O professor de geografia Claudio Gaudino montou um projeto solidário e foi surpreendido com o engajamento de todos os alunos dele do Colégio Estadual Marcelino Champagnat, em Londrina. A ideia era que os estudantes juntassem o maior número de lacres de latinhas de alumínio possível para que o material fosse vendido e, com o valor arrecadado, fosse comprada uma cadeira de rodas para ser doada a alguma pessoa.rn“Eu estava dando uma matéria sobre a questão do consumismo e o reaproveitamento de materiais. Levei os alunos ao Centro de Tratamento de Resíduos da cidade e fiz outras ações junto disso. Porém, eu sentia que faltava algo mais. Foi aí que surgiu a ideia de fazer essa arrecadação dos lacres”, conta Gaudino.rnO projeto começou no mês de agosto e envolveu inicialmente os alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, mas se espalhou rapidamente pelo o colégio e comunidade. Os alunos conseguiram juntar mais de 100 garrafas plásticas de dois litros cheias de lacres de latinhas.rnApós a venda do material e a aquisição da cadeira de rodas, os estudantes tiveram que decidir para quem ela seria doada. “A ideia surgiu para que os alunos encontrassem uma pessoa da comunidade que não tinha a possibilidade de comprar a cadeira de rodas. Depois disso, eles mesmos entregaram para a pessoa, pois lutaram muito para que o nosso sonho fosse realizado”, explica o professor Gaudino.rnrnCadeira de rodas foi doada pelos alunos para um carroceiro que sofreu um acidente (Foto: Reprodução/RPC TV)rn rnDe uma lista de 12 pessoas, o escolhido foi Marco Antônio da Silva, 48 anos, que teve o trabalho como carroceiro interrompido por um acidente. Ele ficou com o lado esquerdo do corpo paralisado. A esposa, Aparecida da Silva, deixou o emprego para cuidar do marido, e fez o pedido após saber que os alunos iriam doar a cadeira de rodas. “Em uma oração, Deus falou que tudo que eu estava necessitando, proveria para mim. Dias depois os estudantes ligaram dizendo que o meu marido tinha ganhado a cadeira”, conta Aparecida.rnCorrente do bemrnA história que parecia terminar ali acabou criando uma corrente do bem. Um empresário soube do projeto feito pelo colégio e decidiu também ajudar. Na quarta-feira (10), professor e alunos foram informados que vão receber 11 cadeiras de rodas, que serão doadas para as outras pessoas que faziam parte da lista inicial.rnPara o professor, o mais importante é mostrar que a educação não pode ficar presa apenas nos livros, mas também em gestos transformadores. “De lacre em lacre, outra pessoa no Brasil pode pegar o exemplo desse empresário e transformar em 24, 36 doações. Nós podemos, não só com o lacre, mas doando um pouco do nosso tempo, ajudar as pessoas que necessitam. Vamos entender o lacre como isso: como a nossa contribuição enquanto cidadãos pode ajudar as pessoas que necessitam”, diz Gaudino.rnGaudino conta que professores de outras escolas de Londrina entraram em contato pedindo autorização para aplicarem a mesma ideia em suas escolas. “É uma corrente do bem. As coisas estão acontecendo, e isso é muito importante”, comemora o professor.rnO projeto de arrecadação continua no colégio. Segundo o professor, até esta segunda-feira (15) mais de 70 garrafas de dois litros já foram preenchidas. “Estamos caminhando para a doação de mais uma cadeira de rodas. E queremos que essa mobilização continue”, afirma Gaudino.rnOs interessados em colaborar com o projeto podem entrar em contato com o colégio pelo telefone (43) 3323-9332.
Fonte: G1

























