O fotógrafo londrinense Wilton Mitsuo Miwa, 43 anos, está levando às crianças da rede municipal de ensino, desde o início do ano letivo, suas experiências de vida. As boas, o amor à fotografia, ao ciclismo e às viagens; e as más, o abandono do estudo, da família e o envolvimento com drogas. O objetivo do projeto “Pedalar é Preciso” é desenvolver nas crianças uma visão clara sobre as drogas e defesas contra os perigos representados por elas, ao mesmo tempo em que mostra a importância da prática esportiva. Miwa faz uma palestra ilustrada com fotografias feitas em viagens de bicicleta pelo Japão. Ele associa o uso das drogas com imagens da costa nordeste do Japão devastada pelo violento tsunami de 2011, que teve ondas de 23 metros de altura e foi o maior do país desde 1896.rnOntem, Miwa falou a 150 alunos da 4ª e 5ª séries do ensino fundamental 1 da Escola Municipal Hosken de Novaes (zona oeste). Segundo a diretora da escola, Adriana Belizário da Silva, o nível e interesse dos alunos mostra a importância de debater com eles sobre a prevenção contra as drogas e a possibilidade da alternativa saudável por meio do esporte.rnNa escola, diz a diretora, não há nenhum caso de criança envolvida com droga. “No entanto, é importante preveni-las, pois essa exposição está aí, qualquer um pode ter contato com drogas, nas ruas, com amigos e até mesmo em casa.”rnProjetornO projeto é patrocinado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) e tem a meta de alcançar 8 mil alunos do ensino fundamental até o fim do ano. Mitsuo planeja fazer esse trabalho em Londrina por mais um ou dois anos e depois ampliar para o País. Ele diz que a abordagem do trabalho tem sido atrativa e as crianças têm gostado. “Eles estão interessados e os docentes elogiam, mas às vezes tenho me deparado com casos chocantes, quando a prevenção não faz mais sentido. Há crianças em situação de risco, que precisam de ajuda. Professores contam histórias tristes. Um aluno morto com quatro tiros, uma professora que perdeu o filho por causa da droga, crianças que moram no conselho tutelar, criança com mãe na cadeia e pai foragido. Conversei com um filho de traficante, histórias bem pesadas”, conta Miwa. Segundo ele, o problema das drogas está em todas as regiões de Londrina e também na zona rural.rnAutor do livro sobre fotografia “Vidas Passageiras, Terminal urbano de transporte coletivo de Londrina”, também pelo Promic, Miwa pretende publicar outra obra sobre uma viagem dele ao Japão. Na última vez, ficou seis anos por lá. Antes disso, porém, resolveu pôr em prática o projeto “Pedalar é preciso”. Trabalho definido por ele como uma espécie de redenção.rnBem jovem, Miwa teve envolvimento sério com as drogas. “Não me livro da lembrança. Então, conto a verdade sobre a minha pessoa e em uma forma de ajudar as crianças, os adolescentes, a evitar isso”, diz. “Sou aquele que fez tudo errado, fugiu da escola, se afastou da família e se envolveu com as drogas. Esse trabalho é uma forma de redenção, um caminho para tentar consertar algumas coisas que ficaram”, diz o fotógrafo, que nasceu em Sorocaba (SP), mas se considera londrinense “pé vermelho”.
Fonte: Jornal de Londrina

























