Números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os negros ganham menos e têm piores condições de vida no Brasil. No Paraná, pouco mais de um terço da população está nesse grupo, mas o governo estadual não tem políticas públicas específicas voltadas aos negros.rnrnrnDe acordo com o IBGE, em 2018, 34% da população paranaense era negra ou parda.rnrnrnNo país, a população branca tinha um salário médio mensal de R$ 2.074. Negros ganhavam R$ 907 a menos que os brancos, e os pardos ganhavam R$ 876 a menos.rnrnrnAna Fabiele Silva tem 19 anos, mora em uma casa sem água encanada e energia em um bairro na periferia de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. Ela não terminou o ensino fundamental e está desempregada.rnrnrn”Eu acabei parando de estudar para trabalhar e logo eu casei, daí já não fui mais para a escola. Eu sempre tive vontade de ser veterinária”, contou.rnrnrnLuciana Silva (foto) é mãe da Ana Fabiele. Luciana disse que chegou a uma empresa, para fazer entrevista de emprego, e ouviu uma secretária dizer que não daria a vaga para ela por ser negra.rnrn”Eu fiquei tão nervosa, que eu levantei da mesa e nem terminei a minha entrevista e fui embora”, afirmou Luciana.rnrnrnMenor acessornrnrnrnGanhar menos não significa menor capacidade para os trabalhos de qualidade e para aqueles que remuneram mais. Significa menor acesso à educação e a condições de cidadania – como saúde e cultura.rnrnrnSegundo o IBGE, a taxa da população negra e parda sem água encanada dentro de casa é maior do que a da branca. Eles também têm menos acesso à rede de esgoto.rnrnrnVeja os números no Brasil:rnrnrnSem água encanadarnrnrnrn Brancos – 11%rn Negros e pardos – 18%rnrnrnrnSem esgotornrnrnrn Brancos – 26%rn Negros e pardos – 42%rnrnrnrnNegros e pardos são a maioria dos analfabetos: 9,1%; enquanto os brancos analfabetos somam 3,9%.rnrnrnTambém são minoria nos cursos superiores. 78% dos brancos fazem faculdade; já a porcentagem de negros e pardos fazendo faculdade é de 55%.rnrnrnrnPolíticas públicasrnrnrnrnNo Paraná, as políticas públicas para diminuir a desigualdade social em um curto prazo não fazem distinção de cor.rnrn”A gente não tem a distinção. Vou atender só negros. Não. A política pública nossa é geral”, afirmou o chefe do Departamento de Assistência Social do Paraná, Tadeu Átila Mendes.rnrnrnO Bolsa Família é uma política pública federal. Na Educação, existem as cotas raciais nas universidades estaduais e federais.rnPara a professora de economia Augusta Raiher, que pesquisa a renda média da população branca e não branca, políticas públicas em curto e longo prazos podem diminuir as distâncias sociais entre esses grupos.rnrnrn”As políticas afirmativas são poucas e raras que nós temos. Mas as que existem, como as de cotas, são muito importantes. Nesse 1º momento, para o rompimento do círculo vicioso da pobreza, elas são necessárias. Eu vejo que não o único meio hoje para conseguir romper com essa desigualdade”, disse a professora da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).rn rnrnrn
Fonte: G1

























