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“Onde estão as provas? Inexistem”, diz Temer sobre denúncia

O presidente Michel Temer fez um pronunciamento nesta terça-feira (27), depois que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ofereceu denúncia ao STF acusando-o de corrupção passiva.rnO principal ponto do discurso de Temer foi o questionamento sobre as provas contra ele. “Onde estão as provas concretas de recebimento destes valores? Inexistem”, afirmou.rnEle se referiu a Janot, sem citar seu nome, dizendo que as denúncias inauguravam uma nova “modalidade” de investigação, por ilação (dedução, inferência).rn“As regras mais básicas da Constituição não podem ser esquecidas, jogadas no lixo, tripudiadas pela embriaguez da denúncia, que busca a revanche, a destruição e a vingança”, disse.rnEle também se defendeu sobre a visita de Joesley Batista ao Palácio do Jaburu fora do horário oficial: “Recebi sim. Naquela oportunidade, o maior produtor de proteína animal do mundo. Interessante é que eu descobri o verdadeiro Joesley, o bandido confesso, junto com todos os brasileiros, quando ele revelou os crimes que cometeu ao MP sem nenhuma punição”.rnTemer finalizou ressaltando seu orgulho em ocupar a presidência da República. “Eu tenho orgulho de ser presidente, convenhamos, para mim é algo tocante. Não sei como Deus me colocou aqui, dando-me uma tarefa difícil, mas certamente para que eu pudesse cumpri-la”.rn“Quorum”rnTemer abriu o discurso agradecendo à presença “espontânea” de membros da sua base aliada, afirmando que, se fosse presidente da Câmara, abriria a sessão por ter “quorum”.rnNo entanto, segundo a jornalista Andreia Sadi, da GloboNews, o presidente atrasou o pronunciamento em mais de uma hora para esperar até que a sala estivesse um pouco mais cheia de aliados.rnNem o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, nem o do Senado, Eunício Oliveira, foram acompanhar o discurso de Temer.rnAo final da fala, foi possível ouvir um dos parlamentares gritando “Bravo!”rnTemer sugere enriquecimento de ex-assessor de JanotrnEm seu discurso, Michel Temer citou que a denúncia contra ele inaugurava a modalidade da “ilação”, de investigação por dedução e sem provas. Disse que poderia exemplificar o caso contando a história de um ex-assessor de Rodrigo Janot:rn“Permitiria construir a seguinte hipótese: um assessor muito próximo ao procurador-geral da República, e dou seu nome (por uma razão: porque meu nome foi usado deslavadamente inúmeras vezes na denúncia, havia até um desejo de ressaltar quase em letras garrafais o meu nome). Por isso eu dou o nome deste procurador da República de nome Marcelo Miller, homem da mais absoluta confiança do procurador-geral.rnEu, que sou da área jurídica, eu digo a vocês que o sonho de acadêmico de direito, de todo advogado, era prestar concurso para ser procurador da República. Pois bem, esse senhor que acabei de mencionar e lamento ter de fazê-lo, esse senhor deixou um emprego que, como eu disse, é o sonho de milhares de acadêmicos, abandona o Ministério Público, para trabalhar em empresa que faz delação premiada ao procurador-geral.rnE vocês sabem que quem deixa a procuradoria tem uma quarentena, de dois ou três meses. Não houve quarentena nenhuma, o cidadão saiu e já foi trabalhar, depois de procurar a empresa para oferecer serviços, e ganhou na verdade milhões em poucos meses, o que talvez levaria décadas para comprar. Garantiu ao seu novo patrão, a empresa que o contratou, um acordo benevolente, uma delação que tira seu patrão das garras da Justiça, que gera uma impunidade nunca antes vista. E tudo ratificado, tudo assegurado pelo procurador-geral.rnPelas novas leis penais que eu estou dizendo da chamada ilação, ora criada nesta denúncia, que não existe no Código Penal, poderíamos concluir nesta denúncia que eu estou mencionando que talvez os milhões de honorários recebidos não fossem unicamente para o assessor de confiança, que na verdade deixou a procuradoria para trabalhar nessa matéria. Mas eu tenho responsabilidade, eu não farei ilações. Eu tenho a mais absoluta convicção de que não posso denunciar sem provas”.rnAs principais frases do discurso:rnrnEu digo meus amigos e minhas amigas sem medo de errar que a denúncia é uma ficção.rnMichel Temerrn   rnrnrnEu devo explicações ao povo brasileiro, a cada cidadão, especialmente a minha família e amigos. Não há nada mais desagradável, os senhores têm familiares, do que a sua família estar a todo momento ligando a televisão ou os jornais e dizendo que seu irmão, seu tio, seu pai, é um corrupto. Não há nada mais desagradável que isso, esse é o ponto que mais me toca.rnMichel Temerrn   rnrnrn“As regras mais básicas da Constituição não podem ser esquecidas, jogadas no lixo, tripudiadas pela embriaguez da denúncia, que busca a revanche, a destruição e a vingança”rnMichel Temerrn   rnrnrnQuerem para o país, parar o Congresso, num ato político com denúncias falsasrnMichel Temerrn   rnrnrnE no caso do senhor grampeador [Joesley], o desespero de se safar da cadeia moveu a ele e seus capangas, para na sequencia haver homologação de uma delação e distribuiu o prêmio da impunidade. Criaram uma trama de novela.rnMichel Temerrn   rnrnrnNão fugirei das batalhas, nem da guerra que virá pela frenternMichel Temerrn   rnrnEntendarnA denúncia é baseada na delação premiada de Joesley Batista, que incluiu uma gravação de conversa com o presidente e implicou também o deputado Rodrigo Rocha Loures, do Paraná.rnNo documento, Janot acusa Temer formalmente de ter recebido 500 mil reais, pagos por Joesley Batista, por intermédio de Rocha Loures e entregues por Ricardo Saud, executivo da J&F.rnNa acusação, Janot pediu ainda que Temer devolva R$ 10 milhões aos cofres públicos por danos morais coletivos.

Fonte: Revista Exame

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