Desde que o TSE começou a coletar informações de raça, em 2014, número de políticos autodeclarados pretos tem crescido em pequenas proporções. Especialista enxerga avanço, mas diz que “é preciso mais”.rn rnrnrnQuando o assunto é representatividade racial em cargos de poder eletivos, o Paraná está avançando a passos curtos.rnrnrnrnUm levantamento do g1 Paraná mostra que, na legislatura atual, apenas 148 políticos autodeclarados pretos possuem mandatos em exercício no estado, dos 4.755 cargos distribuídos entre os poderes executivo e legislativo em nível municipal, estadual e federal.rnrnrnOs eleitos ocupam cerca de 3% do total de cargos disponíveis, número bem distante da representação da população negra no Paraná, que é de 34% segundo dados de 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).rnrnrnNa legislatura anterior, o número era menor. 120 políticos paranaenses eleitos tinham se declarado pretos. A grande maioria, historicamente, está presente entre os vereadores, prefeitos e vice-prefeitos.rnrnrnOs dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que passou a coletar informações de raça em 2014.rnPara Marivânia Conceição Araújo, doutora em antropologia e coordenadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares AfroBrasileiros e professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), o crescimento de mandatos entre as duas últimas eleições, apesar de ainda sub-representativo, merece ser celebrado.rn“O aumento é pífio, mas houve. E a gente tem percebido também um aumento qualitativo. A quantidade é mínima, mas há qualidade nestes novos políticos que estão sendo eleitos. Dos que se autodeclaram pretos, talvez realmente seja só isso, uma autodeclaração, e isso já é bom. Porém, é melhor ainda quando essas pessoas negras eleitas estão pensando na pauta da desigualdade racial”, disse.rnrnrnAtualmente, das 399 prefeituras do estado, apenas a de Lindianópolis, no Noroeste, tem à frente um prefeito autodeclarado preto: Adauto Mandu (PODE), que está no segundo mandato. Na legislatura passada (2016-2020), o Paraná contava com cinco prefeitos pretos.rnrnrnJá na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), das 54 cadeiras disponíveis, apenas uma é ocupada por um político autodeclarado preto. Trata-se do deputado estadual Galo (PODE). Na legislatura anterior não haviam eleitos pretos.rnrnrnAté o mês passado, eram dois políticos autodeclarados pretos na Alep, porém, o número foi reduzido a um com a saída do ex-deputado estadual Do Carmo (PSL), que perdeu sua vaga após novo calculo do quociente eleitoral realizado por conta da cassação do mandato do também ex-deputado estadual, Fernando Francischini (PSL).rnNas duas últimas eleições federais, em 2016 e 2018, o estado não elegeu nenhum preto para a Câmara dos Deputados, segundo o TSE.rnrnrnrnrnPolíticos autodeclarados pretos em exercício de mandatornrnrnrn rn rn Cargorn 2020rn 2016rn rn rn Vereadoresrn 141rn 111rn rn rn Prefeitosrn 1rn 5rn rn rn Vice-prefeitosrn 5rn 4rn rn rn 2018rn 2014rn rn rn Deputado Estadualrn 1rn 0rn rn rn Deputado Federalrn 0rn 0rn rn rnrnrnrnFonte: TSErnrnrnrnrnrnrnrnA base de dados do tribunal não possui registro, também, de nenhum senador ou governador preto já eleito na história do Paraná.rnrnrnrnDevido à única forma de mapear mandatos com divisão de cor e raça ser através da autodeclaração, há a possibilidade de existirem mais políticos fenotipicamente pretos no estado, porém que, por motivos próprios, optaram por não se declararem desta forma – ou ainda não se identificaram assim.rnrnrnrnAgenda antirracistarnrnrnrnEntre os cargos eletivos no estado, é na vereança onde há o maior número de políticos pretos autodeclarados, uma vez que é entre os vereadores, também, onde está o maior número de cargos disponíveis quando somados os 399 municípios.rnrnrnDas 3.869 vagas ofertadas para vereadores na eleição de 2020, 141 foram ocupadas por políticos pretos. Em 2016, eram 111 eleitos, 30 pessoas a menos.rnrnrnNesta lista dos novos mandatos e que possuem a agenda racial presente está a vereadora Carol Dartora (PT), primeira mulher preta a assumir uma cadeira dentro da Câmara de Vereadores de Curitiba.rnrnrnPouco tempo após a sua eleição, mesmo antes de assumir o mandato, ela foi vítima de ameaças de morte e ataques racistas coordenados por uma rede que a polícia investiga como uma célula neonazista que estaria atuando no Brasil desde 2018.rnrnrnPara Carol, o principal caminho para reverter o cenário de sub-representação é com a criação de políticas afirmativas.rn“Essa sub-representação faz parte de um contexto de racismo estrutural. E infelizmente, no nosso país, as politicas que são voltadas a equiparar a população negra na sociedade brasileira sofrem muita dificuldade. São mal vistas, como a política de cotas […] é uma das políticas que mais gera polemica, porque a gente tem que lidar com estereótipos racistas e preconceituosos. Dizem, por exemplo, que a população negra não galga esses espaços porque não trabalha, porque não tem vontade, porque não se esforçam, ao passo que se o estado adota uma politica de cotas, ela sofre essa resistência também por causa do racismo”, explicou.rnrnrnrnIdentidade racialrnrnrnrnO IBGE classifica a população negra como raça formada por pessoas pretas e pardas.rnrnrnQuando somados mandatos em exercício de pretos e pardos, a representatividade negra aumenta no Paraná. Hoje, 678 políticos pardos estão em exercício de mandatos. Junto aos mandatos de pretos, negros representam cerca de 18% de todos os cargos eletivos do estado.rnrnrnrnrnPolíticos autodeclarados pardos em exercício de mandatornrnrnrn rn rn Cargorn 2020rn 2016rn rn rn Vereadoresrn 594rn 461rn rn rn Prefeitosrn 29rn 22rn rn rn Vice-prefeitosrn 49rn 30rn rn rn 2018rn 2016rn rn rn Deputado Estadualrn 5rn 7rn rn rn Deputado Federalrn 1rn 1rn rn rnrnrnrnFonte: TSErnrnrnrnrnrnrnEntretanto, o crescimento não exclui a dificuldade de propagação da agenda racial entre os eleitos, conflito que se mistura, muitas vezes, com a não-identificação de alguns deles como membros da comunidade negra.rnrnrnA professora Marivânia (foto capa) explica que este fenômeno também pode ser resultado do racismo.rnrnrn“O racismo rescinde sobre a população negra, mas mais fortemente sobre as pessoas negras da pele mais escura […] e no Brasil a gente tem uma percepção muito particular da negritude. Quanto mais escura a pele, mais entendido como negro. E ainda sim, muitas pessoas que têm a pele escura vão dizer “eu sou moreno”. E isso é resultado do racismo. A pessoa quer fugir de alguma forma da opressão do racista”, explicou.rnrnrnrnrnrnrnrnrnCarol Dartora, vereadora de Curitiba, fala sobre representatividade negra na política.rnrnrnrnrnrnrnrnrn
Fonte: G1

























