Topo

Dia do Professor: Pai, mãe e filha lecionam no mesmo colégio em Quatiguá. Eles falam da profissão

Uma família unida até na profissão. Chrystian, Marcela, Christielen, Nycollas. Quatro membros, três professores. A mãe e os filhos nasceram em Quatiguá, o pai em Santo Antônio da Platina. Com várias formações, eles lecionam juntos no Colégio Estadual João Marques da Silveira de Quatiguá.rnNeste dia dos professores, o JRDiario conversou com três dos integrantes desta família vocacionada ao ato de ensinar. Eles falaram sobre as experiências, as diferenças e os desafios na transmissão de saberes para gerações distintas, além da relevância do profissional sempre se capacitar. Confira.rnVocaçãornChrystian Reis Galvão Coser, 47 anos, pai. É formado em Pedagogia e professor de Ciências Sociais e Geografia. Leciona desde 2015 na cidade e na vizinha Joaquim Távora. “Trabalhei como sonoplasta, radialista (Difusora Platinense, Vale do Sol e Matinal FM), ajudante geral, motorista, entregador de compras, vendedor, mas minha esposa me encantava com as experiências da profissão”. Ele ressalta os desafios que encontra e como é gratificante lecionar. “Ser professor nos dias de hoje é um desafio que vale a pena, é um eterno aprendizado. A troca de conhecimento e de experiências com os alunos e colegas professores se torna muito importante em nosso dia a dia e é uma honra essa vivência. rnChristiellen Maria Coser, 26 anos, filha. Inspirou-se na mãe para seguir a carreira de professora de Português e Inglês. É graduada em Letras-Inglês pela UENP, Pedagogia e Artes Visuais. “Escolhi a profissão por influência da minha mãe e por gostar de estudar idiomas. Na parte de Língua Portuguesa, eu gosto muito de ler e escrever – isso também auxiliou na escolha”. Estagiou no Projeto Piá de Quatiguá e iniciou a docência em 2015 na escola Sementinha do Saber de Joaquim Távora, onde leciona até hoje. No colégio de Quatiguá, divide a sala dos professores com os pais e colegas de trabalho. A jovem professora destaca que profissão não é fácil, porém sempre há a superação. “Não é fácil, porém, não é impossível. Ainda somos limitados em algumas situações e diversas exigências são colocadas por pessoas que nunca estiveram em uma sala de aula. Essas mesmas pessoas não sabem como a escola realmente funciona. Ainda assim, também conseguimos dar a volta por cima e lidamos com as dificuldades da melhor forma possível”. rnMarcela Cristina Mário Coser, 44 anos, mãe inspiradora. Antes das primeiras aulas, a docente já era efetiva na secretaria de uma escola municipal de 2006 a 2010. Giz e quadro foi consequência e no mesmo local, lecionou por dois anos. Já em 2012 passou no concurso da Secretaria de Educação do Estado do Paraná e assumiu como Pedagoga e Professora de Educação Especial. “Meu marido me incentivou a fazer faculdade, mas sempre foi um sonho de criança. Quando era pequena, tinha maior respeito pelas minhas professoras, era meu sonho ser como elas. Até mesmo na faculdade, a admiração pelas minhas professoras foi o que me motivou a ser a professora que sou”. Lembra-se que antes, quando trabalhava na confeitaria de sua mãe, a Dona Maura, e após ter o segundo filho, sentiu que era a hora de por em prática a sua vocação e com o incentivo do marido, entrou na faculdade e antes mesmo de terminar, passou no tão concorrido concurso para professor do Estado e a partir daí, o aprendizado foi constante, dias de alegria e de tristeza, lutas e o prazer em formar cidadãos conscientes. “Satisfação em momentos em que pude ajudar de alguma forma, meus alunos a se encontrarem, pois os adolescentes passam por muitos conflitos; também quando os alunos me falam que escolheram a carreira de professor por se inspirarem em mim”.rnO filho Nycollas estuda Design Gráfico, atua como estagiário na prefeitura local e auxilia com os sistemas da Vigilância Sanitária. Já fez curso de Processamento de Dados e é desenhista. Ainda pode ser contagiado pela carreira de professor.rnRealização no trabalhornChrystian e a esposa Marcela compartilham do mesma reflexão sobre o que a profissão trouxe de melhor para suas vidas: experiências diversas e conhecimento constante. Já a filha Christiellen destaca o amplo círculo de amizade que conquistou entre alunos, professores e funcionários das escolas.  rnEnsinar na PandemiarnProfessor Chrystian, que também é vereador (3ºmandato), diz que o chão da escola e a sala de aula são insubstituíveis. “Nas aulas remotas tivemos que nos reinventar a cada dia”. A filha Christielen destacou o uso de variadas ferramentas e o esforço para passar o conhecimento: “Tivemos que enfrentar a novidade do Meet e Google Classroom para não deixarmos nossos alunos sem aulas. Aparecer em câmera, gravar vídeos, atendimento fora do horário de trabalho – inclusive aos finais de semana. Enfim, muitos ensinamentos com as coisas novas, muita paciência adquirida e também, muito esforço da parte de todos. A professora Marcela resumiu em três palavras: Aprendizagem, Inovação, Determinação.rnAlegrias e TristezasrnMarcela Coser descreveu seus momentos inesquecíveis e também os que mais a comoveram diante de tristes acontecimentos. “Como não falar da Semana Cultural realizada no colégio? Era 2016, onde meus alunos apresentaram uma rádio novela escrita e interpretada por eles, e também um desfile onde mostravam “A Juventude através das décadas”. Esse momento foi único, pois houve um trabalho em equipe maravilhoso, os alunos se dedicaram de uma maneira inexplicável e, até hoje, quando nos encontramos ainda lembramos com muito carinho daquele momento. O pior momento que vivi foi quando faleceram três de meus alunos, em momentos distintos. Não tem dor maior para um professor quando chega à sala de aula e seu aluno não está mais ali porque a morte o levou”. rnEla também enfatizou a alegria de dar aula para o caçula Nycollas, no Ensino Médio. “Eu lecionei para o meu filho Nycollas nos três anos do ensino médio, ministrando as aulas de Sociologia, também lecionei a disciplina de Introdução a Educação Especial, no curso de pós-graduação para a minha filha Christiellen. Foi muito bom, pois antes de acontecer, procuramos conversar sobre o assunto e deixamos muito claro que ali, na sala de aula, o relacionamento era entre professora e aluno e não entre mãe e filhos”. rnA professora Marcela também deixa um conselho para quem enfrenta dificuldades na carreira e o amor à profissão: “Jamais devemos esquecer que ser professor é exercer uma das profissões mais importantes, tendo em vista que as demais, na sua maioria, dependem dela. Dessa forma, devemos lembrar que ensinar também é aprender. Paulo Freire, um dos grandes expoentes da educação brasileira, afirmava que “ninguém nasce professor ou marcado para ser professor”, enfatizando que a formação do educador se dá na prática permanente e na reflexão sobre a própria prática”.rnrnDocentes do João Marques da Silveira

Fonte: Texto: Simone Chusoli- foto: arquivo pessoal Chrystian Coser

Faça um comentário
Pós Artigo

Notícias Relacionadas

  • All Post
  • Brasil / Mundo
  • Capa
  • Entretenimento
  • Esportes
  • Notícias
  • Receitas
Edit Template

Copyright 2025 – Todos os Direitos reservados