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Histórias de gente que faz da vida uma aventura

 Eles são viciados em adrenalinarnrnConheça as histórias de quatro pessoas que fazem da existência uma grande aventurarnrnrnrnHá quem passe os dias correndo contra o tempo. Outros preferem escalar montanhas e caminhar por terras que quase ninguém vê, cair nas correntezas, sentir o coração tão acelerado quanto um bólido de 3 mil cavalos ou flutuar de parapente nas nuvens que nos separam do céu. “Haja hoje para tanto ontem”, decretou o poeta curitibano Paulo Leminski. As quatro pessoas que você vai conhecer a seguir escolheram fazer da vida uma grande aventura.rnAos 85 anos, Henrique Schmidlin não hesita quando perguntado como é sua vida: “um paraíso”. Em parte, por conservar os hábitos herdados da mãe alemã e do pai suíço: diariamente, come muitas hortaliças, pouca carne e um cálice de vinho tinto. Ademais, pelo espírito irrequieto. Para o advogado, historiador e ex-curador do patrimônio natural do Paraná, não existe tempo ruim. Desde menino sobe montanhas como quem busca a redenção.rnrnHenrique Schmidlin, 85 anos, no Morro do Anhangava: mais conhecido como “Vita”, ele continua incansável e garante que ainda tem muitas trilhas para desbravar. Fotos: Letícia Akemi/Gazeta do PovornrnO tio, que morava em Bocaiúva do Sul, na Grande Curitiba, levava o franzino Schmidlin de oito anos para desbravar a topografia da região. “O primeiro montinho que subi parecia o Everest”, brinca seu “Vita”, apelido que ganhou dos montanhistas por ter uma alimentação saudável. O primeiro pico de verdade que subiu foi o do Marumbi, que tem 1.539 metros de altitude, na década de 1940.rnDe lá para cá, muitas conquistas e clubes fundados. Mas os montes existiam aos montes e precisavam ser escalados de outra forma. “Como fui um dos pioneiros do alpinismo, não havia ainda nenhuma técnica. Então, montamos um grupo, criamos o método de escalar e passamos a incentivar mais gente a praticar. No fim, deu certo, né? Me considero um vitorioso.”rnCasado há 40 anos, pai de um casal de biólogos (a filha é falecida) e dono de 40 diários de viagem repletos de relatos que valem ouro, seu Vita se sente satisfeito com suas glórias e ainda tem muito caminho a trilhar. Parar, de jeito nenhum. Só se for para apreciar a vista no topo de uma montanha.rnAceleradornNascido em Lages (SC), Agenor Avelino Scortegagna Júnior se apaixonou por carros ainda na infância. Aos 18 anos, veio morar na capital paranaense e comprou seu primeiro automóvel, um buggy. Trocou por um Chevette e depois por um Opala, adquirido em sociedade com mais dois amigos que o apresentaram à alta velocidade. Em 1988, quando o drag racer passou a ser um esporte no Autódromo Internacional de Curitiba, Scortegagna decidiu ser profissional de arrancada: investiu em um Opala Comodoro 1977 amarelo fiero com motor de seis cilindros e se tornou o “Scort”.rnrnAgenor Avelino Scortegagna Júnior, 49 anos, e seu Opala com motor de 3 mil cavalos: fera na arrancada tem uma legião de fãs.rnrnNo automobilismo, é comum que os pilotos troquem de carro com o passar do tempo – mas ele não: há 27 anos preserva seu xodó, que ganhou pintura nova e um motor mais potente. Hoje em dia, a bordo do seu Opala – segundo ele, o mais rápido do planeta – Scort é impiedoso na pista: ao sinal verde, ronca o motor de 3 mil cavalos, chega à velocidade máxima em sete segundos e faz o público do autódromo delirar.rnSeu “yellow black letal barulhento” é quase a antítese do proprietário, de 49 anos, que traz no sangue o jeito bonachão da família italiana e faz jus ao cognome “urso” ganhado nos boxes. Conhecido também como “o piloto do povo”, a esposa Elisa conta que o marido dá atenção especial para todos os fãs que compartilham da mesma paixão pelo esporte. “Há pessoas que economizam bastante para poder assistir de perto à minha apresentação. Me sinto muito orgulhoso e, por isso, busco ser sempre atencioso com o público”, justifica Scortegagna.rnCorrentezasrnIncentivada pelo pai militar, Letícia Wagner, 25 anos, faz exercícios desde menina. Corrida, bicicleta, natação, musculação e dança sempre fizeram parte da rotina, mas faltava algo mais radical – e companhia para praticar também. Há cinco anos, quando entrou na primeira faculdade, conheceu pessoas com gostos parecidos e começou a subir montanhas.rnrnLetícia Wagner, 25 anos, praticou escalada e montanhismo antes de descobrir sua paixão, o rafting.rnrn rnA escalada e o montanhismo não foram suficientes. Sua queda mesmo sempre foi por rafting, mas o difícil era encontrar quem topasse. Em 2010, Letícia estava de férias em Apiúna (SC), se juntou a um grupo que ia descer o rio e viciou: “Pode parecer clichê, mas a sensação é realmente indescritível. A adrenalina é muito forte e, para mim, não existe nada que me dê mais emoção”. A paixão por esportes a fez mudar de profissão e, atualmente, ela estuda Educação Física. Na universidade, convenceu três amigas a praticar rafting. “Quando chegamos no fim do percurso, elas me agradeceram por ter insistido tanto e já queriam marcar a próxima descida!”