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Projeto aumenta em 30% a produtividade nas lavouras de cafés especiais no Norte Pioneiro

Para se alcançar a qualidade nas lavouras de café, não basta ter como diferenciais, o solo, a altitude, o relevo e o clima adequados. O sucesso no cultivo de grãos apreciado pelos paladares mais exigentes e comercializado no mercado internacional, resulta de cuidados durante o cultivo, colheita, secagem e armazenamento, além da gestão da propriedade, aproveitamento de resíduos e técnica de manejo de café cereja descascado. rnrnPor essa razão, o Programa 100% Qualidade, do Sebrae/PR, em parceria com a Associação de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (ACENPP) e Cooperativa de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (COCENPP), apesar de ser voltado para a qualidade e para as certificações de cafés especiais, acaba interferindo na melhoria de produtividade das lavouras. “O efeito colateral do trabalho voltado à qualidade e às certificações é a interferência na produtividade, já que, para melhorar a qualidade é preciso investir na capacitação dos agricultores, em novas técnicas de manejo, em consultorias especializadas e em boas práticas nas lavouras”, destaca Odemir Capello, consultor do Sebrae/PR. rnrnSegundo ele, cerca de 100 produtores do Norte Pioneiro, associados à ACENPP e à COCENPP, fazem parte da iniciativa, que promove a agregação de valor ao produto. O programa contribui com a geração de renda para o homem do campo e os agricultores que participam do grupo obtiveram cerca de 30% de aumento da produtividade nas lavouras, devendo chegar a 35 sacas por hectare, em média. “Nossa intenção é aumentar cada vez mais o padrão de qualidade dos cafés, além de fortalecer e melhorar a renda do homem do campo”, conta Odemir Capello.rnrnO produtor rural de Ibaiti Eneovaldo Abucarub está produzindo 60 sacas por hectare e está muito contente com o Programa 100% Qualidade. Além do reflexo na produtividade, o lucro também aumentou, graças à redução de custos. “Os consultores credenciados ao Sebrae/PR, que são engenheiros agrônomos, são muito bons. Hoje trabalhamos com técnicas de combate á doenças, análise do solo e adubação e economizamos muito. Os funcionários da propriedade também passaram por capacitações e a nossa organização melhorou muito”, afirma. rnrnMercado internacional rnrnA crescente demanda, particularmente em países desenvolvidos, por produtos saudáveis e corretos sob o aspecto social, possibilita a incorporação de novos atributos de qualidade. O segmento de cafés especiais, por exemplo, representa atualmente cerca de 12% do mercado internacional. Os atributos de qualidade incluem características físicas, como origem, variedade, cor e tamanho, além de fatores como, por exemplo, as condições da mão de obra de quem produz o café. rnrnUma das formas de comprovar a qualidade e a procedência dos produtos é a conquista de certificações, que ajudam a abrir as portas do mercado internacional e, ajudar os produtores a alcançar selos mundo afora, é uma das propostas do Programa 100% Qualidade. rnrnNos cafés certificados como fair trade – que além de atributos físicos, como aroma e sabor, também incorporam preocupações de ordem ambiental e social – o problema de mensuração das informações pelo consumidor é mais complexo. Também conhecidos como “café consciente”, esse segmento está ampliando sua parcela no mercado de cafés especiais, devido ao aumento da preocupação com os padrões de consumo, o que tem estimulado as preferências por bens produzidos de forma sustentável. rnrnOdemir Capello ressalta que as certificações do café elevam o valor do produto e abrem novos mercados. “Para que uma propriedade obtenha a certificação precisa atender a exigências, como boas práticas agrícolas, padrões para manutenção de registros da produção, uso minimizado e documentado de defensivos agrícolas, proteção aos direitos trabalhistas, às questões ambientais e sociais. Outro aspecto é o controle da rastreabilidade dos grãos por meio de um sistema próprio, o que motiva o produtor a melhorar o gerenciamento da produção”, avalia Capello. rnrnEneovaldo Abucarub está animado com a certificação fair trade e até planeja aumentar a produção. “Quero plantar mais dez mil pés de cafés. Que bom seria se todos os cafeicultores pudessem participar da fair trade”, avalia. rnrnProjeto de cafés especiais rnrnA cultura de cafés especiais foi introduzida na região do Norte Pioneiro do Paraná por cafeicultores e entidades que fazem parte do Projeto de Cafés Especiais, lançado pelo Sebrae/PR e parceiros como a Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-PR), Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Instituto Federal do Paraná, campus Jacarezinho (IFPR), Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (CREA-PR), Prefeitura de Jacarezinho, Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) e Yara, em 2006, com apoio de produtores locais, interessados em mudar o conceito da produção. O objetivo da inciativa é investir na cultura de cafés de qualidade e certificados para melhorar a lucratividade nas lavouras e, consequentemente, a qualidade de vida das famílias que se dedicam à cafeicultura.

Fonte: Bonde

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