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PR-436: um triste retrato do Norte Pioneiro

O trecho da PR-436 entre Ibaiti e Ribeirão do Pinhal é um retrato fiel de todo o Norte Pioneiro. Os mais de 50 quilômetros de uma rodovia estadual de terra simbolizam toda a falta de infraestrutura típica da região e o descaso que os governos do Paraná tiveram com este cantinho do Estado desde sempre (com a torcida de que não seja para todo o sempre, amém).rnEste trecho compreende uma bacia leiteira interessantíssima, que produz em média 15 mil litros de leite por dia, além de ter uma das maiores produções de tijolo artesanal do Norte do Paraná. Isso sem contar na grande quantidade de soja produzida a na extensa criação de gado existente também por ali.rnSão cinco comunidades cortadas ou margeadas pela PR-436, em um total de aproximadamente 15 mil pessoas que dependem da rodovia para ter acesso ao centro de algum município – seja Ibaiti, seja Ribeirão do Pinhal.rnMas não é isso que faz deste empoeirado trecho um retrato da região. O proporciona à 436 esta analogia são semelhanças a se lamentar. O primeiro deles é, obviamente, o descaso do Paraná com o Norte Pioneiro.rnTanto rodovia quanto a região são donos de um potencial significativo em vários setores, porém assistem há anos essas potencialidades sucumbirem frente à falta de investimentos significativos, que resultam uma infraestrutura extremamente precária.rnSe a rodovia não tem asfalto, a maior parte da região tem índices lamentáveis de coleta e tratamento de esgoto. Se o escoamento da produção das comunidades instaladas às margens da 436 é crítico, o mesmo acontece em todo Norte Pioneiro, que pena com uma malha rodoviária das piores do Estado.rnDepois vale a pena citar as falsas promessas – e o quanto a população insiste em cair nas velhas “pegadinhas” da política e na sua incompetência na hora de protestar e votar. Segundo Ezequiel Bispo dos Santos, morador da Vila Guay (uma das cinco comunidade instaladas neste trecho da 436) há mais de meio século, que em 1964 houve a promessa de que em breve a rodovia seria asfaltada de Ibaiti até Ribeirão do Pinhal. 50 anos se passaram e as promessas continuaram sendo feitas, com os moradores da região acreditando, e seus autores as descumprindo.rnE quantos protestos efetivos aconteceram em todo este tempo? Sem dúvida um número infinitamente inferior ao número de promessas feitas por políticos.rnEm 1986 o governo do Paraná finalmente fez um projeto para a pavimentação da rodovia. Então parecia que finalmente o sonho se tornaria realidade. Mais 30 anos se passaram e o asfalto continua inexistente.rnO Norte Pioneiro e rodovia continuaram sem industrialização, perdendo importância, perdendo até “poder de barganha” no decorrer das décadas. Os três distritos deste trecho, que hoje poderiam compreender até um novo município, seguem estagnados no tempo. Realidade ainda mais cruel a dos outros dois bairros que completam as cinco comunidades da 436.rnCenário parecido com, por exemplo, Santo Antônio da Platina e Jacarezinho, que respectivamente também não ganharam o curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná e o aeroporto regional.rnOnde estão os investimentos? Vai ver estão junto com o asfalto, perdidos em alguma gaveta burocrática dos escritórios resfriados com ar condicionado pagos com o dinheiro do contribuinte, que no caso desta região, pouco revê aquele recurso que vai para os impostos.rnE assim Norte Pioneiro e PR-436 continuaram recebendo muitas promessas, poucos investimentos, e viram pela televisão e jornais outras regiões e rodovias atingirem patamar de primeiro mundo, enquanto por aqui nesta disputa se continua, literalmente, comendo poeira.rn 

Fonte: Jornal Folha Extra

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