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Com destaque para a cidade de Quatiguá, Revolução de 1930 veio para acabar com a corrupção

O general Mário Alves Tourinho era muito respeitado. Cursando a Escola de Tiro do Realengo (RJ), logo ao ingressar na vida militar esteve presente na proclamação da República, em 15 de novembro de 1889.rnrnServente de metralhadora, participou da resistência na Lapa sob o comando do general Carneiro. Atuou na campanha militar do Contestado. Em 1924 fez o cerco aos rebeldes em São Paulo.rnDepois dessa longa e exitosa carreira militar, pediu reforma em 1928 e foi surpreendido em seu “pijama” pela revolução de 1930, da qual um dos mais dedicados articuladores foi o irmão Plínio.rnO governo lhe veio como um presente em família. Nunca havia pensado em exercer qualquer função política e também não tinha ideia de como governar, mas para honrar a indicação mergulhou no estudo das finanças do Estado.rnO general Tourinho era um paranista. Logo no início de seu governo como interventor do Estado em outubro de 1930, porém, iria se confrontar com a proposta, que ele rejeitava, de transformar as regiões Oeste e Sudoeste em extensão territorial do Rio Grande do Sul.rnO Paraná já havia perdido a metade da região contestada para Santa Catarina. Não aceitaria perder as regiões Oeste e Sudoeste para um território federal que retiraria sua autoridade sobre duas regiões ricas e promissoras.rnTropas em movimentornA revolução precisava sufocar qualquer força favorável ao governo destituído. Já com terreno livre, as tropas gaúchas avançam pelo Paraná e chegam a Ponta Grossa.rnO 5º Regimento de Cavalaria Divisionária, sediado em Castro, permanecia fiel ao governo e ao recuar em direção a São Paulo destruiu trechos da ferrovia e danificou pontes.rnOs governistas não tornariam fácil a ascensão dos revolucionários.  Concentram forças em Itararé (SP), junto à divisa com o Paraná, para impedir seu avanço. Militares e policiais paranaenses rebeldes se deslocam rapidamente para lá e logo serão seguidos pelos gaúchos.rnA vanguarda sulista de Miguel Costa (1874–1959) chega no dia 7 de outubro a Ponta Grossa, seguindo de imediato para Castro. Em Jaguariaíva alcança o Norte Pioneiro aproveitando o ramal ferroviário do Paranapanema.rn“A gauchada estava sequiosa para combater e não admitia que tivesse seguido na frente um batalhão do 13º R.I. (força militar paranaense). Eram trezentos homens bem fardados e bem armados” (Alcebíades Miranda, Justitia Vanum Verbum: Episódios da Revolução de 1930).rnVencer não foi fácilrnA crença de que a revolução de 1930 se deu sem resistência é falsa. Além de escaramuças no Norte Pioneiro (Sengés) e do bloqueio no Vale do Ribeira, para onde seguiram outras forças de Curitiba, havia a forte concentração governista em Itararé.rn“A batalha aí travada teve características aparentemente modernas, com trincheiras em toda a frente de combate, arame farpado, ninhos de metralhadoras e artilharia” (Jordan Young, Aspectos Militares da Revolução de 1930).rnA operação consistia, no caso de não vencer em Itararé, tomar Bauru para juntar com as forças vindas via Minas Gerais e então fechar sobre o Rio de Janeiro, liquidando a partida.rnEm Quatiguá, próximo aos limites com o Estado de São Paulo, aconteceriam os combates mais violentos da revolução de 1930. A batalha prevista para acontecer em Itararé (SP) será travada em território paranaense. rnO golpe finalrnEntre os dias 11 e 13 de outubro, as tropas governistas, vindas de São Paulo, enfrentaram os revolucionários paranaenses, reforçados por uma coluna gaúcha ansiosa para dar o troco pela derrota sofrida em 1924.rn“O tiroteio cerrou nas suas linhas. Era formidável a sua potência de fogo! As suas metralhadoras pesadas em rajadas sucessivas metralhavam o pequeno lugarejo, completamente aberto, constituído de poucas casas, distanciadas umas das outras” (Wanderley Verás, O Combate de Quatiguá).rnA tropa legalista é derrotada e se retira do Paraná destruindo as facilidades para travessia do Rio Paranapanema, como a ponte ferroviária da Viação São Paulo-Paraná. A ponte pênsil rodoviária Manoel Alves de Lima, em Ribeirão Claro, foi danificada com dinamite para bloquear a progressão das forças do Sul.rnSeriam os últimos esforços dos militares ainda fiéis ao governo para tentar impedir o inevitável: em 24 de outubro, no Rio de Janeiro, Exército e Marinha desfecham um golpe de Estado e prendem o presidente Washington Luís (1869–1957), seguindo-se negociações pacíficas até a vitória final da revolução.rnGeneral sob pressãornNo governo do Paraná, o general Tourinho não tardou a ser acossado pelo apetite de subalternos ansiosos para lotear o governo entre si. Mas não permitiu. Mesmo contra a vontade de alguns oficiais, promoveu sindicâncias na condição de magistrado, sem favorecimentos.rnAo anular concessões de serviços públicos lesivas aos cofres públicos, porém, ganhou o rancor dos políticos e dos militares ansiosos para levar vantagens com o poder conquistado.rn“Mário viu-se, de repente, sob o turbilhão de intrigas que lhe desestabilizavam o governo. Sem o chamado jogo de cintura para aparar arestas e nem satisfazer ambições desmedidas, por ser brioso e justo, obrigou-se a renunciar ao cargo em 29 de dezembro de 1931” (David Carneiro e Túlio Vargas, História Biográfica da República no Paraná).rnAssim, o Paraná perdia um de seus mais honestos governadores. Digno, porém desprovido de habilidade para contornar a ganância de líderes sequiosos de poder e fortuna. rnClasse média + oligarquiasrnA revolução poderia ser o começo de uma nova era para o País. Pela primeira vez as velhas oligarquias latifundiárias não controlam mais o Brasil ao serviço exclusivo de seus negócios, como havia sido no curso do Império e da Primeira República. Não controlavam mais o País sozinhas, pelo menos.rnDo ponto de vista social, a crise comercial do café, a emergência da nova classe média e o avanço da industrialização criaram um novo Brasil, mas as ambições financeiras e os maus costumes políticos permaneciam.rnComo constatou o general Mário Tourinho, os apetites econômicos logo se atiçaram e os antigos controladores dos tentáculos do poder em breve se associaram aos novos poderosos. rnCorrupção não foi provadarnAs principais propostas revolucionárias, como “extinção progressiva do latifúndio” e “auditoria da corrupção do governo deposto”, jamais saíram do papel. As promessas revolucionárias caem por terra, uma a uma.rnO tribunal especial instituído em 28 de novembro de 1930 para julgar os crimes do governo deposto não apurou um só caso de corrupção.rnEm agosto de 1931 foi suspensa a interdição dos bens dos membros do governo anterior. Os governantes derrubados pela prática de uma corrupção jamais provada ganhavam assim um óbvio atestado de probidade.rnMesmo isolado e sob pressão, o general Mário Tourinho, tentava impor o ritmo revolucionário no Paraná. A atuação de Tourinho começou a incomodar quando as posses da poderosa família Camargo e de seus beneficiários foram desapropriadas.rnPor baixo desse cenário repleto de tensões, por outro lado, nascia a cidade de Cascavel. Foi a desapropriação determinada por Tourinho que fez de Jeca Silvério o dono das terras da futura “capital do Oeste”rnrnrnrnrnrn rnrnrn rnrn

Fonte: Por Alceu Esperança

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