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Machismo e rancor da direita pesaram em queda de Dilma, diz jornal britânico

Como era esperado, a repercussão foi dominada pela percepção de que o governo de Michel Temer precisará investir pesado em um arrefecimento do clima de polarização política no país, ao mesmo tempo em que busca a estabilização econômica.rnMas novamente houve espaço para críticas ao establishment político brasileiro. Abaixo, um resumo da visão de algumas dos principais veículos de mídia do mundo.rnThe Guardian, Reino UnidornEm editorial com o título “O sistema político deveria ir a julgamento, não apenas uma mulher”, o jornal britânico diz que o Brasil “meteu-se em uma imensa bagunça e é difícil ver como pode sair dela”.rnApesar de ressaltar que a presidente cometeu erros que, na opinião do jornal, contribuíram para sua queda, o Guardian classifica o impeachment como prova clara de problemas estruturais na política brasileira. “Não foi apenas a carreira de Dilma que caiu, mas o sistema democrático brasileiro como um todo”.rnPara o jornal, “o preconceito contra uma líder mulher e rancores de uma direita que nunca aceitou totalmente a ascensão do PT” tiveram papel nessa queda.rnO jornal classifica o sistema político brasileiro como “disfuncional ao ponto de tornar a corrupção virtualmente inevitável e obstruir a boa governança”.rnO Guardian defende a necessidade de mudanças constitucionais radicais para tornar a política mais executável e “honesta” no Brasil, mas disse duvidar da capacidade do governo Temer de fazer o que definiu como uma guinada.rnImage copyrightGETTYImage captionPara o “Guardian” Dilma não deveria ser a única em julgamentornNew York Times, EUArnCom uma reportagem de seu correspondente no Brasil, Simon Romero, o NYT dá destaque para o anúncio do ministério de Temer, mencionando a ausência de mulheres, negros e a escolha do líder ruralista e megaprodutor Blairo Maggi para o Ministério da Agricultura.rnMas vê como positiva a escolha do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles para a pasta da Fazenda, lembrando que este havia feito parte do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.rnEm editorial, o jornal diz que Dilma “está certa ao questionar as motivações e autoridade moral dos políticos que a querem tirar do poder”, apesar de classificar a agora presidente suspensa como uma “péssima política”. O NYT considera que Dilma parece destinada a pagar “um preço altamente desproporcional por seu problemas administrativos enquanto seus acusadores mais ardentes são acusados crimes mais graves”.rn”Eles podem descobrir que muito da ira dirigida a ela poderá em breve ser redirecionada”, diz o jornal.rnWall Street Journal, EUArnAdotando um tom mais pragmático, apesar de identificar Temer como um “orquestrador” do impeachment de Dilma, a publicação americana diz que o principal desafio do presidente interino é demonstrar se a troca de poder poderá reanimar a economia brasileira tendo em vista sua falta de apoio popular e o fato de que terá pela frente o PT na oposição – que é o segundo maior partido do Congresso.rnrnEscolha de Meirelles para a Fazenda foi elogiadarnFinancial Times, Reino UnidornCom o título “Novo líder do Brasil enfrenta crise tripla”, o FT volta a defender a realização de novas eleições e reforma política com a melhor saída para o país. Mas elogia a escolha do que chamou de “equipe econômica com credibilidade”, destacando a escolha de Henrique Meirelles para a Fazenda e prevendo uma mensagem positiva para o mercado.rnO jornal britânico diz ainda que Temer precisa permitir que a Operação Lava Jato prossiga, mesmo que isso possa deixar o presidente interino “mais exposto”.rnLa Nación, ArgentinarnA publicação sul-americana destaca a troca de poder como uma “demonstração da face anacrônica de um país de aspirações modernas”.rn”Na bandeira do Brasil há o lema “Ordem e Progresso”, mas a imagens deixadas pelas sessões do processo de impeachment de Dilma Rousseff mostraram o contrário”, escreve o correspondente no Brasil, Alberto Almendariz.rnrnSistema político brasileiro está desacreditado na visão internacionalrnLe Monde, FrançarnO jornal europeu desta a polêmica formação do ministério de Temer (“23 homens, todos brancos”), mencionando ainda as ligações da Operação Lava Jato com o novo partido do governo, o PMDB.rnO Le Monde elogia a intenção de Temer de criar um governo de união nacional ao abrir espaço para Meirelles e José Serra. Mas diz ver o Brasil em uma crise de confiança e classifica a suspensão de Dilma como “resultado de manobras de uma classe política altamente desacreditada”.

Fonte: BBC

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