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Eleição sem disputa: a campanha para prefeito em cidades com candidato único

Em Miraselva, município de 1,8 mil habitantes no norte do Paraná, eleitores já se acostumaram ao marasmo nas eleições municipais. É o terceiro pleito consecutivo em que apenas um candidato tenta a prefeitura.rnrnQuem concorre desta vez é Celso Antiveri (PSDB)(foto1), que já comandou a cidade em duas oportunidades (2001-2004 e 2005-2008). O atual prefeito, João Carlos Ferrer (PTB), está no segundo mandato.rnComo a eleição do tucano é praticamente garantida, o município irá completar, ao fim do próximo mandato, 20 anos sob o comando de dois prefeitos do mesmo grupo político. Muitos eleitores reclamam da falta de opções.rnCarlos Luiz Martins dos Santos, 53 anos, trabalhador rural desempregado que vive de diárias desde que foi dispensado de uma usina de cana-de-açúcar, disse que gostaria de poder escolher. “Não é interessante ter apenas um candidato”, afirmou, em conversa com a BBC Brasil na praça da cidade.rn”Somos eleitores sem opções”, afirmou a comerciante Edneia Zanelato, 34, que trabalha em um bazar ao lado da prefeitura, que funciona em uma casa modesta e carente de reformas.rnDesistênciarnO vereador Pedro Tolovi (PMDB), 63, chegou a fazer articulações para disputar a prefeitura contra Antiveri – os dois já haviam se enfrentado em 2004. “Desisti porque todas as pesquisas eleitorais o mostravam muito à frente. Além disso, não consegui montar um grupo.”rnNo confronto de 12 anos atrás, o candidato do PSDB teve 83,4% dos votos válidos. Neste ano, reuniu oito partidos em sua coligação: PSDB, PTB, DEM, PPS, PP, PMDB, PSB e PSC.rnPor um lado é bom: não se gasta tanto dinheiro e também não se divide a cidade, diz Pedro Tolovi, vereador que desistiu de concorrer à prefeiturarnQuestionado se a eleição de candidato único não é ruim para o município, o vereador que desistiu de concorrer relativizou a situação. “Por um lado é bom: não se gasta tanto dinheiro e também não se divide a cidade. Além disso, ele (Antiveri) foi um bom prefeito.”rnTolovi acabou se candidatando à reeleição na Câmara. Mas não seria um prefeito melhor do que o candidato? “Na minha cabeça, sim”, responde com um sorriso.rnMesmo sem adversários, Celso Antiveri está em plena campanha. Não é difícil encontrar carros com o nome dele pelas ruas de Miraselva. Investiu R$ 1,7 mil do próprio bolso e pretende injetar mais recursos nas últimas semanas antes das eleições.rn”A propaganda é mais para ajudar os candidatos a vereador, mas também quero que votem em mim. Estou visitando todo mundo. Como a cidade é pequena, tem eleitor que fica magoado se a gente não passa para tomar um café”, afirma.rnProdutor rural e com patrimônio declarado de R$ 2,3 milhões, o candidato diz que concorre porque “a política está no sangue”. O pai dele também comandou o município. O salário de prefeito de Miraselva é de R$ 8,1 mil.rnCampanha a todo vapor na cidade de candidato único; virtual prefeito emprega recursos próprios na divulgaçãornSobre os principais desafios à frente, o provável futuro prefeito cita a geração de empregos – todos os dias ao menos três ônibus e três vans saem de Miraselva levando trabalhadores para outras cidades da região.rnO saneamento básico é outro problema. O serviço de abastecimento de água é municipal e não há rede de esgoto. Questionado se essas obras já não poderiam ter sido feitas em seus mandatos anteriores, Antiveri disse que “não tinha dinheiro”.rnA receita total de Miraselva para 2016 é de R$ 11,9 milhões. De cada R$ 10 dos cofres municipais, R$ 7 vêm do governo federal, por meio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é considerado alto: 0,748, muito próximo da média do Paraná, que é 0,749.rnBasta um votornPela legislação brasileira, para que um candidato único seja eleito em municípios com menos de 200 mil habitantes, basta que vote em si mesmo. Isso porque precisa da maioria dos votos válidos. Brancos e nulos não são considerados.rnEm Miraselva, portanto, é tanta tranquilidade que o próprio candidato reconhece: “Perde um pouco da graça.”rnDisputa mesmo na cidade somente para as nove vagas de vereador na Câmara Municipal. Há 24 interessados – 2,6 candidatos por cargo.rnE há uma tradição na cidade: todos que se elegem “fecham com o prefeito”. “É que aqui somos muito unidos”, explicou um candidato que tenta o quinto mandato como vereador e preferiu não se identificar.rnImóvel que abriga a Prefeitura de Miraselva: cidade ainda não tem saneamento básico e tenta gerar mais empregos para populaçãornBarbada gaúcharnO Rio Grande do Sul é o Estado brasileiro com mais cidades com candidato único nas eleições de 2016. Não haverá disputas em 32 cidades gaúchas.rnEm Mato Queimado, município de 1.789 habitantes no noroeste do Estado, a situação é assim há quase 20 anos: desde 2000, primeiro pleito após a emancipação, só concorrem candidatos únicos.rnO candidato atual é Orlando Thomas (PP), 47 anos. Professor da rede municipal e produtor rural, já foi vice-prefeito na gestão 2008-2012.rnThomas conta que é tradição, desde a emancipação, que os dirigentes dos quatro partidos com diretórios em Mato Queimado – PP, PMDB, PTB e PT – se reúnam para chegar a um consenso sobre um nome para ser prefeito, evitando disputas.rnO protagonista da eleição diz considerar a situação positiva para o município. “Basta ver a cidade para constatar que este modelo está sendo bom. Nossa infraestrutura é ótima”, afirmou.rnO Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município é considerado alto: 0,717. O do Rio Grande do Sul é 0,746. Mas, como a paranaense Miraselva, não há rede de esgoto por lá.rnDe colonização gaúcha e com a base da economia na produção de milho, soja e trigo, a cidade por pouco não ficou sem opções também para a Câmara. São apenas dez candidatos para nove vagas.rnThomas investiu R$ 1 mil na campanha e diz estar conversando com todos os eleitores. Afirma que terá como prioridade atrair indústrias e melhorar a saúde pública, que já considera muito boa.rnEle irá receber a prefeitura de Nelson Hentz, também do PP. E o lema da campanha não poderia ser outro: “Continuar para avançar.”rn

Fonte: BBC

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