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Cerca de 300 famílias permanecem acampadas na Fazenda Monte Verde em Jundiaí do Sul

Após três meses, cerca de 300 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) permanecem acampados na Fazenda Monte Verde, em Jundiaí do Sul. As famílias ainda resistem em deixar a área de 1.389 hectares. Segundo os integrantes do movimento, uma disputa pelas terras que é discutida há mais de 15 anos na Justiça, mas que existem meios que possibilitam o arrendamento a terceiros, que exploram de forma indevida a propriedade e provocam danos ao meio ambiente. De acordo com a assessoria de imprensa do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o órgão solicitou uma audiência judicial com o proprietário para propor compra da fazenda para assentar as famílias. Porém, até o momento a data da audiência ainda não foi definida.rnOs integrantes alegam que há muitas famílias flutuantes, uns entram e saem diariamente do acampamento. A grande maioria das família desiste devido às condições de vida que levam no acampamento. Como não há energia elétrica nos barracos, os integrantes improvisaram uma cozinha coletiva na sede da fazenda. Um dos acampados que preferiu ter sua identidade preservada relatou que a vida de Sem Terra é muito sofrida e por isso muita gente acaba desistindo. “É a primeira e última vez que eu participo do movimento. É muito sofrimento. Se nós não conseguirmos ser assentados, eu nunca mais vou tentar”, comentou.rnAs famílias já começaram a trabalhar e uma área da fazenda onde estão cultivando feijão, e  mandioca. Segundo a secretária de Assistência Social, Cleonice Maria Vicente Bertin, toda apoio necessário está sendo dado aos acampados, porém, a demanda do município já é muito grande e a secretaria está dando preferência para a distribuição de cestas básicas somente às famílias que realmente necessitam. “É preciso fazer um cadastro na secretaria e a nossa assistente social faz uma visita domiciliar para avaliar se a família realmente precisa de ajuda”, explicou.rnA secretária de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Rosimary Camargo de Andrade, esteve no local durante a ocupação com o intuito de garantir que nenhuma criança ficasse de fora do ambiente escolar. Foram feitas aproximadamente 100 matrículas desde o berçário até o Ensino Médio. “Providenciamos um ônibus para fazer o transporte escolar destes estudantes e garantimos que ninguém está fora da escola”.rnO prefeito Sebastião Egidio Leite (PT), o “Tião Dias”, diz que apoia as famílias e tem visitado com frequência o local para avaliar a necessidade das famílias. “Trata-se de um movimento forte e muito bem organizado. O MST já conseguiu derrubar dois pedidos de reintegração de posse”, disse.

Fonte: Dayse Miranda – Tribuna do Vale. Foto: Antonio de Picolli

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