A Polícia Civil concluiu inquérito nesta segunda-feira (29) do padrasto que estuprou e matou a enteada de 9 anos na zona leste de Londrina no último dia 20. Ele foi indiciado por três crimes: dois estupros de vulnerável majorado – por conta de ter sido praticado pelo padrasto – e pelo feminicídio da menina.rnA princípio, a polícia tinha afirmado que o padrasto confessou que estuprou a menina pela primeira vez e cometeu o homicídio para encobrir o crime. Contudo, o laudo do IML (Instituto Médico-Legal) apontou que ela já tinha sido violentada anteriormente. Segundo a delegada do Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes), Lívia Pini, o colégio em que a menina estudava já tinha acionado a rede de proteção à criança por conta de mudanças abruptas no comportamento dela desde abril.rnrnO padrasto, a mãe da menina, os vizinhos e pessoas que compunham a rede de proteção foram ouvidos sobre o primeiro abuso, confirmado a partir do laudo pericial. “Os indícios de que o autor do primeiro abuso seja o padrasto são fortes. Existem relatos de alteração do comportamento da criança, que são indicativos de violência, embora não tenha sido algo claro que teria havido o estupro no início desse ano”, disse.rnDe acordo com Pini, a menina apresentava sinais de agressividade que podem ser vinculados a uma situação de violência. “Em razão disso foi feito um trabalho com o Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) e com a família para verificar, houve suspeita de violência doméstica e isso foi o que pesou mais, já que se vinculou a essa violência doméstica. Ninguém tinha suspeita nem de violência física contra as crianças.”rnA rede de proteção concluiu que a alteração do comportamento poderia ser da vivência familiar. Todos os ouvidos se mostraram bastante surpresos com o crime, de acordo com a delegada. “Todo mundo disse se tratar de uma família normal, apesar de relatos de violência contra a mãe”, comentou. “Não foi possível afirmar materialmente a partir dos elementos coletados que ela soubesse”, acrescentou ao falar sobre as suspeitas de consentimento da mãe. rnEmbora ainda existam resultados de exames pendentes, o inquérito foi encaminhado para a Justiça, que avaliará nos próximos dias sobre a ação penal. Em depoimento, o padrasto negou o primeiro abuso sexual, mas manteve a confirmação do segundo estupro e do homicídio. Pini acredita que já está bastante consubstanciada a prova do segundo estupro. “Ele nega o uso de preservativo, acreditamos que esse preservativo encontrado tenha sido uma eventualidade, acreditamos que o resultado desse exame pericial venha a ser negativo”.rnALICIAMENTOrnA menina tinha uma irmã mais nova, que relatou não ter passado por abuso. Já o pai biológico da menina é do Maranhão e estava preso por homicídio. A relação de paternidade da menina era com o padrasto, que há oito anos se relacionava com a mãe. Após o acionamento da escola à rede de proteção, foram levantadas suspeitas em relação ao padrasto de violência doméstica contra a mãe. “Foi feita uma entrevista com a criança na escola, o Centro de Referência e o Conselho Tutelar interviram, mas nessa entrevista ela não relatou abuso. Apenas ingestão de bebida alcoólica pelo padrasto”. A menina teria indicado apenas a violência doméstica contra a mãe. “Falaram com ela sobre canais que ela poderia entrar em contato em caso de abuso sexual”, disse. rnO Nucria suspeita que o padrasto aliciava a menina com presentes desde o abuso anterior. “Ele deu os primeiros R$ 5 e depois ofereceu mais R$ 5”. Ainda há relatos que a menina teria sido atendida por dor abdominal, conforme Pini. rnHISTÓRICOrnO padrasto tinha feito um boletim de ocorrência alegando que a enteada tinha desaparecido no sábado (21). Contudo, no domingo (22), sob ameaças de agressão de vizinhos, ele confessou aos policiais militares que matou a menina. Na segunda-feira (23) em depoimento à Polícia Civil o padrasto afirmou que assassinou para que ela não contasse a ninguém que ele tinha a estuprado naquele dia. Ele está preso na PEL 1 (Penitenciária Estadual de Londrina).rn“Ele confirmou que ela estaria com R$ 5 na hora que foi para o local com ele. Não soube explicar como que ele convenceu ela a descer até aquele local, aí levantamos a hipótese de ele estar aliciando ela de alguma forma, de já ter oferecido esses R$ 5 iniciais, mas isso ele não confirmou”, contou a delegada do Nucria.rnO padrasto disse ainda que ofereceu o dinheiro para a menina e que ela não aceitou. “Por isso que a gente acredita que esses R$ 5 que estavam na mão dela não era o dinheiro que ele teria dado. A gente acredita que esse dinheiro já estaria com ela, fonte de aliciamento anterior”. O homem teria a matado após ela não ter aceitado o dinheiro para comprar o silêncio.rn“A mãe relata que fez um trabalho preventivo com a criança no sentido de falar para ela que se acontecesse qualquer coisa ela deveria contar. A gente não sabe se isso ela fez em razão da suspeita da rede de proteção ou se ela mesmo tinha desconfiança, mas essa mãe fez esse trabalho, até por isso que ela manifestou que contaria para a mãe sobre a violência sexual”, explica a delegada. O dinheiro foi encaminhado para perícia para verificar vestígios de droga utilizada pelo padrasto, como ele alega que usou.rn
Fonte: Folha de Lodnrina – foto: Ricardo Chicarelli
























