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Professores estão divididos em assembleia na Vila Capanema que decide se greve acaba ou não

 A assembleia dos professores que acontece no Estádio Dorival de Britto (Vila Capanema) na manhã desta terça-feira (9) está sendo marcada por discursos contra e a favor da continuidade da greve. A decisão de voltar ou não às salas divide praticamente todos os professores presentes na assembleia. Somando as duas paralisações, a greve já atingiu 74 dias. Núcleos sindicais do interior do Estado somam a maioria entre aqueles que querem continuar em greve.rnOs professores ouvidos pela Banda B parecem divididos. Alguns demonstram estar dispostos a acabar com o movimento. Outros, indicam que não aceitam a última proposta do governo que, basicamente, estabelece a reposição integral da inflação, mas só a partir do ano que vem.rn“Eles têm que ceder. Não podemos aceitar só o que ofereceram”, disse uma professora que se identificou como Adevania. Outros, querem um acordo. “A expectativa é que possamos chegar num entendimento e que a gente tome uma decisão sábia. Não há mais como continuar. A expectativa é pelo fim da greve. Vamos ver a votação. Pensando mais no aluno. Alguém tem que dar um ponto final nisso”, afirmou o professor Jonatham, de Laranjeiras do Sul.rnHá caravanas de várias cidades do interior chegando na Vila Capanema. Ônibus de Palmas, Londrina, Laranjeiras do Sul, entre outros.rnOntem (8), o governo do estado enviou à Assembleia Legislativa, o projeto que cria um plano de reajuste até 2017. Na prática, o Executivo se compromete a garantir o pagamento da inflação, medida pelo IPCA. A expectativa é que a proposta convença os professores a encerrarem a greve. Entre os deputados, o clima é de confiança no fim da paralisação, para que o projeto possa ser votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) já na tarde desta terça.rnOntem também, a Secretaria da Educação apresentou à APP-Sindicato uma série de condições para não descontar os dias parados durante a greve. Segundo o governo, as faltas do mês de abril (4 dias) foi um dos principais pontos de debate. Só serão reembolsadas e tornadas sem efeito a partir do momento que houver a entrega dos Relatórios Mensais de Freqüência (RMFs) até o dia 12 de junho e forem elaborados e homologados todos os calendários das unidades escolares pelas chefias dos Núcleos Regionais de Educação (NREs). A data limite para as escolas encaminharem seus calendários é 19 de junho.rnEntendarnA greve atinge aproximadamente 1 milhão de alunos em todo o estado, matriculados em cerca de 2,1 mil escolas da rede. O Executivo estadual ofereceu 3,45% de reajuste, em parcela única, no próximo mês de outubro, para todos os servidores, referentes à inflação entre os meses de maio – quando ocorre a data-base dos professores – e dezembro de 2014. Em janeiro de 2016, os servidores devem receber novo aumento, com a inflação acumulada em 2015, mais um ponto percentual. A mesma medida deve ser tomada em janeiro de 2017.rnA categoria pede 8,17% de aumento na data-base, além da garantia de que as faltas não serão descontadas na folha de pagamento. As duas greves dos professores já consumiram 49 dias letivos, segundo o governo, desde o início do ano. Pela Lei de Diretrizes e Bases, que regulamenta a educação no Brasil, as escolas devem cumprir pelo menos 200 dias letivos. A Secretaria de Educação diz que só vai montar um calendário para a reposição das aulas após o fim da greve.rnA segunda fase da greve dos professores paranaenses começou em 25 de abril. Eles decidiram cruzar os braços, depois de o governo reenviar projeto de lei à Assembleia Legislativa, propondo mudanças na Previdência dos servidores estaduais. Os professores foram contra, argumentando que a medida colocava em risco a sustentabilidade da Previdência estadual.rnPara protestar contra as mudanças, os professores acamparam no Centro Cívico, em Curitiba, onde fica a Assembleia e a sede do governo do Paraná. No dia 29 de abril, os deputados estaduais decidiram votar o projeto. Para dispersar os manifestantes que se reuniram em frente à Assembleia, a Polícia Militar (PM) usou balas de borracha, bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo e cães. A ação deixou mais de 200 pessoas feridas. O projeto de lei foi aprovado e sancionado pelo governador Beto Richa menos de 24 horas após o protesto.rnDepois da operação da polícia, o secretário de Educação, Fernando Xavier, envolvido na negociação com os professores, pediu demissão. O secretário de Segurança Pública, Fernando Francischini, e o comandante-geral da PM, coronel Cesar Vinicius Kogut, também pediram exoneração do cargo.rnO Ministério Público do estado e o Ministério Público Federal investigam se houve abuso dos policiais durante o protesto. O governador Beto Richa afirmou, em comunicado nas redes sociais, que a violência foi “lamentável sob todos os lados”.rnA primeira etapa da paralisação, de fevereiro para março, ocorreu quando a Assembleia Legislativa do Paraná votaria um conjunto de medidas propostas pelo governo estadual para reduzir despesas e gerar receitas. Funcionários públicos estaduais ocuparam o plenário da Casa, até que o Executivo retirou os projetos e se comprometeu a não apresentar qualquer medida que suprimisse direitos dos servidores públicos. À época, os professores ficaram 29 dias parados.

Fonte: Bemparana

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