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Moro manda soltar Santana e Mônica Moura e critica álibi de caixa dois

Após cinco meses presos, o marqueteiro João Santana e a mulher dele, Mônica Moura, deixaram a sede da Superintendência da PF no Paraná por volta das 16h30 desta segunda-feira (1º).rnO juiz Sergio Moro havia determinado pela manhã a soltura do casal mediante uma fiança de R$ 31,5 milhões. São R$ 28,76 milhões para Mônica e R$ 2,76 milhões para o publicitário.rnÉ o maior valor de fiança arbitrada na Operação Lava Jato até aqui –sem considerar as indenizações no caso de delação premiada.rnO casal foi preso em fevereiro sob suspeita de receber da empreiteira Odebrecht e do lobista Zwi Skornicki dinheiro desviado da Petrobras.rnOs R$ 31,5 milhões correspondem aos valores que já haviam sido bloqueados pela Justiça em suas contas correntes, segundo a decisão de Moro.rnO casal, que também ficou detido em uma penitenciária na região metropolitana de Curitiba, deixou a superintendência sem falar com a imprensa. Tanto Mônica quanto Santana, que morava em Salvador, não poderão sair do país nem se encontrar com outros investigados.rnA ordem também proíbe o contato com “destinatários de seus serviços eleitorais” e determina o comparecimento a todos os atos dos processos.rnMoro disse considerar que a instrução das ações penais já está perto do fim e que ambos já manifestaram a intenção de esclarecer os fatos. Mônica Moura negocia um acordo de delação premiada com a Lava Jato.rn”TRAPAÇA”rnNo despacho em que determinou a soltura de Mônica, Moro fez duras críticas ao “álibi” do casal nas ações penais. Em depoimento à Justiça Federal há duas semanas, Santana afirmou que “98% das campanhas” eleitorais no Brasil fazem uso de caixa dois e que, sem a prática, não é possível se manter na profissão.rnO juiz federal afirmou que trata-se de “trapaça que não pode ser subestimada” e que é preciso “censurar em ambos a naturalidade e a desfaçatez com as quais receberam, como eles mesmo admitem, recursos não-contabilizados.”rn”O álibi “todos assim fazem” não é provavelmente verdadeiro e ainda que o fosse não elimina a responsabilidade individual”.rnE acrescentou: “Se um ladrão de bancos afirma ao juiz como álibi que outros também roubam bancos, isso não faz qualquer diferença em relação a sua culpa.”rnNa mesma ocasião, Mônica afirmou em depoimento que recebeu dinheiro no exterior de Skornicki por serviços efetivamente prestados ao PT, na campanha de Dilma Rousseff em 2010, e que o repasse foi a maneira encontrada pelo partido para saldar uma dívida.rnMoro disse ainda no despacho que a situação do casal “difere, em parte” da de outros acusados no esquema da Petrobras porque o marqueteiro não era um agente público nem dirigente de empreiteira.rn”É possível reconhecer, mesmo nessa fase, que, mesmo se existente, encontra-se em um nível talvez inferior da de corruptores, corrompidos e profissionais do crime.” 

Fonte: Folha de São Paulo

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