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Norte Pioneiro reaviva tragédias com ambulância

  O ano de 2005 nunca vai sair da memória dos moradores de Joaquim Távora, município de 11 mil habitantes localizado no Norte Pioneiro. Na madrugada de 27 de outubro, uma F-350, adaptada como ambulância pela Secretaria Municipal de Saúde, bateu na traseira de um caminhão na BR-376, perto de Ponta Grossa (Campos Gerais). Cinco pessoas morreram na hora e duas no hospital. O acidente chocou a cidade. rnrnPassados quase dez anos, a tragédia se repete. Na noite da última quarta-feira, uma van do município que retornava de Curitiba com nove pacientes bateu de frente com um Honda Fit na PR-151, próximo à praça de pedágio de Jaguariaíva (Campos Gerais). Jeferson Eduardo Alvarenga, de 43 anos, que estava na van, morreu na hora. Outras 13 pessoas ficaram feridas. Dos ocupantes da van, apenas o casal Adriano e Verônica Tressoldi continuava internado na Santa Casa de Ponta Grossa até a noite de ontem. Os quatro ocupantes do carro sofreram apenas ferimentos leves. rnrnO radialista Fabiano Oliveira perdeu a mãe, Maria Aparecida Oliveira, de 49 anos, no acidente de 2005. Para ele, noticiar a mais recente não foi fácil. “É muito triste ver que isso não tem fim. As pessoas partem em busca de saúde e perdem a vida”, lamentou. Os atendimentos em especialidades que o fragilizado Hospital Regional do Norte Pioneiro, com sede em Santo Antônio da Platina, não consegue atender, são encaminhados para Londrina, Ponta Grossa e principalmente Curitiba. “Precisamos urgentemente de uma estrutura de saúde melhor aqui na região”, cobrou Oliveira. rnrnrnROMARIAS PERIGOSASrnrnEm uma década, as romarias de ambulâncias que deixam o Norte Pioneiro rumo a hospitais nos grandes centros ainda são frequentes. Os dois casos não são exceção. Nos últimos dez anos, muitas outras ambulâncias de prefeituras da região se envolveram em acidentes nos longos percursos que, em alguns casos, ultrapassam os 700 quilômetros em um dia. Em 2011, um motorista que dirigia uma ambulância de Tomazina confessou ter dormido ao volante. A batida com um caminhão deixou um morto e quatro feridos. Um ano antes, duas pessoas morreram após as portas de uma ambulância de Jundiaí do Sul se abrirem na BR-277, próximo à Curitiba. rnrnO prefeito de Joaquim Távora, Gelson Nassar (PSDB), lamentou o acidente e reconheceu que a região demanda de mais recursos em saúde. Segundo ele, essa deve ser uma preocupação em comum de todos os prefeitos da região. “Precisamos unir esforços, pois é um problema grave. Sabemos que não é fácil atender todas estas especialidades no interior”, avaliou. “Recentemente o nosso Hospital Regional esteve prestes a fechar as portas. A solução que propusemos foi que cada município contribuísse com um valor por habitante. É claro que o governo precisa fazer os repasses, mas não podemos ficar esperando sem fazer nada”, contou. rnrnEm Joaquim Távora, a maior carência é para pacientes que necessitam de tratamentos complexos em especialidades como cardiologia, nefrologia e procedimentos vasculares. “Para que nossos pacientes não fiquem em uma fila de espera, o que é muito pior, nós firmamos um convênio com o Hospital Nossa Senhora do Rocio, em Campo Largo. Não é o ideal, mas é o melhor que podemos proporcionar”.

Fonte: Celso Felizardo – Folha de Londrina

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