Topo

Empresa ligada a Abi pagou hotel para secretário da Fazenda de Richa

 Indiciado sob a acusação de ser o chefe político do esquema de corrupção na Receita Estadual do Paraná, o empresário Luiz Abi Antoun pagou despesas de hospedagem do secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, em um dos principais hotéis de Curitiba. O pagamento de pelo menos seis diárias, no valor de R$ 1.751,40, foi feito pela empresa Alumpar Alumínios, de propriedade da família Abi Antoun. Registro do hotel Bourbon, mostra que Mauro Ricardo Costa e a esposa se hospedaram no local entre os dias 31 de dezembro e 5 de janeiro.rnSegundo a reserva, que identifica Costa como “futuro secretário da Fazenda do PR” e foi feita em 9 de dezembro, o pagamento da estadia correu por conta da Alumpar. No total, cada diária na suíte premier do hotel saiu por R$ 278 mais 5% de ISS, totalizando R$ 1.459,50. O documento menciona que o “Sr. Pablo virá pagar no hotel”. Já as despesas extras, como o uso da garagem do hotel e o consumo de produtos do frigobar, foram pagas pelo próprio secretário – não há o valor no documento.rnOutro registro aponta que Costa se hospedou no hotel entre os dias 7 e 8 de dezembro, também com a diária, no valor total de R$ 291,90, paga pela Alumpar.rnEmpresa de AbirnSediada em Londrina, a Alumpar Alumínios pertence à GV Alumínios e à KLM Brasil Indústria Eletrônica. Esta última, com sede em Cambé, tem como sócios os dois filhos de Luiz Abi: Kouthar e Nemer Abi Antoun. De acordo com a certidão da empresa, Nemer é representado na sociedade pela mãe, Eloiza Fernandes Pinheiro Abi Antoun.rnOs documentos da Junta Comercial apontam ainda que o próprio Luiz Abi constava como sócio da KLM quando ela foi criada, em setembro de 1990.O empresário, porém, deixou a sociedade em maio de 2012. Já Eloiza, que também participou da sociedade quando a KLM foi criada, deixou o controle da empresa em outubro de 1997. Em 29 de maio de 2012, voltou a figurar como sócia, mas, no mesmo dia, saiu da sociedade junto com o marido.rnFraudesrnHá pouco mais de dez dias, o Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) indiciou 109 pessoas na segunda fase da Operação Publicano, que investiga um esquema de corrupção na Receita Estadual. Primo do governador Beto Richa (PSDB), Luiz Abi é apontado como o operador político do esquema, que consistia em uma rede de extorsão e subornos, pagos por empresários, para bloquear cobranças milionárias de impostos estaduais devidos por empresas de Londrina e região.rnEm outra ponta, empresários também pagariam para se tornarem “blindados” e protegidos das fiscalizações da Receita. Segundo o Gaeco, o próprio Abi, por exemplo, teria ordenado o encerramento de uma fiscalização na GV Alumínios, uma das proprietárias da Alumpar.rn“Confio em Deus e amo a minha família. Só isso que tenho a dizer”, afirmou Abi recentemente, na única declaração pública que fez sobre o tema. Já Richa sempre alegou ter apenas “relações sociais” com o empresário e ressaltou que não pode ser punido pelos erros de outras pessoas.rnCosta se defende e diz que ressarciu diáriasrnPor meio da assessoria, o secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, confirmou que sua hospedagem entre 31 de dezembro e 5 de janeiro foi bancada por um terceiro, mas sem o conhecimento prévio dele. Ele afirmou que, posteriormente, pagou a quantia do próprio bolso. Já sobre a diária de 7 para 8 de dezembro, disse imaginar que o pagamento tivesse sido feito pelo governo do estado. Informou ainda que irá procurar o hotel Bourbon e, caso a conta tenha sido paga por alguém que não o Executivo, também irá desembolsar o valor.rnCosta contou que, ainda no ano passado, viajou diversas vezes para Curitiba com o objetivo de discutir sua vinda para o Executivo paranaense e os projetos enviados à Assembleia Legislativa em dezembro. Nas viagens, costumava retornar no mesmo dia para São Paulo. Somente em 7 de dezembro, pernoitou no Bourbon e afirmou desconhecer a informação de que a diária foi paga por uma empresa ligada a Luiz Abi Antoun.rnAlém disso, em uma das indas à capital paranaense, Costa disse ter pedido a Abi, numa conversa informal, a indicação de um local para passar o réveillon. O empresário indicou o Bourbon por conhecer o dono do hotel e se hospedar no local frequentemente. Conforme o secretário, Abi se ofereceu para fazer a reserva.rnDe acordo com ele, no dia 5 de dezembro, saiu para trabalhar e pediu à esposa que pagasse as diárias, pois se mudaria para um apartamento que alugou na cidade. A recepção do hotel, no entanto, informou que somente as despesas extras precisariam ser quitadas, mas não a hospedagem. “Imediatamente entrei em contato com o Luiz Abi e informei que não aceitaria que ninguém pagasse a minha conta e que ele solicitasse ao hotel a emissão de um boleto para que eu pudesse pagar diretamente ao hotel”, afirmou o secretário. Ele contou que insistiu no assunto e, então, o Bourbon emitiu um boleto no valor de R$ 2.335,20, o qual pagou no dia 20 de janeiro, conforme comprovante apresentado à reportagem.rnSegundo o secretário, a pessoa identificada no registro da reserva como Pablo, a quem cabia pagar a conta dele no hotel, costumava acompanhar Luiz Abi. “Achei que era um empregado dele.”rnRelacionamentornQuestionado sobre os encontros que teve com Luiz Abi, Costa declarou que o conheceu numa das vindas a Curitiba antes de tomar posse como secretário, mas nunca esteve sozinho com o empresário. Ele afirmou ainda que os dois jamais trataram de qualquer assunto referente à Receita Estadual ou à Secretaria da Fazenda.rnProcurado, o advogado de Abi, Antônio Carlos Coelho Mendes, afirmou que não comenta assuntos de clientes fora dos processos.rnJá o governo do estado informou apenas que caberia ao próprio secretário se manifestar.

Fonte: Jornal de Londrina

Faça um comentário
Pós Artigo

Notícias Relacionadas

  • All Post
  • Brasil / Mundo
  • Capa
  • Entretenimento
  • Esportes
  • Notícias
  • Receitas
Edit Template

Copyright 2025 – Todos os Direitos reservados