Doze dos 22 prefeitos dos municípios que compõem o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Norte Pioneiro (Cisnorpi), com sede em Jacarezinho, decidiram na manhã de ontem, 18, na sede da Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi), em Santo Antônio da Platina, adiar a votação que elegeria nova diretoria da entidade e “entregar” definitivamente a gestão do Hospital Regional do Norte Pioneiro, com sede em Santo Antônio da Platina, aos cuidados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa). Para os prefeitos, a unidade hospitalar consome os recursos repassados pelos municípios ao consórcio, nunca “sai do vermelho” e ainda prejudica a eficiência dos serviços oferecidos pelo Cisnorpi.rnA atual diretoria deve permanecer até junho de 2015, quando vence o convênio que existe entre o Cisnorpi e o governo do Estado, que repassa cerca de R$ 290 mil mensais ao HR. Os prefeitos deixaram claro que não querem que o contrato seja renovado. “Queremos que o Estado assuma o Hospital Regional”, resumiram.rnA discussão sobre os prejuízos que o Hospital Regional vem causando teve início durante assembleia que resultaria na eleição para nova diretoria. O atual presidente do Cisnorpi, prefeito de Quatiguá, Luiz Fernando Dolenz e o prefeito de Jacarezinho, Sérgio Emídio Faria (DEM) formaram a única chapa que concorreria ao pleito, mas o prefeito de Santana do Itararé, José Isaac (PT) discordou afirmando que o Cisnorpi “está prejudicado”, sugerindo que não está cumprindo suas funções de oferecer especialidades e exames médicos aos municípios consorciados. Isaac também disse que não é justo algumas prefeituras pagar o valor de R$ 1 por habitante para manter os serviços enquanto outras estão em débito.rnO prefeito de Ribeirão Claro, Geraldo Maurício Araújo (PV) disse que sua secretária da Saúde vem reclamando do Cisnorpi. “Não estamos tendo retorno diante do dinheiro que estamos aplicando”, resumiu.rnO prefeito de Tomazina, Guilherme Saliba Costa (PPS) tentou apaziguar a situação lembrando que é preciso se aprofundar nos problemas que o consórcio vem enfrentado. “É preciso maior envolvimento dos prefeitos. Temos que nos inteirar o quanto arrecada e o gasta. Não importa quem seja o presidente. Essas informações são essenciais”, disse lembrando que o Cisnorpi passa por problemas sérios já há algum tempo. “O prefeito de Quatiguá assumiu em junho, depois da intervenção do Ministério Público. Ele tem se esforçado bastante, mas toda essa situação causou dúvidas nos consorciados”, disse sugerindo: “Vamos nos unir e começar a levantar o Consórcio”, convocou.rnO prefeito de Jacarezinho, Sérgio Faria salientou que boa parte dos problemas do Consórcio é criada pelo Hospital Regional, e também pelos atrasos nos repasses de recursos do governo do Estado. “Não há como manter os serviços com esses atrasos. Os médicos e os funcionários querem receber em dia, mas o governo chega a atrasar o envio de verbas em até três meses”, comentou.rnSolução sensatarnO atual presidente do Cisnorpi, Fernando Dolenz explicou que desde que assumiu o Cisnorpi, em junho deste ano, sua atenção estava voltada em “arrumar a casa”. “O Cisnorpi estava “fora de lugar”, desequilibrado. Trabalhamos para organizar. Nesse período fiz uma única nomeação para não onerar as finanças, mas estamos precisando de funcionários. Coloquei servidores em cargos de direção. Antes, tudo era resolvido através de Resoluções. Para acabar com isso, elaboramos junto com o Ministério Público, alterações no estatuto para regularizar todo o funcionamento do consórcio”, disse. Dolenz ainda deixou claro que as contas do Cisnorpi sempre estiveram abertas para avaliação dos prefeitos, e que nas reuniões marcadas para apresentar balanços, só apareciam cinco ou seis prefeitos.rnQuanto ao adiamento da eleição, Dolenz disse que foi uma decisão sensata do grupo. “Hoje, o Hospital Regional é um transtorno para todos nós. A maior parte dos municípios que compõe o Consórcio não tem condições financeiras de ajudar a manter uma unidade hospitalar do porte do HR. Temos que entrega-lo ao Estado e depois voltar toda a nossa atenção ao Cisnorpi”, disse.rnO prefeito afastou, ainda, qualquer possibilidade de o hospital fechar. “Logo no início de 2015, vamos começar a trabalhar a transferência de gestão para o Estado. Deixaremos claro que vamos administrá-lo apenas até junho. O governo já está se preparando para isso, com a criação de uma fundação para geri-lo”, disse lembrando que está sendo construída uma Unidade de Terapia Intensiva Adulta no hospital.
Fonte: Gladys Santoro – Tribuna do Vale – Foto: Antonio Picolli

























