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Eder Jofre volta aos ringues e luta contra campeã de boxe

Ele sorri. Porque tudo em Eder Jofre, invariavelmente, se resume a sua feição. Ao rosto marcado pelo tempo e ao corpo já não tão ágil, mas ainda pronto para a luta. Corpo que insiste em expor as pancadas que Eder levou, também escancara as que um dia desferiu. rnMaior boxeador da história do país, Jofre voltou aos ringues na noite do último sábado, no Ginásio Ney Braga, em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, para uma luta de exibição com a paranaense Rosilete dos Santos, campeã mundial em 2011 e aposentada desde 2013. rnrn- Bati nela com carinho, brincou Eder, que permaneceu no ringue com a pugilista durante dois rounds – o evento foi organizado pelo também ex-boxeador Macaris do Livramento,  presidente da Federação Paranaense de Boxe e que coordena um projeto que atende 250 crianças na cidade.rnA luta foi puramente de exibição, quase ensaiada, mas que também funcionou como um momento de reflexão para o velho pugilista. Aos 79 anos, Eder Jofre contou que nunca havia pensado que uma mulher pudesse ser uma lutadora também dentro dos ringues. rnrn- Durante minha carreira nunca imaginei que mulheres um dia pudessem praticar boxe, então imagine entrar em um ringue com uma delas. Foi uma experiência maravilhosa, só posso agradecer. Quando você pensa que a vida não pode mais te surpreender, ela apronta novamente. rnrnHouve tempo ainda para um round contra Macaris do Livramento. Mas o organizador do evento não foi páreo para Jofre, que em menos de 30 segundos “nocauteou” o amigo. rnrnE se as quase oito décadas de vida (Eder completará 80 anos em março do próximo ano) levaram a agilidade e a força dos punhos, o bom humor o tempo não conseguiu tirar do pugilista. Saudades dos ringues? rnrn- Tá louco? Quem sente falta de apanhar. Você leva muita pancada, então costumo dizer que nem sonho mais com boxe, brinca.rnO paulista é unanimidade no universo do boxe. Foi capa da revista norte-americana The Ring, então referência máxima do esporte, em outubro de 1963. Na página, com os punhos cerrados e socando o ar, a imagem de Jofre respondia a pergunta: “O maior boxeador do mundo?”. rnrn- Eu era muito técnico e tinha força em ambas as mãos. Acertava para derrubar e não dar chances. Meu braço é pequeno, mas como derrubava… Brincava de luta com meus primos desde os 5, 6 anos de idade, não tinha como dar errado, não é?.rnrnA resposta está no cartel: 78 lutas, 72 vitórias, 50 delas por nocaute, quatro empates e apenas duas derrotas na carreira deram a Eder o título de campeão mundial da categoria Galo pela Associação Nacional de Boxe dos EUA em 1960 – dois anos depois, Jofre unificaria o título com o Conselho Mundial de Boxe. rnrn- Olho para trás e não tenho do que reclamar. Mas se fosse argentino, eu seria um Deus, brinca, ao se referir a idolatria que o país vizinho tem por seus pugilistas. rnrnRosilete e MacarisrnrnRosilete tem 34 lutas como profissional, com 29 vitórias e 5 derrotas. E, para ela, um novo empate – justamente contra Jofre. rnrn- Tenho uma longa história no boxe, sempre fui a primeira. A primeira a lutar, a primeira brasileira a ser campeã mundial e agora a primeira mulher a fazer uma exibição no ringue com Éder Jofre, diz. rnrnJá Macaris espera que iniciativas como esta se tornem mais frequentes, auxiliando o esporte a retomar a popularidade no Brasil. rn Com o surgimento do MMA, o Boxe foi ficando em segundo plano, então nada melhor que o encontro entre o maior pugilista e a maior boxeadora da história nacional para começar a modificar este cenário. 

Fonte: Globo Esporte

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