVSCA)rnrnSaiba mais sobre a campanha da Secretaria de Direitos Humanos – Proteja BrasilrnrnComitê Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes rnrnCiranda – Central de Notícias dos Direitos da Criança e do AdolescenternrnAbordagem lúdica sobre o tema do abuso sexual infantojuvenil.rnhttp://www.tartanina.org.br/rnrnCrianças na Coparnhttp://www.childhood.org.br/a-protecao-da-infancia-durante-o-mundial-o-que-aprendemos-com-a-copa-das-confederacoesrnrnCrianças e grandes eventosrnhttp://www.childhood.org.br/grandes-eventos-e-infanciarnrnrn

Fonte: Assessoria

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