nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta sexta-feira (14), apresenta uma fotografia mais apertada da corrida presidencial de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua liderando as intenções de voto, mas viu sua vantagem diminuir diante do crescimento de Flávio Bolsonaro (PL).
No primeiro turno, Lula aparece com 38% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 31%. Na pesquisa anterior, Lula tinha 39% e Flávio, 30%. A diferença, portanto, caiu de nove para sete pontos percentuais. Como a margem de erro é de dois pontos, as osAcilações estão dentro do intervalo estatístico do levantamento.
O cenário fica ainda mais competitivo em uma eventual disputa de segundo turno. Lula aparece com 43%, contra 40% de Flávio Bolsonaro. Considerando a margem de erro, os dois estão tecnicamente empatados. É a primeira vez desde junho, segundo análise divulgada pela Quaest, que os dois aparecem nessa condição em um eventual segundo turno.
rejeição de lula chega a 52%
Um dos números que mais chamam atenção no levantamento é o índice de rejeição.
52% dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum. Flávio Bolsonaro aparece com 54%, os dois maiores índices entre os nomes testados.
A elevada rejeição coloca um desafio importante para os dois principais candidatos. Ao mesmo tempo em que Lula mantém a liderança, mais da metade dos entrevistados declara resistência à sua candidatura.
É justamente nesse ponto que a atuação das instituições passa a fazer parte do debate político.
atuação do STF volta a ser questionada
A atuação do Supremo Tribunal Federal voltou a ocupar espaço importante no debate eleitoral, especialmente diante de decisões e investigações conduzidas por ministros como Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Dias Toffoli e Cristiano Zanin.
Setores da oposição e críticos do STF sustentam que determinadas decisões da Corte ultrapassariam os limites da atuação judicial e poderiam produzir efeitos políticos sobre a disputa eleitoral. Para esses grupos, a atuação de ministros do Supremo acaba alimentando o desgaste do governo e, consequentemente, poderia contribuir para aumentar a rejeição de Lula.
Essa é, entretanto, uma interpretação política, e a pesquisa Quaest não estabelece qualquer relação de causa e efeito entre decisões do STF e os 52% de rejeição registrados por Lula.
O debate, porém, ganhou novo combustível diante de episódios recentes envolvendo ministros da Corte. Nesta sexta-feira, por exemplo, decisões de Alexandre de Moraes relacionadas a uma investigação envolvendo o ministro Flávio Dino voltaram a gerar discussão sobre os limites da atuação individual dos ministros e a necessidade de maior participação do colegiado.
críticas apontam possível desgaste político
Para críticos do Supremo, a repetição de decisões envolvendo temas políticos, investigações e figuras ligadas ao cenário eleitoral acaba colocando o STF no centro da disputa.
A avaliação desses setores é de que, quanto maior a percepção de interferência do Judiciário na política, maior pode ser o desgaste daqueles que são vistos pelo eleitor como beneficiários dessas decisões.
Nesse contexto, a oposição procura associar o desgaste provocado pelas decisões judiciais ao governo Lula, argumentando que a atuação de ministros do STF pode acabar tendo efeito eleitoral contrário ao presidente.
É importante destacar, porém, que não há, na pesquisa Quaest, uma pergunta que permita afirmar que o eleitor rejeita Lula por causa das decisões do Supremo. Portanto, essa relação deve ser tratada como hipótese ou interpretação política, e não como conclusão estatística.
governo também enfrenta avaliação dividida
Além da rejeição eleitoral, a pesquisa mostra uma avaliação dividida do governo.
Segundo o levantamento, 48% desaprovam o trabalho de Lula, enquanto 46% aprovam. Na avaliação geral do governo, 36% classificam a administração como positiva, 37% como negativa e 25% como regular.
Outro dado relevante é que 53% dos entrevistados consideram que o Brasil está indo na direção errada, enquanto 41% avaliam que o país está seguindo na direção certa.
Esses números indicam que o presidente não enfrenta apenas o desafio de manter sua base eleitoral. A campanha também terá de buscar uma parcela significativa do eleitorado que demonstra insatisfação com o governo.
adversários avançam
Enquanto Lula oscila para baixo, Flávio Bolsonaro registra crescimento no primeiro e no segundo turno.
No primeiro turno, Flávio passou de 30% para 31%. No segundo, subiu de 39% para 40%, enquanto Lula caiu de 44% para 43%.
A diferença, embora ainda favoreça Lula numericamente, mostra uma eleição mais competitiva às vésperas do início oficial da campanha.
Os demais candidatos aparecem mais distantes. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) têm 4% cada, enquanto Romeu Zema (Novo) aparece com 2% e Augusto Cury (Avante) também registra 2%.
eleição entra em uma nova fase
A pesquisa Quaest foi realizada presencialmente com 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de agosto, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06773/2026.
Os números mostram que Lula permanece na liderança, mas também revelam uma disputa cada vez mais apertada.
A combinação de liderança menor, adversários avançando, rejeição elevada e forte debate em torno da atuação do STF cria um cenário politicamente delicado para o presidente.
Para a oposição, decisões de ministros do Supremo podem acabar ampliando o desgaste de Lula junto a uma parcela do eleitorado. Para os defensores do governo e do STF, entretanto, decisões judiciais devem ser avaliadas pelos seus fundamentos jurídicos e não pelo eventual impacto eleitoral.
O fato objetivo apontado pela pesquisa é que Lula continua na frente, mas enfrenta 52% de rejeição e vê Flávio Bolsonaro se aproximar.
Com o início oficial da campanha, o grande desafio do presidente será transformar sua liderança numérica em votos efetivos, enquanto seus adversários tentarão explorar justamente os pontos de maior vulnerabilidade: a rejeição ao governo, a avaliação negativa da situação do país e o desgaste provocado pelo intenso debate político em torno do Supremo Tribunal Federal.
O Brasil está de olho, e a nova pesquisa mostra que a eleição está longe de estar decidida
JRDIARIO FOTO POR IA

























