O prefeito de Ribeirão Claro (Norte Pioneiro), Geraldo Maurício Araújo, pretende criar mecanismos para impedir a possível exploração de petróleo e de gás natural na região. A preocupação de Araújo e dos prefeitos dos municípios vizinhos começou no final de maio, quando a Agência Nacional do Petróleo (ANP) iniciou uma sondagem para mapear o solo da região e verificar se há condições para a presença de petróleo e de gás natural. A pesquisa será realizada até outubro e abrange 177 municípios do Paraná e 90 municípios do Estado de São Paulo. rn”A gente realmente não esperava por isso. Eles vieram de supetão, sem avisar. Não tínhamos conhecimento sobre todo o impacto que pode ser gerado por esse tipo de exploração. Infelizmente, a gente não pode barrar a pesquisa, mas o pessoal já está se mobilizando”, destacou Araújo. rnSegundo ele, prefeitos da região pretendem estabelecer proibições na exploração dos produtos por meio de projetos de lei que devem ser votados nas câmaras municipais. Eles temem que a técnica de fraturamento hidráulico, conhecida como “fracking”, seja utilizada na extração dos produtos e cause danos ambientais na região. rnPoços perfurados pela Petrobras nas décadas de 1980 e 1990 apontaram indícios de que há petróleo e gás natural na área selecionada para a pesquisa. Na sondagem, caminhões emitem vibrações (ondas sonoras) no solo em pontos previamente determinados nas estradas e rodovias. Conforme a ANP, as ondas ultrapassam as rochas e retornam à superfície do solo gerando imagens a partir do intervalo de tempo entre a emissão da onda sonora e o retorno ao equipamento. Os resultados da pesquisa e o mapeamento das camadas rochosas são registrados nos chamados geofones. rnOs caminhões passaram por Ribeirão Claro há uma semana. Conforme o prefeito, não houve danos significativos à população. “Estamos em uma região privilegiada por belezas que envolvem os municípios de São Paulo e do Paraná. A Represa Chavantes tem um lago com 420 quilômetros quadrados de lâmina de água. Estamos trabalhando para transformar a região em um polo turístico”, ressaltou. rnA pesquisa sísmica custa ao todo R$ 59,9 milhões e foi licitada em outubro do ano passado pela Agência Nacional do Petróleo. De acordo com a assessoria de imprensa da ANP, após a coleta de dados na bacia sedimentar do Paraná haverá um longo caminho a ser percorrido até a constatação da existência de petróleo ou de gás natural na região. rnA ANP informou ainda que “as ondas sonoras emitidas pelos caminhões vibradores não são capazes de desencadear tremores ou abalos sísmicos” e garantiu que “a pesquisa realizada não agride o meio ambiente e nem tem relação com fraturamento hidráulico ou gás não convencional (gás de xisto)”.
Fonte: Viviane Costa – Folha de Londrina

























