O aumento extraordinário nos preços dos serviços de água e esgoto solicitado pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) é de 8%. O porcentual foi validado em uma análise inicial do Instituto Águas do Paraná, órgão regulador da área de saneamento do Estado, e foi colocado ontem em consulta pública.rnNo pedido de reajuste extraordinário, a Sanepar argumenta que o aumento no custo da energia elétrica neste ano foi um imprevisto que colocou em risco o equilíbrio econômico-financeiro de suas concessões. Segundo a empresa, até junho, a correção nesse custo variou de 51,78% para as ligações de energia de baixa tensão até 60,58% para as de alta tensão. Além disso, há outros dois fatores citados pela empresa: a cobrança da bandeira tarifária de R$ 5,50 para cada 100 kWh de energia consumidos e a retirada de um desconto de 15% sobre essas bandeiras que beneficiava o setor de saneamento.rnAté o ano passado, a energia elétrica custava cerca de 8% da receita operacional líquida da Sanepar. Foram R$ 206 milhões destinados à conta de luz em 2013. Nas contas da empresa, esse valor deve subir 87,8% neste ano (já levando em conta o reajuste aplicado pela Copel no fim de junho), para R$ 387 milhões – no mesmo período, o consumo total de energia deve crescer apenas 2,5%. A companhia não informa qual a parcela da receita que seria consumida por esse custo extra.rnEm sua análise, o Instituto Águas do Paraná concorda com a argumentação da estatal de que o acréscimo de custos supera a inflação e não teve “ingerência da Sanepar”. A agência reguladora diz que, na atual tarifa aplicada pela empresa de saneamento, R$ 0,212 foram orçados para custear a conta de energia, valor que precisa agora chegar a R$ 0,40 para não criar desequilíbrio econômico-financeiro. Por isso, a nota técnica concorda com o pedido da Sanepar de 8%. O texto está disponível no site do instituto (www.aguasparana.pr.gov.br) para consulta pública até 22 de julho. Depois disso, o pleito será encaminhado para autorização do governador Beto Richa.rnTarifaçornSe confirmado, esta será a terceira alta na conta de água e esgoto no Paraná neste ano. Em fevereiro, Richa autorizou um reajuste de 12,5% nas tarifas da Sanepar, dividido em duas etapas. Um primeiro aumento, de 6,5%, ocorreu em março, e os 6% restantes foram repassados no início de junho. Com a correção extraordinária, os valores cobrados pela estatal terão uma correção acumulada de 21,5% neste ano, mais do que o dobro da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 8,47% nos 12 meses até maio.rnO reajuste só é menor do que o praticado pela Companhia Paranaense de Energia (Copel), que aplicou uma correção extraordinária média de 36,5% no início de março. A alta foi autorizada para distribuidoras de todo o País para bancar os custos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) que, entre outras obrigações, ajuda a bancar o preço mais alto das usinas térmicas, acionadas por causa do nível baixo dos reservatórios das hidrelétricas brasileiras.rnEm junho, a Copel aplicou o reajuste anual médio de 15,32% para seus consumidores e, com isso, a elevação total no preço da energia no Paraná foi de 51% em 2015 – sem contar a aplicação das bandeiras tarifárias.rnrnCultura da economia ajuda a minimizar impacto dos reajustesrnFazer o uso racional de água e energia é a única saída possível para a população minimizar o impacto dos reajustes nas contas de água e luz neste ano. É o que defende o economista Ronaldo Antunes da Silva. “Nós, brasileiros, não temos a cultura de economizar estes recursos. Água porque sempre foi abundante e a energia porque sempre foi menos cara.”rnrnO economista ressalta que esses reajustes impactam mais a renda da população mais carente, mesmo com as tarifas sociais. “Esta população tem uma renda muito baixa, que é praticamente toda consumida com energia, água e alimentação.” Para aqueles que têm renda mais alta, os aumentos constantes também começam a pesar e a única saída é construir uma cultura de economia.rnA principal dica do economista é envolver toda a família nesse processo de economia. “Os hábitos de consumo têm de ser pactuados com todos da casa. Todos precisam ver o impacto desses aumentos na renda, senão não funciona. Vão ficar o pai e a mãe correndo de cômodo em cômodo para apagar as luzes.”rnA mudança de hábitos para o uso racional de água e energia, de acordo com o economista, passa por outras velhas dicas: não usar lâmpadas incandescentes; apagar a luz de cômodos que não estão sendo usados; trocar eletrodomésticos muito velhos; não “varrer” a calçada com água; e diminuir o tempo do banho. rnCom essas medidas, o consumidor consegue minimizar o impacto dos reajustes. Mas o economista lembra que, no caso da energia, os produtos da indústria também sofrem altas nos preços. “É importante lembrar também que chegamos a esse ponto de reajustes porque governos anteriores não fizeram os investimentos necessários no tempo correto.” rn
Fonte: Gazeta do Povo

