.rnPairando no arrnDesde garoto, Márcio Lichtnow, 48 anos, surfava diariamente nas praias do Paraná. O maior problema era o vento, que interferia na agitação do mar e atrapalhava o passatempo. Quando não dava onda, ficava desapontado, e passou a pensar no que fazer com toda aquela ventania.rnCerta tarde de 1996, ele avistou uma pessoa voando de parapente do Morro do Boi, em Matinhos. O velame era uma novidade e Márcio foi conversar com aquele homem – Guilherme Zippin, um dos precursores do esporte. No mesmo ano, iniciou o curso de voo livre. “A ideia inicial era surfar de manhã e voar à tarde. Passei muito tempo fazendo isso até que o parapente se tornou muito mais interessante que o surfe. Quem começa a voar, não para nunca mais”, justifica.rnrnMárcio Lichtnow, de 49 anos, aprendeu a voar para aproveitar o vento quando não dava parar surfar – e acabou mudando de esporte.rnrnNos primeiros 10 anos em que praticou o esporte, Lichtnow participava de competições em vários locais do país, e o filho Kauan, que ainda era criança, acompanhava todas as aventuras do pai. Não deu outra, a paixão contagiou o menino também. O estudante de marketing tem 27 anos, voa há 11 e conquistou diversos títulos no voo livre.rnO amor pelo ar é tão grande que, em 2007, o empresário vendeu sua indústria química e apostou em uma escola de formação de pilotos. Hoje em dia, é instrutor de parapente e de paramotor. “Sei que marco a vida das pessoas de alguma maneira e isso me motiva. Meus alunos saem transformados, pois esse esporte é um misto de responsabilidade com liberdade”. O filho mais novo, Natan, de 16 anos, pratica voo livre há um ano e também segue as asas do pai.rnCUIDADOSrnAntes de iniciar qualquer esporte (radical ou não), é importante fazer um check-up completornPraticar um esporte radical faz com que o corpo libere substâncias como a endorfina (relacionada ao bem-estar e ao prazer) e a adrenalina (responsável por aumentar a circulação sanguínea em situações de estresse, perigo e emoção).rnEssas sensações geram um “vício do bem”, segundo Alana Santos, médica do esporte do hospital Vita, levando a pessoa a experimentar novamente esses sentimentos. “Porém, antes de iniciar uma atividade física – radical ou não –, é prudente aprender as especificidades da prática, seus procedimentos de segurança e também passar por uma avaliação clínica, para conhecer a si mesmo e seus limites”.rnDe acordo com a médica, o ideal é fazer um check-up que englobe análise cardíaca e ortopédica, exames laboratoriais e teste de esforço, além de considerar doenças pré-existentes, uso de medicamentos e histórico familiar.rnÉ importante também que o praticante leve em conta alguns itens essenciais, como vestimenta, alimentação e até mesmo o sono. “Especialmente nos esportes radicais, que exigem alto nível de atenção e concentração, vale a regra de dormir pelo menos oito horas por noite e só praticar a atividade sentindo-se bem, após ter repousado adequadamente”.rnPara evitar surpresas e transtornos, a profissional orienta que a roupa seja adequada ao tipo de exercício e ao ambiente. Quanto à alimentação, além de hábitos saudáveis e uma nutrição balanceada, jamais exercitar-se em jejum e hidratar-se antes, durante e após a prática. “Para isso, é preciso saber a duração da atividade, para levar alimentação e fontes de hidratação, como água, sucos e isotônicos”, recomenda Alana. Não se esqueça do protetor solar e do repelente!rnQUANTO CUSTA?rnConfira os gastos com com cada modalidade:rnParapenternCom 60 horas de aulas teóricas e 12 horas práticas, o curso custa R$ 3 mil e inclui empréstimo de equipamentos. Se o piloto decidir investir no próprio velame (parapente) para voar quando quiser, precisará desembolsar mais R$ 11 mil.rnRaftingrnA partir de R$ 75 por pessoa (inclui empréstimo de equipamentos). É possível praticar o esporte em grupos de cinco a 15 amigos e, dependendo da correnteza e do nível do rio, a descida pode durar de 30 minutos a duas horas.rnMontanhismornPara começar a praticar, vale investir em uma mochila cargueira (R$ 180), botas (R$ 250) e em um cantil específico de hidratação (R$ 55). É importante procurar trilhas seguras e não andar sozinho.rnDrag racerrnUm motor ultrapotente custa US$ 100 mil e um piloto profissional gasta, a cada corrida, em torno de R$ 30 mil. Para os iniciantes há a categoria desafio, realizada no Autódromo Internacional de Curitiba, com inscrição de R$ 200.rnServiço:rnCalango Expedições, fone (41) 3462-2600. Clube Paranaense de Montanhismo, fone (41) 9600-8085. Força Livre, fone (41) 3014-7373. Vento Norte, fone (41) 3068-6675.rnrn

Fonte: Gazeta do Povo

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