Às vésperas da eleição para escolher a nova diretoria do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Norte Pioneiro (Cisnorpi), alguns prefeitos querem conhecer todo o funcionamento do órgão e ter acesso às contas – entrada e saída de dinheiro -, organograma e situação financeira atual. Segundo o prefeito de Tomazina, Guilherme Cury Saliba Costa (PPS), boa parte dos prefeitos que integra o Consórcio está preocupada com a instabilidade econômica do órgão, e quer se inteirar dos problemas na tentativa de solucioná-los. “Não estamos falando da administração do atual presidente, o prefeito de Quatiguá, Fernando Dolenz (DEM). Ele já assumiu o Cisnorpi com todas as dificuldades e vem trabalhando para tentar resolvê-las. Temos conversado sobre isso. O Cisnorpi está em crise há bastante tempo. Alguns prefeitos, que prefiro não nomeá-los porque não tenho autorização para falar em nome deles, estão insatisfeitos com os serviços oferecidos. Queremos descobrir a origem dos problemas para poder encontrar soluções que realmente venham a contribuir para a melhoria da saúde do Norte Pioneiro”, disse salientando que para isso é preciso saber o quanto o órgão arrecada dos municípios, do Estado, quais os serviços oferecidos, o quanto gasta com cada um e qual o saldo desse levantamento. rnSegundo Guilherme Costa, o momento não é de ‘racha’. “Estamos pensando em chapa única para a eleição. O atual presidente diz que aceita a reeleição. Eu fico disponível, caso essa seja a vontade da maioria, mas eu não disputaria a presidência com o Fernando. Apenas me coloco à disposição se ele não quiser se candidatar ou não seja consenso da maioria. Se todos fecharem com o Fernando (Dolenz), estou em pleno acordo”, explicou.rnPara o prefeito de Tomazina, a eterna crise econômica do Hospital Regional do Norte Pioneiro,sediado em Santo Antônio da Platina, e mantido pelo Cisnorpi em parceria com o Estado, é um reflexo da crise do consórcio. “A cada dia piora a saúde oferecida a população do Norte Pioneiro. Estamos tapando o sol com a peneira.O Cisnorpi vai acabar perdendo municípios colaboradores e pode até se tornar inviável”, comentou. rnO atual presidente, prefeito de Quatiguá, Fernando Dolenz disse que tudo caminha para que a eleição conte realmente com chapa única, e que se for consenso de todos, será o candidato à presidência. “Eu era vice do ex-presidente João Mattar, prefeito de Cambará. Assumi em definitivo em junho, após ele ter renunciado para tratamento de saúde. Nesse período elaboramos um novo estatuto para reger o funcionamento do Cisnorpi, e acredito que corrigimos diversas falhas”, disse explicando que pelo estatuto antigo, a maioria das decisões era tomada por meio de resoluções, inclusive as contratações de pessoal. “Também há uma disparidade nos valores dos salários dos funcionários. O novo regulamento corrige essas questões e também aborda o oferecimento dos serviços médicos. Quero apresentar esse documento em assembleia com os prefeitos marcada para o dia 12 deste mês. Pode ser que a eleição seja realizada no mesmo dia ou que seja adiada para favorecer um debate mais amplo entre os prefeitos dos 22 municípios atendidos pelo Consórcio”, disse. rnrnCisnorpi rnrnO Consórcio Intermunicipal do Norte Pioneiro sediado em Jacarezinho, integra 22 municípios da região, que participam através de uma contribuição mensal relativa ao número de habitantes de cada cidade. O órgão tem a finalidade de oferecer serviços de saúde aos pacientes e também realiza a gestão compartilhada com o Estado do Hospital Regional do Norte Pioneiro, com sede em Santo Antônio Platina.rnNo início deste ano, o consórcio foi alvo de investigação do Ministério Público com base em denúncias sobre irregularidades em vários setores. Alguns funcionários foram demitidos, assim como dois ocupantes de cargo de alto escalão. O presidente, na época, prefeito de Cambará, João Matar,foi afastado e logo depois reconduzido ao cargo. Pouco tempo depois, ele renunciou por motivo de saúde. O vice, Fernando Dolenz assumiu definitivamente em junho deste ano. rnPor conta da crise, o Hospital Regional passou a ter dificuldades para fazer o pagamento dos salários dos médicos e também dos fornecedores. O caso se tornou público com as ameaças dos médicos de paralisação das atividades.
Fonte: Gladys Santoro – Tribuna do Vale – Foto: Antonio Picolli

























