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Suíça volta ao estádio onde quase desmaiou na maratona olímpica de 84

Protagonista de uma das mais famosas cenas dos Jogos Olímpicos, a suíça Gabrielle Andersen, 71 anos, conta os detalhes da maratona de Los Angeles 1984. A atleta, que tinha 39 anos, chegou cambaleando, fraca e desidratada, e completou a prova para delírio da plateia, que viu em seu esforço uma prova irrefutável do espírito olímpico. 32 anos depois, voltou, pela primeira vez, ao Coliseu de Los Angeles e ela relembrou exatamente o que aconteceu na histórica prova.rnHoje, Gabriele vive ao lado do marido Richard, em Sun Valley, nos Estados Unidos e segue praticando esportes: natação, mountain bike, cross-country, esqui, trilhas. De uma vitalidade impressionante, a ex-atleta ainda cuida da casa, do jardim, de seus dois gatos. Saiba como foi a prova e o retorno a Los Angeles nas palavras de Gabrielle:   rnrn01rnCOMEÇO NO ATLETISMOrnrnrnrnEu tinha 39 anos em 1984. Na verdade comecei a correr muito tarde. Até os 25 eu não tinha ideia do que era correr. Comecei a correr por divertimento e até fiz algumas maratonas, mas nada muito sério, porque naquela época não havia um futuro. No dia da prova estava muito calor, sabia que estaria quente e úmido em Los Angeles. Até tentei me preparar um pouco, mas, olhando pra trás, provavelmente, a preparação não foi suficiente.   rnrnrn02rnO DIA QUENTE DA PROVArnrnrnrnrnGabrielle Andersen (de vermelho, nº 323) no canto direito, entre as outras maratonistas (Foto: Reprodução TV Globo)rnA prova começou próximo à costa, então, o calor não estava tão forte. Mas a partir do momento em que começamos a correr mais pra dentro da cidade e as horas se passaram, o tempo foi ficando mais quente. O pior foi correr na autoestrada porque não havia sombra. Faltando entre cinco a oito quilômetros para a linha de chegada, eu não estava me sentindo tão mal ainda, só sentia um pouco de calor e sede.   rnrnrn03rnPOUCA ÁGUArnrnrnrnPelas regras da maratona, naquela época, só havia quatro postos de abastecimento de água. E eu perdi o último deles, acho que foi Km 32, e não havia outro depois. Lembro que já chegando perto do fim, há uns dois quilômetros da linha de chegada, eu comecei a precisar de água. rnrnrn04rnDESIDRATAÇÃOrnrnrnrnQuando eu deixei a rua e entrei no túnel que levava ao interior do estádio, imediatamente senti o frescor da sombra. E apesar de já estar bem mal eu pensei: “Ok. A linha de chegada não é tão longe”. Mas quando eu entrei na pista, o sol quente voltou e ele cozinhava o estádio. O maior problema era a dor nas pernas, estava com muitas cãibras por causa da desidratação e não conseguia caminhar em linha reta, ficar ereta, nem ao menos falar eu conseguia. Mas eu também sabia que se parasse e sentasse não teria forças pra voltar e continuar.    rnrnrn05rnCHEGADA DRAMÁTICArnrnrnrnrnAtletismo Gabriela Andersen olimpíada 1984 (Foto: Agência AP)rnO médico ao lado da pista me perguntou se eu estava bem e se eu ainda queria continuar. Só balancei a cabeça indicando que sim. Pensava: “Essa é a minha única olimpíada, tenho trinta e nove anos, não terei outra oportunidade como essa”. Já perto do fim o barulho no estádio era inacreditável com as pessoas torcendo, aplaudindo. Era um barulho muito alto e aquilo me animou bastante. Quando eu vi a linha de chegada eu pensei: “Oh, acabou!”   rnrnrn06rnPÓS-PROVArnrnrnrnrnAtletismo Gabriela Andersen olimpíada 1984 (Foto: Agência AP)rnEu me senti aliviada, mas tinha muitas dores. Tive desidratação e exaustão provocada pelo calor. A temperatura do meu corpo ficou muito mais alta do que o suportável. Na verdade, para mim foi uma grande decepção porque eu não consegui terminar a prova da maneira como eu gostaria. Havia aquele pensamento se as mulheres poderiam correr uma maratona. Depois do que aconteceu os que eram contra a ideia poderiam dizer: “Viu o que acontece?”. Mas por um outro lado eles poderiam ver que mesmo que alguém tenha problemas, um ou dois dias depois ela está já estará bem de novo. Hoje existe um ponto de água quase a cada dois quilômetros. rnrnrn07rnA VOLTA AO COLISEUrnrnrnrnrnGabrielle Andersen no Los Angeles Coliseum (Foto: Priscila Carvalho)rnMeu marido diria: “Eu nunca deixaria passar uma oportunidade como essa” Uau! Que grande, ele é enorme. É muito legal estar aqui de novo. Trinta e dois anos, quanto tempo. Talvez nós possamos tentar achar o túnel por onde nós entramos. Provavelmente aquele que é o único que vem da rua. Quando eu entrei imediatamente pude perceber a diferença de temperatura. Certa vez um amigo meu que morava aqui em Los Angeles me ligou e disse que estavam removendo a pista de atletismo do estádio e me perguntou se eu não gostaria de ter um pedaço dela, então ele cortou um pedaço da pista e enviou pra mim. Hoje aqui, assim é mais agradável, o dia está ótimo, tem até um ventinho.   rnrnrn08rnMEMÓRIAS E VIDA DEPOIS DOS JOGOSrnrnrnrnrnKiko Menezes e Gabrielle Andersen (Foto: Priscila Carvalho)rnNos últimos vinte anos eu não pensei muito sobre aquela corrida. Porque havia tantas outras coisas na vida que me interessavam mais do que ficar olhando pra trás.  A linha de chegada era perto das escadas e lembro que eu vi a linha de chegada e que quando eu passei por cima daquela marca eu sabia que tinha conseguido. Na verdade se você está realmente determinado você pode realizar muito mais do que você pensa.

Fonte: Globo.com

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