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Wenceslau Braz poderia ter um hospital regional

Duas cidades, duas histórias de hospitais, duas realidades completamente opostas e um nome em comum. Você sabia que os investimentos milionários que acontecem agora no Hospital Regional de Santo Antônio da Platina poderiam acontecer no hospital regional de Wenceslau Braz? Possivelmente o maior motivo destes recursos não estarem em solo brazense é que este HR não existe e nem nunca existiu. Ou ao menos nunca saiu do papel – exceto por parte do alicerce.rnConsquentemente, enquanto um passará a ter 20 leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) até o fim deste ano, o outro vê mato crescer em suas ruínas há anos e anos.rnBom, mas para o leitor entender esta história por completo é preciso voltar ao começo da década de 90. E aí surge o nome em comum entre os dois hospitais (o que existe e o que não existe): Cezar Santucci, prefeito de Wenceslau Braz entre 1989 a 1992 e idealizador do projeto de construir um hospital regional no município. Curiosamente o mesmo Cezar Santuci foi diretor geral do Hospital Regional de Santo Antônio da Platina por quase três anos, e um dos responsáveis pela instituição conseguir hoje estes investimentos milionários.rnMas voltando ao começo da década de 90, é ali que está a história de um hospital que nunca existiu. E de um sonho de muitos que virou até pesadelo para Santucci. Este era o prefeito brazense, como já foi dito. O presidente da república era Fernando Collor, enquanto o ministro da Saúde era Alceni Guerra, paranaense de Pato Branco, e logo o leitor verá que estes nomes não estão aqui fora de contexto.rnSantucci tinha um objetivo claro em sua mente: fazer de Wenceslau Braz uma cidade pólo regional. Então, a construção de um hospital referência matava dois coelhos de uma vez só, já que sanava a questão da saúde pública do município e ainda atrairia investimentos e um grande movimento vindo das cidades vizinhas, fortalecendo e muito a economia local.rnCom o projeto em mãos, o então prefeito de Wenceslau foi até Brasília pedir por recursos. “Quando cheguei lá fui recebido pelo Rafael Greca, que já me conhecia, e nós entramos pela cozinha do gabinete do Alceni Guerra. Me lembro como se fosse ontem”, recorda o ex prefeito. “Quando mostrei pro Alceni o projeto ele achou ótimo. Falou que Wenceslau Braz estava em um ponto estratégico, e já na assinatura do convênio peguei recursos para fazer a terraplanagem do terreno para construir o hospital”, continua.rnNo entanto, a alegria durou pouco. O ministro teve o nome envolvido em um escândalo de compras superfaturadas, e foi exonerado pelo presidente Collor. “O recurso que eu peguei era suficiente para fazer a terraplanagem, e nós fizemos. Com dinheiro da prefeitura também fizemos todo o alicerce do hospital. Mas o Alceni caiu e quando fui para Brasília de novo me disseram que as obras que não estavam em andamento não iriam continuar, e que o hospital de Wenceslau era uma delas. Logo terminou meu mandato como prefeito e o sonho que eu e muitos tinham infelizmente acabou”, lamenta Santucci.rnO ex-prefeito ainda chegou a ser processado pelo início da construção, já que a obra ficou parada, porém foi absolvido.rnQuis o destino, porém, que duas décadas depois justamente Santucci assumisse a direção geral do Hospital Regional de Santo Antônio da Platina. “Acho que foi Deus que me colocou 20 anos depois na direção do hospital em Santo Antônio, para que de uma forma eu ainda pudesse ajudar as pessoas de Wenceslau Braz, que também são atendidas lá, e de toda a região, que era meu objetivo lá atrás”, pontua Cezar, que foi exonerado do HR em junho do ano passado após pedir por três vezes para ser exonerado alegando incompatibilidade entre o trabalho no hospital e sua vida particular.

Fonte: Folha Extra – Lucas Aleixo

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