Os atendimentos à população no Instituto Médico Legal (IML), em Jacarezinho, devem ser retomados ainda esta semana, garante o auxiliar de necrópsia e novo chefe administrativo do órgão, Rafael Brito de Oliveira. Além da falta de estrutura e de funcionários para atender a demanda, a unidade também está sendo investigada pela Polícia Civil por fornecer laudos com assinaturas falsificadas. rnDesde o início de abril, após o pedido de exoneração de dois médicos legistas, o órgão conta apenas com um profissional para realizar as perícias. No entanto, o médico Jorge Yasbick também precisou se afastar para tratamento de saúde e os serviços prestados na unidade foram suspensos temporariamente. rnA medida causou uma série de transtornos, principalmente aos familiares que perderam seus entes de forma violenta e que dependiam da necrópsia para poder liberar os corpos para serem velados e sepultados. Sem um legista na unidade local, os cadáveres eram levados ao órgão em Londrina para serem periciados. Na maioria dos casos registrados durante o período levou-se em média 15 horas para a liberação dos corpos. rn”Ainda a partir desta semana a situação deve se normalizar. Tivemos a confirmação do retorno do médico legista Mário Arias e dentro de mais alguns dias o doutor Jorge (Yasbick) deve retomar os trabalhos. Com isso, não teremos mais que enviar os corpos à Londrina para serem necropsiados”, afirmou. No início de julho também será realizado o Processo Seletivo Simplificado (PSS) para a contração de mais quatro médicos e auxiliares, em caráter emergencial. “Com as medidas, no início do segundo semestre conseguiremos normalizar totalmente os problemas de atendimentos à população”, garantiu o chefe administrativo do instituto. rnOs problemas no IML de Jacarezinho ocorrem há anos pela falta de estrutura para atender às necessidades dos profissionais que trabalham na unidade. Em 2014, após um grave acidente com um ônibus de turismo na BR-369, no perímetro urbano de Bandeirantes, que deixou dezenas de feridos e oito mortos foi possível registrar o caos instalado no órgão. A falta de um espaço adequado para realizar as necrópsias transformou a garagem do IML em uma sala improvisada para receber os corpos que, sem nenhum tipo de preparo, ficaram expostos ao tempo durante horas até serem reconhecidos por parentes. Muitos que por ali passaram saíram chocados e precisaram de atendimento médico e dos próprios funcionários do órgão para amenizar o sofrimento causado pelas cenas, que muito provavelmente jamais serão apagadas das memórias. rnNo entanto, o problema não deve mais se repetir, conforme também garante o novo chefe administrativo do IML, que informou que o órgão recebeu há poucos dias uma geladeira própria para manter os corpos. “Trata-se de um equipamento moderno que deve ser instalado nos próximos dias por técnicos especializados. Com isso, os corpos serão mantidos em temperatura ideal até serem necropsiados e reconhecidos. Até então, o material (DNA) era retirado para um possível confronto genético e depois os corpos eram sepultados”, explicou Oliveira comentando ainda sobre a possibilidade da abertura de novas unidades de IML na região. “Estamos tentando a abertura de unidades em Wenceslau Braz, Ibaiti e Santo Antônio da Platina para “desafogar” os atendimentos. Exceto às necrópsias, as demais perícias poderão ser realizadas nessas unidades.”
Fonte: Luiz Guilherme Bannwart / Folha de Londrina – foto: Antonio de Picolli

























