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Ney Matogrosso ganha documentário

Olho Nu é um filme “com” Ney Matogrosso e não “sobre” Ney Matogrosso, diz seu diretor, Joel Pizzini. Isso que dizer várias coisas.rnA primeira delas é que não se convocam especialistas para “explicar” a obra do cantor, dançarino, performer, porta-voz da contracultura, etc. Ney se explica por si mesmo e, desse modo, o filme é composto por vasto material de arquivo de suas apresentações somado a entrevistas realizadas pelo diretor.rnSegundo: por ser Ney uma figura de fato nacional, todos a conhecem. Ney é patrimônio brasileiro. Cantou muito, fez muitos shows, gravou discos, apareceu demais na televisão. Não carece de apresentações, o que acontece com personagens mais ou menos anônimos.rnTerceiro: é de Ney o involuntário conselho de montagem do rico material à disposição de Joel Pizzini. Curioso para saber o segredo da invejável forma física do cantor, aos 72 anos, ouviu de Ney a seguinte receita, que serviria de manual de ajuda aos gordinhos: “Sempre saio da mesa sentindo um pouco de fome”. Pizzini monta seu filme de maneira enxuta, de modo que o espectador deixa o cinema ainda faminto, querendo saber mais de Ney Matogrosso. Quer dizer, o filme funciona mais como estímulo à curiosidade que como obra completa, aquelas do tipo “cinebiografia definitiva de fulano”.

Fonte: Agência Estado

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